O muro da injusti�a

Jo�o Amaral *


Assinalou-se a semana passada o acontecimento de enorme import�ncia que ficou conhecido como a queda do Muro de Berlim. Escreveu-se muito sobre esse acontecimento. Assinalou-se, e bem, o valor insubstitu�vel da liberdade e da democracia pol�tica.

Mas o tom dominante foi o da queda do Muro significar a superioridade definitiva do capitalismo. Como se quisessem dizer que a esperan�a da Humanidade numa transforma��o da sociedade estaria enterrada de vez.

N�o � assim. E n�o o � porque o Mundo que o capitalismo construiu � terrivelmente injusto. Milh�es e milh�es de seres humanos est�o condenados � maior mis�ria. Mas, apesar dos avan�os da tecnologia e da cada vez maior capacidade de produ��o, o capitalismo n�o consegue resolver os problemas desses cidad�os. Pelo contr�rio, a legi�o dos exclu�dos � escala mundial, em vez de diminuir, continua a aumentar.

Entramos neste final de s�culo com um cortejo insuport�vel de sofrimento, fome, doen�a e guerra.

Nestes dez anos ap�s a queda do Muro de Berlim, mais de trinta guerras devastaram vastas zonas do globo.

A injusti�a agravou-se. Os 20% de cidad�os mais ricos tinham, em 1960, 30% do rendimento mundial, contra o 1% dos 20% dos cidad�os mais pobres. Em 1995, o rendimento dos 20% mais ricos tinha subido para 82%, contra o mesmo 1% dos 20% mais pobres.

Mais de metade da humanidade vive com menos de dois d�lares por dia.
A d�vida externa constitui para dezenas e dezenas de pa�ses um garrote que impede o desenvolvimento.

Os gastos com armamento a n�vel mundial andam � volta de 140 mil milh�es de contos. E, no entanto, bastaria oito mil milh�es anuais para desenvolver um programa mundial para acesso � educa��o de base, �gua pot�vel, alimenta��o b�sica, infra-estruturas m�nimas de sa�de.

S� que este oito mil milh�es n�o aparecem. Isto apesar de representarem apenas 4% (quatro por cento!) do valor das 225 maiores fortunas do Mundo!

Que dizer? � simples e ningu�m o pode negar. Este � o muro que o capitalismo constr�i, este � o muro que � preciso destruir. Esta � a nova tarefa da humanidade, na senda do progresso e da justi�a.
A globaliza��o do capitalismo tornou o mundo mais injusto ainda. Economias inteiras desmoronaram-se, como sucedeu com a Indon�sia na crise asi�tica.

Na revista "Courrier Internacional", uma sondagem internacional mostra que os povos acham que o capitalismo � negativo: 56% dos franceses, 52% dos russos, 46% dos h�ngaros, 59% dos alem�es, isto contra os 23% a 34% que o acham positivo.

A hist�ria n�o acabou. A necessidade da supera��o do sistema injusto que � o capitalismo mant�m-se actual. � o desafio mais global do s�culo que se avizinha.

(*) Deputado pela CDU

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