| �Safa-se� o PS,
pagam os portugueses COMO � que se explica a um portugu�s, um desses cujo horizonte � um dia-a-dia de trabalho mal pago, quanto vale a indemniza��o que foi mandada atribuir, pelo accionista Estado, ao ex-presidente da Petrogal? Cento e noventa mil contos equivalem a 21 anos das tais �chorudas� remunera��es-base dos deputados. Em sal�rios m�nimos, ronda os 200 anos! Aqui est� o mundo socialista no seu melhor. Ningu�m nega o que vem nos jornais sobre o �pacto de sil�ncio� a que o ex-presidente da petrol�fera se comprometeu. Com a conta banc�ria bem recheada, n�o ser� da sua boca que saberemos os meandros dos neg�cios com a italiana ENI e a espanhola Iberdrola para entrada no capital da nova GALP, que re�ne as petrol�feras ditas portuguesas (por quanto tempo?). Nem o ouviremos comentar os truques contabil�sticos feitos para esconder, dos que est�o a pagar os aumentos dos combust�veis, os altos lucros da petrol�fera em 1999. Este mesmo PS, que trata um gestor com a magnanimidade de um sult�o, quer correr o meio milh�o de funcion�rios p�blicos com um aumento de 2,5%, que vai desaparecer com a infla��o empurrada para cima pela subida dos combust�veis. � este mesmo PS que d� o famoso suspiro de al�vio - �desta j� nos saf�mos!� - no mesmo m�s em que a Caixa sobe a taxa de juro do cr�dito � habita��o (e a Caixa tem 30% do total deste cr�dito) e em que as Finan�as reduzem o valor das bonifica��es. Ao contr�rio do que o estilo beat�fico de Guterres quer dar a entender, o PS j� percebeu que os tempos v�o de mal a pior. Como tinha de suceder, o eleitoralismo, o esbanjamento das oportunidades e aus�ncia de uma estrat�gia para a economia nacional v�o dar cabo do clima de consumismo f�cil que o Governo deixou instalar. A infla��o e os juros sobem, os portugueses v�o apertar o cinto e a economia vai desacelerar. Guterres sabe perfeitamente que n�o se �safou�. Sabe que a situa��o econ�mica e social vai agravar-se e que este buzin�o foi um sinal e um come�o. Preocupado, juntou os �rg�os pol�ticos do partido, mostrando que o perigo aperta a posi��o do PS como Governo e pedindo coes�o. Mas, enquanto o secret�rio-geral do PS tocava a reunir, o dr. Jorge Lac�o, que funcionou sempre como um bar�metro da situa��o dos l�deres do PS, j� se deixou apresentar como l�der da oposi��o interna... Verdadeiramente, o PS n�o tem solu��o para a crise social e econ�mica que se avizinha. O que o PS faz bem � apropriar-se do poder. O ministro Alberto Martins fez h� dias o retrato da gest�o socialista da administra��o p�blica. Com desassombro, mostrou a espiral de gastos, a prolifera��o de fugas �s normas, a cria��o de institui��es com diversas autonomias, designadamente para pagar remunera��es mais altas. E para criar mais �jobs�, acrescento eu. Nestes anos, o PS rejeitou uma cultura de servi�o p�blico marcado pelo interesse nacional. Preferiu a t�ctica do assalto e do aproveitamento pessoal e partid�rio do Estado e dos seus recursos. Quer-se um exemplo? Veja-se o Porto. O espect�culo da luta pelo lugar de presidente da C�mara � indecoroso. Narciso Miranda, remetido para uma secretaria de Estado, manteve o seu lugar (?) em Matosinhos, como alavanca para o Porto. Fernando Gomes apadrinha com Guterres, em Lisboa, a entrada de Nuno Cardoso no PS. O Quadro Comunit�rio de Apoio � apresentado como �beneficiando� o Norte, a mostrar que Elisa Ferreira tamb�m quer posicionar-se. Nesta luta, s� o poder conta. N�o h� uma ideia sobre o Porto e os seus reais problemas. � a luta pelo poder que hoje marca a vida interna do PS, com o trope��o dos combust�veis a ser habilmente aproveitado por Jorge Coelho para ganhar de vez o lugar de vice. Glosando o velho ditado �pela boca morre o peixe�, � caso para dizer
que pelo poder morre o PS.
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