Capit�es de Abril

Jo�o Amaral (*)


Estreou h� poucos dias o filme "Capit�es de Abril", realizado por Maria de Medeiros. Nesta segunda-feira, entre as celebra��es pascais e a comemora��o do 26.� anivers�rio da Revolu��o, homenageio o filme, pela emo��o com que vive o Dia da Liberdade e da ressurrei��o de Portugal como Na��o democr�tica.

Pelo que j� foi poss�vel ler, n�o faltaram vozes cr�ticas. Fala-se da inverosimilhan�a de algumas cenas e do exagero de outras (por exemplo, a cena de amor dentro do blindado). Fala-se na falta de rigor de alguns epis�dios, que se passaram de forma diferente ou noutra ocasi�o.

Fala-se da falta de refer�ncias �s for�as sociais e pol�ticas que ent�o se movimentavam no pa�s. H� quem compare este filme com a reconstitui��o do 25 de Abril contida no telefilme que a SIC exibiu h� um ano, para salientar o rigor deste trabalho e contrapondo-o �s "debilidades" do filme.

Ao contr�rio, outras vozes, muitas, louvaram o filme. � o que fa�o aqui, explicando as raz�es e n�o me furtando � compara��o com o telefilme da SIC, cuja grava��o revi, logo ap�s ter visto o filme.

A conclus�o que tirei � a deque nem o telefilme da SIC desmerece do filme de Maria de Medeiros, nem este desmerece daquele. Um e outro fazem dois m�todos diferentes de abordar o 25 de Abril. O telefilme da SIC � uma poderosa e emocionante reconstitui��o dos acontecimentos.

Come�a �s 22h50 de 24 de Abril (imediatamente antes da primeira senha, o "E depois do Adeus", do Paulo de Carvalho) e termina com a leitura por Sp�nola da proclama��o da Junta de Salva��o Nacional. O trabalho percorre os pontos centrais que determinaram o sucesso do Movimento: o posto de Comando na Pontinha, o assalto ao R�dio Clube Portugu�s (a voz da Revolu��o), o Carmo, onde o regime caiu, e o Terreiro do Pa�o, onde a revolu��o jogou a sua sorte, no confronto com os blindados de Cavalaria 7 e com a fragata Gago Coutinho.

Os meios usados, o rigor e o trabalho dos actores tornam o telefilme da SIC uma verdadeira li��o. O trabalho da SIC deve ser passado novamente e editado em v�deo. E o Minist�rio da Educa��o, de que est� � espera?

Nesse espl�ndido filme da SIC est� tudo, incluindo o valor e a emo��o dos homens que fizeram a Revolu��o.

O filme de Maria de Medeiros � outra coisa. N�o � uma reconstitui��o. � uma fic��o feita com factos e personagens reais, juntos com acontecimentos e figuras de fic��o. No filme da SIC est� o corpo e a hist�ria do dia da Revolu��o, no filme da Maria de Medeiros est� a alma e o imagin�rio da Revolu��o, como a viveram o povo de Lisboa e os personagens que ela escolheu.

Um personagem como o inventado major Gerv�sio (uma mistura de oportunismo, descren�a e conformismo) n�o podia entrar no telefilme.

N�o existiu. Mas pode estar no filme, porque podia ter existido. Os "Capit�es de Abril" s�o uma hist�ria de amor e desencontro, onde emerge como um her�i l�mpido o capit�o Salgueiro Maia. No telefilme emerge tamb�m Salgueiro Maia, mas aqui com a for�a dos homens que d�o tudo por um ideal.

Amanh� � 25 de Abril. Encontramo-nos nas pra�as de todo o pa�s, a celebrar e a viver essa vida da Revolu��o que deu a SIC, essa alma dos Capit�es que nos d� Maria de Medeiros. Se n�o viram o telefilme, procurem v�-lo. E v�o ao cinema, ver a hist�ria de amor que o 25 de Abril foi no nosso imagin�rio.


(*) Deputado do PCP, escreve no JN, semanalmente, �s segundas-feiras


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