O direito ao descanso

Jo�o Amaral (*)


O "Di�rio de Not�cias", do passado dia quatro de Dezembro, relata que se preparam para abrir, nos dois pr�ximos anos, 2000 e 2001, mais 24 centros comerciais, que se juntar�o aos 23 centros abertos nos tr�s �ltimos anos, entre 1997 e o corrente ano de 1999.

A esmagadora maioria desses centros localiza-se no interior das nossas cidades, lado a lado com o com�rcio tradicional, de porta aberta para a rua, e v�o-lhe fazer uma concorr�ncia impiedosa. Abrem s�bados e domingos, e todos os dias j� pela noite.

No seu interior, misturam-se lojas, restaurantes, hipermercados, sal�es de jogos, bancos e cinemas. Promo��es variadas tornam apelativa a sua prefer�ncia.

O mesmo "Di�rio de Not�cias" mostra o exemplo de outros pa�ses europeus, onde a instala��o dos centros comerciais s� � poss�vel nas periferias, e deve ser precedida de um estudo de impacte sobre o com�rcio retalhista local. Para al�m disso, s�o conhecidos v�rios exemplos europeus de limita��o de hor�rios, com proibi��o de abertura ao fim-de-semana, ou pelo menos ao domingo.

Quero declarar que n�o partilho das posi��es fundamentalistas daqueles que s�o contra todos os centros comerciais. Aceito perfeitamente os que gostam de visitar um centro comercial, al�m do mais seduzidos pela comodidade da forma como a� se podem fazer compras.

Penso tamb�m que a defesa do com�rcio tradicional passa em primeiro lugar pela sua moderniza��o. Diz-se, muitas vezes, acerca de zonas de grande concentra��o de com�rcio tradicional, que se trata de verdadeiros centros comerciais ao ar livre.

Sendo assim, ent�o esses comerciantes devem organizar-se, para que os clientes sintam as vantagens desse com�rcio: ambiente aberto, variedade de oferta, conhecimento pessoal, qualidade.

H� entretanto um argumento, usado �s vezes para defesa dos centros comerciais e hipermercados abertos non-stop, e que n�o aceito. � o argumento de que, se n�o for assim, as pessoas n�o conseguem fazer as compras.

� um argumento perverso, que condena as pessoas a abdicarem do seu direito ao descanso. � um argumento que serve para manter altos hor�rios de trabalho profissional e uma enorme desorganiza��o dos tempos de abertura do com�rcio.

As pessoas j� trabalham duramente e j� perdem muito tempo diariamente com os transportes. Se o tempo livre ao fim de semana � para irem �s compras, quando descansam? E quando est�o com a fam�lia?

Aquele argumento serve ainda para o Estado se desresponsabilizar de apoiar actividades art�sticas, culturais e desportivas que permitam gozar o fim-de-semana de forma criativa e enriquecedora.

A escravid�o "comercial" tem que ter um trav�o, em nome de uma vida mais saud�vel e mais humanizada.

At� no Antigo Testamento, escrito h� mil�nios, o s�timo dia era de descanso. Menos descanso n�o � de certeza um avan�o civilizacional!

(*) Deputado pelo PCP

Hosted by www.Geocities.ws

1