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Jo�o Amaral (*) A Divis�o da Popula��o da ONU divulgou preocupantes projec��es de popula��o at� ao ano de 2050. De facto, para manter em Portugal o n�vel populacional, seria necess�ria uma m�dia de 2,1 filho por mulher em idade f�rtil, mas essa taxa ronda os 1,5. As consequ�ncias globais s�o tr�s: diminui��o da popula��o, dos actuais (calculados) 9,8 milh�es para 8,1; redu��o dos cidad�os em idade activa, entre os 15 e os 65 anos, para menos um ter�o; e aumento da popula��o idosa, de 1,6 milh�es para 2,5. Neste momento, o c�lculo d� 4,3 cidad�os em idade activa para cada idoso. A previs�o para 2050 daria 1,7. Estes n�meros teriam resultados absolutamente desastrosos. Na pr�tica, significariam a diminui��o (pelo menos, a estagna��o) dos n�veis de vida, al�m de representarem um enorme perigo para sistemas como a seguran�a social. Na previs�o da ONU, Portugal teria em 2050 uma popula��o de 8,1 milh�es, quase 800 mil pessoas com mais de 80 anos, e ficaria em 10.� lugar na escala dos pa�ses mais envelhecidos. Estes n�meros mostram que a quest�o demogr�fica � muito s�ria. E h� duas pol�ticas, pelo menos, que t�m de ser alteradas. Desde logo, a pol�tica de imigra��o. Portugal, tal como outros pa�ses europeus, precisa de mais imigrantes, que integrem a sociedade com direitos e com estabilidade. Pa�ses como a Austr�lia, o Canad� e os Estados Unidos, que recebem grandes n�meros de imigrantes, n�o est�o sujeitos ao problema populacional que atinge a Europa. O racismo crescente na Europa, como o do sr. Haider, n�o se limita a ser s�rdido do ponto de vista humano. � tamb�m um tiro no p�, numa Europa que, se quer progredir, tem que se abrir e integrar muitos milh�es de imigrantes. � por estas duas raz�es, a humanit�ria e a populacional, que merece aplauso o projecto de lei do PCP para ajudar � regulariza��o dos imigrantes. O pa�s precisa desses trabalhadores, que fazem os trabalhos mais duros, como as grandes obras p�blicas. Eles s�o parte de Portugal. E Portugal � tamb�m deles, que o est�o a construir. Outra pol�tica a mudar � a da promo��o da igualdade da mulher. Hoje, a maternidade � para a mulher um "preju�zo" na sua profiss�o. S�o precisas pol�ticas de discrimina��o positiva, que d�em especiais garantias � mulher-m�e, na sua carreira profissional. S�o precisos muito mais apoios � situa��o da mulher-m�e. � preciso acabar com o "bl�-bl�", e adoptar medidas concretas. Assuma-se com coragem uma estrat�gia populacional que garanta o futuro de Portugal. (*) Deputado pelo PCP |