Buzin�o contra gasolin�o

Jo�o Amaral (*)


A� est�o os aumentos. O gas�leo sobe 15$00, a gasolina sem chumbo 95 sobe 17$00 e a 98 sobe 18$00. J� est�o previstos os aumentos dos transportes, a que se seguir�o aumentos de outros produtos e servi�os. Metade desses aumentos resultar� directamente dos combust�veis, outra metade ser� feita por oportunistas que aproveitam a onda para aumentar as suas margens de lucro.

Para os milhares de portugueses que usam carro para ir para o emprego, estes aumentos v�o ser sentidos pesadamente. Falar dos transportes p�blicos como alternativa � um engano, n�o s� porque tamb�m a� vai haver aumentos, mas porque se todos os que usam a sua viatura particular decidissem passar para o transporte p�blico, este estoirava pelas costuras.

Estes aumentos revelam a pr�tica pelo Governo de uma desastrosa pol�tica de pre�os, marcada pelo eleitoralismo e pelo oportunismo. E revelam que o Governo j� chegou � hora da insensibilidade social e do desprezo da classe m�dia, que � a hora que, como sucedeu com Cavaco Silva, marca o come�o do decl�nio. Basta lembrar 1994 e os aumentos decretados para a ponte 25 de Abril, que originaram o buzin�o.

A pol�tica de pre�os dos combust�veis do Governo est� h� anos errada. Quando h� cerca de tr�s anos o pre�o do petr�leo descia nos mercados internacionais, o Governo manteve o pre�o, em vez de o descer, para manter assim altos n�veis de receita fiscal, e assim d�fices do or�amento mais baixos, para cumprir os crit�rios de ades�o � moeda �nica. � hoje cada vez mais claro que esta ades�o n�o foi resultado de nenhuma "boa pol�tica". Foram os portugueses que a pagaram, com mais impostos, enquanto o Governo privatizava para abater a d�vida p�blica. Pag�mos mais e fic�mos mais pobres.

Quando o pre�o do petr�leo, antes das elei��es, come�ou a subir, o Governo congelou os pre�os, por raz�es eleitorais. Em vez de ter subido suavemente o pre�o, o que teria permitido agora um pre�o mais baixo, manteve o pre�o este tempo todo, transferindo milh�es para as petrol�feras. Agora resolveu fazer este aumento brutal para recuperar toda a receita perdida e as transfer�ncias para as petrol�feras e voltar a obter receitas fiscais significativas. Esperando at� Mar�o, o Governo quis que a maior parte da contrata��o colectiva fosse fechada, antes destes aumentos, para eles n�o serem tidos em conta nos aumentos salariais. Mais uma vez s�o os portugueses a pagar do seu bolso, sem receber aumentos salariais que os compensem.

O que esta pol�tica mostra � que chegou o tempo do autismo do Governo. O assalto aos lugares do Estado, a sensa��o de impunidade absoluta e a descoordena��o resultante de um primeiro-ministro sempre a fugir �s responsabilidades acaba por ter efeitos. O Governo est� a cortar as suas liga��es ao pa�s, governa para os tachos dos "boys" e est� a deixar de perceber o que se passa com os portugueses, incluindo com uma classe m�dia que sente particularmente este tipo de ataques ao seu bolso.

Esta pol�tica do Governo e do sempre ausente Ant�nio Guterres tem que ser claramente censurada. Chegou a altura de mostrar ao PS e � sua corte de "boys" que o portugu�s n�o � o burro de carga que se despreze. Para esta segunda-feira, j� se preparam buzin�es em v�rios s�tios. T�m que ser suficientemente barulhentos para chegarem ao cantinho onde o primeiro-ministro se esconde.

Esta � a oportunidade das oposi��es assumirem as suas responsabilidades e tomarem a ofensiva. O gasolin�o tem de ter resposta firme, na rua e nas institui��es. Para muitos portugueses, o gasolin�o prova-lhes que � preciso mudar. S� esperaram o desenho de uma alternativa e a sua afirma��o p�blica.

(*) O deputado do PCP escreve no JN, semanalmente, �s segundas-feiras

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