O ciberpaleio do PS

Jo�o Amaral (*)


A interven��o do Governo e da bancada do PS no debate parlamentar da passada quarta-feira foi um desastre a anunciar que a incapacidade de encontrar solu��es pol�ticas para os problemas est� a p�r o Governo no caminho do seu fim.

Este desastre parlamentar do PS � particularmente significativo quando o debate foi decidido pelo Governo, segundo as suas conveni�ncias. Foi Guterres quem escolheu a oportunidade, o dia, a forma e o tema da cena parlamentar, mas portou-se como quem prepara um suic�dio pol�tico.

Guterres foi arrogante quando se lhe pedia di�logo sobre as suas pol�ticas, foi "compreensivo" com os problemas dos portugueses quando se exigiam medidas e n�o palavras, mostrou-se inst�vel e nervoso quando teve de responder a cr�ticas. Guterres quis fazer do Parlamento um palco para as televis�es, pondo os advers�rios como figurantes um degrau abaixo, reduzidos a fazer perguntas. Mas afinal mostrou �s televis�es e assim ao pa�s que j� n�o tem discurso, tem bl�-bl� e mais nada.

O desastre atingiu o n�vel mais abaixo com as perguntas do PS a Dur�o Barroso. O PS mostrou que n�o consegue passar do n�vel rasca do ataque personalizado e da intriga para dentro do PSD. Falo com o �-vontade de quem est� muito longe das ideias do PSD e de quem considera que Barroso tem estado muito longe das expectativas que criou ao seu partido. Mas uma coisa � a aprecia��o pol�tica desses factos, outra � o baixo n�vel de remoques pessoais, a demonstrar que a bancada do PS n�o tem argumentos.

Este � o drama. O PS est� com as reac��es de quem se sente acossado, sem solu��es e sem perspectivas. O PS mostra hoje que s� a maioria absoluta servia o sentido autorit�rio e impopular das medidas que tinha em prepara��o, e que, na situa��o de "empate", est� sem solu��o. As asneiras sucedem-se como no aumento dos combust�veis, e cada asneira suscita, n�o uma correc��o da pol�tica, mas outra asneira a seguir. O PS vive a espiral da asneira e da incompet�ncia.

Como sempre, Guterres procura f�lego com novas promessas. Como n�o pode prometer as correc��es salariais e as melhorias de vida que as pessoas querem, vai para o ciberpaleio: Internet para todos. Que venha a Internet como instrumento novo, mas n�o vale o truque de dizer que quem continua a exigir melhorias salariais n�o percebe a import�ncia da Internet. J� houve muitas "revolu��es" t�cnicas desde o come�o da industrializa��o: o telefone, o avi�o, o transistor, etc.. Mas os problemas da economia foram os de sempre: a produ��o de bens, a apropria��o do capital, os lucros � custa da limita��o dos sal�rios.

Num pa�s em que, segundo um estudo oficial, s� um quinto da popula��o tem conhecimentos para uma adequada compreens�o do que l� e onde o sal�rio m�nimo pouco passa dos 60 contos, h� um longu�ssimo caminho para resolver os "velhos" problemas. Venha a Internet, mas n�o nos fa�a rir, eng.� Guterres, porque n�o � com a Internet que foge � acusa��o de que n�o sabe resolver os problemas que os portugueses lhe p�em hoje e agora. N�o se conven�a de que "com papas virtuais e ciberbolos se enganam os tolos"!


Post scriptum; Depois de ver o espect�culo de quarta-feira, pergunto ao Jos� Saraiva se mant�m a sua cr�nica. Acha que o Guterrismo � a casa da esquerda? Se � preciso um di�logo de poder centrado na esquerda, � preciso primeiro desenhar as pol�ticas de esquerda, isto �, as pol�ticas � esquerda de Guterres...


(*) Deputado do PCP, escreve no JN, semanalmente, �s segundas-feiras


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