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Jo�o Amaral (*) Quando o Governo anunciou um acordo com alguns bancos para a cria��o de um denominado "servi�o m�nimo banc�rio", choveram coment�rios de muitos g�neros. Mas, os predominantes assentaram no modelo sarc�stico e goz�o, de que � bom exemplo a gra�ola de Herman Jos� no seu programa. Esses comentadores consideravam ser uma opera��o de mera demagogia, j� que, na forma como v�em o pa�s, os tr�s milh�es de portugueses que n�o t�m cart�o Multibanco s�o uns desgra�ados que nunca saber�o o que poder�o fazer com um cart�o Multibanco. Assim se prova como uma vis�o elitista da vida e da sociedade se combina perfeitamente com uma vis�o miserabilista do pa�s. No fundo, o que esses comentadores acham � que certo tipo de bens devem ser reservados devidamente, para que a plebe n�o abuse deles. Est�-se a ver o que � ir para uma bicha do Multibanco com um portugu�s malcheiroso � frente? Ou com uma velhinha que demora longos minutos at� acertar com o uso da m�quina? N�o, definitivamente n�o. Esses comentadores decretam: os portugueses que s�o pobres devem por isso ser devidamente punidos. Devem andar com o dinheiro da pens�o, ou dos seus magros biscates, no bolso. Se o quiserem guardar, t�m o colch�o. E quando tiverem algum pagamento a fazer, p�em o dinheiro na meia, dentro do sapato, e v�o para o guich� respectivo. O que � mais caricato nestes coment�rios n�o � o seu conte�do elitista; � que eles falham completamente o alvo. Ao admitirem como poss�vel que a medida signifique mesmo que todos os portugueses passem a ter acesso ao cart�o Multibanco, fazem uma propaganda ao Governo que este agradece. O Governo j� aceitaria que os coment�rios mostrassem o alcance limitado da sua medida, ao que responderia, resignado, que sempre se chegava assim a uma situa��o melhor do que a actual. J� se contentaria com uns remoques acerca dos lucros adicionais que a banca receber�, ao que responderia, resignado, que a voca��o de um governo "socialista" n�o � incomodar o capital. Mas, o Governo n�o precisou de nada disso, j� que os tais comentadores credibilizaram a sua medida muito para al�m do que ela vale. � por isso altura de p�r as coisas como elas s�o. Ora, o acordo feito pelo Governo obriga a ter na conta um saldo m�dio de 7% do sal�rio m�nimo nacional (4470$00) e a um pagamento anual de 1% desse mesmo sal�rio m�nimo (640$00). Estes valores criam duas coisas: primeiro, uma nova linha de exclus�o. O Governo j� confessou que n�o est� a pensar nas pens�es m�nimas e outros rendimentos muito baixos. Essas pessoas n�o conseguem ter aquele saldo m�dio, e o pequeno valor do pagamento anual � para elas muito dinheiro. Exclu�das estavam, exclu�das v�o continuar. O segundo efeito destes valores � eles configurarem a base dos proveitos dos bancos nesta opera��o. Obrigando a um saldo m�dio, criam a garantia de um consider�vel valor em dep�sitos. Os grupos financeiros n�o bricam em servi�o. Servi�o m�nimo, sim; mas tem de dar lucros palp�veis... Combater a exlus�o significa tamb�m tornar acess�veis todos os servi�os que a moderna tecnologia produz. Mas combater a exclus�o n�o pode ser um neg�cio, e muito menos a fixa��o de novos patamares de exclus�o. A�, o Governo n�o acertou. Ou acertou: os bancos parece estarem bastante satisfeitos... (*) Deputado pelo PCP |