6/6/99

Aparentemente, os belicistas norte-americanos foram apanhados em contra mão pelo desenvolvimento do processo de paz. Rancorosos, arranjaram logo pretextos para continuar ainda com os bombardeamentos, mostrando uma vez mais o seu caracter criminoso.

 

A Europa autonomizou-se, mostrou ser capaz de ter uma voz própria a fazer a paz. Na guerra está completamente subjugada pelos mandaretes de Washington acolitados pelos seus moços de recados de Londres.

 

Este acordo contém aspectos positivos, partes confusas e pontos iníquos: a imposição das tropas do agressor no território do agredido, a proibição do estacionamento das tropas jugoslávas em partes do seu território nacional, etc.

 

A Rússia não se saiu muito bem. Vozes deste país perguntam mesmo se Chernormidine não terá assinado um novo acordo de Munique.

 

Só que em Munique, os representantes ingleses não foram tão patetas como se faz crer. O objectivo deles era virar a Alemanha hitleriana para leste, procurando lançá-la contra a União Soviética. E isso foi, em grande parte, conseguido.

 

Enquanto que neste caso, o que Chernormidine parece ter conseguido foi abrir as portas à Nato para que esta feche melhor o torniquete que quer colocar em redor da Rússia. E criticava Ieltsine a capacidade negocial do presidente Milosevic!

 

Mas, afinal talvez tudo se explique pelo facto de sectores russos se contentarem em reservar para o seu país o papel de flanco oriental da Nato! Ao que chegou o grande e outrora orgulhoso país dos eslavos.

 

Esta guerra, a fazer fé nas justificações dos governos da Nato, representa o triunfo dos princípios da "justiça de talião". Só por si este facto evidencia o retrocesso civilizacional que a guerra representou; até mesmo para a mentalidade de um cidadão médio dos USA, onde com frequência se confunde justiça com vingança.

 

Para os governos da Nato, a fazer fé nas suas justificações, as questões humanitárias e dos direitos humanos resolvem-se à bomba. O que explica que no seio desses países se mantenham e agravem gritantes carências sociais... negando na prática os direitos que se proclama defender (na casa dos outros e, de preferência, na casa do inimigo).

 

Nesta guerra, os USA/Nato demonstraram não olharem a meios para atingir os seus fins. A colaboração com o UÇK está provada e foi assumida. E o UÇK financia-se com dinheiro proveniente do tráfico de droga...

 

Está chegada a altura de colocar a questão das ligações dos círculos do Poder ao crime organizado. Essas ligações não se devem restringir apenas ao caso italiano.

 

É altura de perguntar como pode o tráfico de droga assumir as gigantescas proporções que se conhecem.

 

Com esta guerra a Nato torpedeou a ordem jurídica internacional, enquanto conjunto de normas e mecanismos consensualmente aceites.

 

A Nato pretende estar acima de qualquer organização internacional. Ser ela a definir e a impor as regras da convivência internacional.

 

À ONU, a Nato está a fazer o mesmo que outros fizeram à Sociedade das Nações.

 

Esta guerra foi desencadeada numa altura em que a maioria dos países europeus da Nato é governada por partidos da Internacional Socialista.

 

Por paradoxal que pareça, isto só veio facilitar a vida aos círculos militaristas da Nato.

 

Fosse a maioria dos governos chefiada por partidos tradicionalmente considerados de direita e muitas pessoas, que agora apoiaram, hesitaram ou calaram ante esta agressão, não deixariam de manifestar a sua mais indignada oposição à barbárie que (ainda) anda à solta na Europa.

 

Finalmente, esta guerra demonstrou a total e voluntariamente assumida subserviência dos países (governos) da UE aos Estados Unidos, independentemente de momentâneos assomos de independência e de contradições que possam existir.

 

Estes países regem-se entre si pelos princípios das cortes feudais. Nas cortes também havia intrigas,  conspirações e conflitos. Mas os papeis estavam claramente definidos: o trono para o rei, (os USA), acompanhado ou não de uma consorte (não poucas vezes uma desenvergonhada prostituta), os demais lugares para os nobres (países da UE).

 

E, acima de tudo, havia unidade no essencial: a corte é que dominava!

 

 Não é, certamente, esta a perspectiva que entusisamará os povos na aurora do séc. XXI!

 

 

 

 

 

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