12/6/99

 

Finalmente os bombardeamentos chegaram ao fim! Acabou (está suspensa) a guerra que nunca devia ter começado.

 

A Nato lá conseguiu meter o seu exército no Kosovo. Não nas condições que queria em Rambouillet, mas conseguiu.

 

As tropas estão a entrar. Quando sairão? Ninguém sabe!

 

Na Bósnia, falava-se de um ano. Ainda lá permanecem, e ninguém arrisca uma data para a sua saída.

 

No Kosovo, responsáveis estado-unidenses falam na permanência das tropas por um periodo de "vinte ou trinta anos" (!!!), nem mais!

 

Infelizmente, é de esperar que lá permaneçam (se os deixarem) muito mais tempo, se a actual lógica - de imposição e de humilhação (de sérvios, russos e até dos chineses) - permanecer.

 

Mas, é de esperar outra coisa? Como a história ensina, as potências ocidentais nunca se mostraram capazes de promover soluções satisfatórias para os Balcãs. Não é de esperar, e não é isso que está a acontecer, que o façam agora.

 

Soluções justas, soluções mutuamente aceitáveis parece não fazerem parte do repertório das potências ocidentais. Preferem impor, submeter, dominar...

 

É algo que se consegue por uns tempos, talvez mesmo por "vinte ou trinta anos", mas não é nada de consistente nem de definitivo.

 

A Nato venceu! Gritam uns. Há quem fale de uma "vitória de Pirro". A ver vamos.

 

De qualquer modo depois de mais de dois meses de intenso bombardeamento aéreo era difícil esperar outra coisa.

 

É claro que, perante a quantidade de material que o exército jugoslavo está a retirar do Kosovo, se levanta a questão da eficácia desses bombardeamentos para atingir os militares jugoslavos.

 

Os responsáveis da Nato deviam ter perfeita consciência disso. Por isso é que mandaram bombardear para outro lado:

 

"Logo que estejam disponíveis forças suficientes, e que o tempo o permita, as instalações terrestres da Força Aérea jugoslava e a cidade de Belgrado serão destruídas através de bombardeamentos aéreos permanentes, diurnos e nocturnos. Completada esta fase, vergaremos a Jugoslávia." Aí está!

 

Oh, perdão! Esta declaração, embora pareça, não é da Nato. Faz parte da Directiva de Guerra n.º 25, de Março de 1941, de Hitler.

 

Da Nato são as palavras seguintes:

"Se acordarem de manhã e não tiverem electricidade em casa, nem gás no fogão, e se a ponte que vos leva para o trabalho tiver sido abatida e ficar a flutuar no Danúbio durante os próximos 20 anos, penso que irão começar a perguntar: ´Oh, Slovo, o que se passa afinal? E quanto mais disto é que vamos ter de suportar ?´ "

 

E foram pronunciadas no International Heralde Tribune de 18/5/99 por um sujeitinho de nome Michael Short e que na Nato é general e comandate das suas forças aéreas.

 

A Nato venceu, dizem alguns. E a Europa? Eduardo Lourenço, em artigo publicado esta semana, "Vitória imaginária" refecte bem a profundidade da derrota que os governantes europeus infligiram a si mesmo, embora eu pense que EL, pelas posições que sempre assumiu, está na ingrata posição de ser solidário com as causas ( o sistema) e crítico das consequências.

 

De qualquer modo, mais importante de saber quem ganhou ou perdeu, é perguntar o que vai acontecer no futuro.

 

"haverá outros Kosovos, outras guerras como esta" (!!!!!!!!!). É o que afirma Anthony Giddens, comparsa de Tony Blair e autor do livro a Terceira Via. (Corriere della Sera, 8/5/99)

 

É esta a sinistra mentalidade que reina nas chancelarias ocidentais. É para isto que trabalham. Infelizmente, não há capitalismo sem guerras.

 

Outros Kosovos? Onde? Na Bielorrusia, na Russia, em Cuba, na China no norte de África, no próprio Kosovo, contra as tropas russas...Onde?

 

Felizmente, que uma coisa é querer e outra é poder. As sequelas desta cobarde agressão não desaparecerão tão cedo e, para além disso, na cena da história há outros actores....

 

 

 

 

 

 

 

 

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