, (20/5/99 às 0:50)

"Uma ditadura, ensina-nos a história, é a ditadura de uma classe dominante e não de uma única pessoa."

Se assim é então deve-se acrescentar à sua lista de ditadores os nomes de Bill Clinton, Tony Blair, Aznar, etc.

"Por outro lado, a Nato é uma organização de defesa ..."

Desculpe lá, mas depois da cimeira de Washington de forma alguma se pode falar da Nato como organização de defesa.

Nesta cimeira a Nato define-se como organização ofensiva. Reserva-se o direito de atacar por sua livre iniciativa e nas condições que a própria definir.

Aqui é que reside o grande perigo: A Nato é que estabelece as regras do convívio internacional.

Outros já tentaram o mesmo no passado, com os resultados que se conhecem.

"Mas a invasão teria custos em vidas humanas insuportáveis para as democracias ocidentais."

É curioso que as "democracias ocidentais" estejam prontas a matar e a destruir por (alegadas) razões humanitárias, mas já não estejam prontas a morrer!

Isto não é cinismo? Isto não é simplesmente nojento?

Não meu caro! Isto tem pouco a haver com o que diz que as democracias ocidentais estão prontas a suportar.

O que acontece é que ante a morte dos seus, ante a dor as pessoas interrogar-se-iam do porquê de tal sofrimento.

E rapidamente se aperceberiam da conversa da treta dos seus governantes e tirariam daí as devidas conclusões.

É claro que os Bill`s os Tony`s e os Guterres (a Maria vai com as outras) sabem isto perfeitamente.

Daí não estarem dispostos a arriscar. Mas ainda não é certo que não tentem. Em todo o caso não é a vida deles que está em jogo...

"Como sair do impasse? "

Com o fim dos bombardeamentos. Com o fim das diabolizações. Com negociações sérias, que encontrem respostas satisfatórias para os problemas e dramas em presença.

Segurança, liberdade e autonomia para os albaneses e para todas as etnias do Kosovo, incluindo os sérvios.

Respeito pela integridade territorial da Jugoslávia.

Fim ao apoio concedido pelos USA e Inglaterra aos malfeitores do UÇK.

E, na minha opinião, devia-se proceder a uma investigação séria, honesta, independente sobre tudo o que se tem passado no Kosovo, pelo menos de à um ano para cá, com punição dos responsáveis por eventuais crimes que se venham a detectar. (Só não consigo imaginar como se poderia punir a comunicação social ocidental pelas muitas mentiras que , como fizeram no passado, nos estão certamente a impingir.)

Eis, como,  seria possível sair do impasse. Sem vencedores nem vencidos.

A questão é que a Nato está sempre a dizer que tem de vencer esta guerra...

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