O PSD entrombou

Jo�o Amaral (*)


Entre sexta-feira dia 30 de Junho e quinta-feira dia 6 de Julho, o primeiro-ministro esteve tr�s vezes no Parlamento, sucessivamente para o debate sobre o Estado da Na��o, para a mo��o de censura do PP e para a aprecia��o da presid�ncia portuguesa da Uni�o Europeia. Mostrando que atingiam o seu alvo as cr�ticas que lhe foram feitas de que ia ao Parlamento, mas entrava mudo e sa�a calado, desta vez Ant�nio Guterres falou e sujeitou-se ao debate.

Mas o que marcou estes debates, n�o foi a crise em que mergulhou a economia portuguesa e a crise social que se adivinha vir a caminho, tal como, por exemplo, o PCP denunciou. O primeiro-ministro entrou nos debates em apuros. Em portugu�s corrente, o primeiro-ministro estava "� rasca", mas, tal como Jorge Coelho, "safou-se" desta, � custa do estado de destrambelhamento cr�nico do PSD e do estado de rixa permanente com que Paulo Portas e Dur�o Barroso se entret�m todo o tempo.

A situa��o para o Governo est� francamente mal. As finan�as p�blicas mostram que sobe a despesa e baixa a receita, os juros continuam a subida, o endividamento externo aumenta descontroladamente. A factura da irresponsabilidade do Governo e da pol�tica de direita, que v�o seguindo, come�a a ser apresentada para pagamento aos portugueses.

Mas Paulo Portas e Dur�o Barroso apostaram em distrair a comunica��o social desse estado de crise, chamando para a primeira p�gina as guerras entre si e as guerras internas em que o PSD mergulhou. Ant�nio Guterres encontra hoje nas teimas e birras do PSD e do PP uma esp�cie de bengala para o ajudar a ultrapassar as reais dificuldades do Governo.

A "mo��o das seguradoras" com que Paulo Portas quis ganhar pontos, na guerra pela lideran�a do bloco da direita, foi uma b�n��o que Guterres aproveitou com unhas e dentes. Como a esquerda n�o podia votar uma mo��o que s� interessava �s seguradoras e � sua vontade de abocanhar as receitas da Seguran�a Social, a mo��o deu o resultado esperado: a censura obteve o voto isolado do PP e, claro, do seu seguidor PSD.

Barroso fez a cena mais infeliz que alguma vez foi feita por um l�der partid�rio no Parlamento. Depois do ataque �bvio que Guterres lhe fez por estar permanentemente a reboque do PP, Barroso entrombou, calou-se e passou ao papel de corpo presente. Dur�o fez no Parlamento uma cena de vitimiza��o infantil, como uma esp�cie de Kalimero da pol�tica portuguesa.

Guterres rebola-se de gozo. Podem os jornais dizer o que quiserem, incluindo falar de "viragem � esquerda", mesmo com sol�citos deputados e comentadores ligados ao PS terem de imediato avisado que n�o h� viragem nenhuma. Pode a crise continuar a fazer o seu caminho e o pa�s entrar numa situa��o perigosa.

Com as teatrices, questi�nculas e birras de Paulo Portas e Dur�o Barroso, o Governo fica em melhores condi��es de prosseguir os tra�os essenciais da sua pol�tica de direita, sem que isso seja o tema central do debate pol�tico.

� uma situa��o que nos desafia, na esquerda. � essencial que a crise a que conduziu a pol�tica de direita do Governo seja chamada a tema central do debate pol�tico. Face ao estado de desorienta��o e guerrilha da direita, fica mais espa�o para definir os contornos e exig�ncias caracterizadoras de uma pol�tica alternativa de esquerda.
A autofagia da direita d� � esquerda uma oportunidade de ouro para construir e credibilizar essa pol�tica alternativa.

(*) Jo�o Amaral, deputado do PCP, escreve no JN, semanalmente, �s segundas-feiras


Hosted by www.Geocities.ws

1