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Jo�o Amaral (*) Depois de ouvir a professora Teresa Lago na entrevista que Judite de Sousa lhe fez na RTP, venho aqui declarar publicamente que nada, incluindo qualquer "desabafo" estudado e repetido, me desviar� do objectivo de, como deputado do PCP, tudo fazer, dentro do que estiver ao meu alcance, para que o Porto 2001 seja um �xito. Como detentor de um mandato conferido pelos eleitores do Porto, eu (tal como o meu camarada Hon�rio Novo) assumo essa responsabilidade. Mas os eleitores n�o esperam que seja um mero espectador. Esperam que esteja atento, que analise as situa��es e que me pronuncie sobre os problemas com frontalidade. Por isso tenho de lembrar: se a sociedade Porto 2001 atravessou uma grave crise (cujas sequelas ainda acontecem), isso n�o foi por ac��o da Assembleia da Rep�blica ou das oposi��es. A responsabilidade dessa crise vem do ministro da Cultura, do estilo de mecenas dirigista e caprichoso com que exerce esse cargo p�blico e da assumida arrog�ncia (de que se gabou em reuni�o partid�ria) que o caracteriza como "pol�tico da cultura". Foi ele que escolheu o caminho do confronto com o dr. Artur Santos Silva e que enredou a sociedade na intriga palaciana. No calor dessa crise, a professora Teresa Lago obteve da Assembleia da Rep�blica um voto de confian�a, que eu pr�prio apoiei, em nome do PCP. Mas o ministro mant�m-se e com ele todos os factores potenciadores de novas crises: autoritarismo, irritabilidade perante qualquer observa��o, arrog�ncia quanto baste. A professora Teresa Lago, se tem um confronto urgente a fazer, n�o � com a Comiss�o Parlamentar de Acompanhamento. � com esse esp�rito carrilhista. O que � preocupante, na entrevista, n�o � o que j� se sabia: que a programa��o, posta em reavalia��o, n�o pode ser descrita; que a Casa da M�sica n�o tem uma previs�o or�amental segura; que as obras de renova��o urbana "v�o come�ar"; que o projecto de revitaliza��o econ�mica est� atrasado; que o or�amento global precisa de mais verba, embora n�o haja quantifica��o; que j� h� restri��es de custos e cativa��o or�amental. Tudo isso � sabido como � sabido que est�o ao alcance as condi��es necess�rias para vencer todos esses desafios. O que � preocupante, na entrevista, � que a professora Teresa Lago, reclamando-se de "n�o pol�tica", resuma o seu relacionamento com os �rg�os de soberania dizendo que telefona com frequ�ncia ao ministro da Cultura na mesma altura em que reafirma que se sente "envergonhada com a visita da Comiss�o Parlamentar de Acompanhamento". N�o quero, n�o queremos como deputados do PCP, este tipo de confronto e n�o o alimentaremos. Para defesa do Porto e de todo o Norte (e todo o pa�s!) que tanto espera do "Porto 2001", h�-de haver outra forma de relacionamento. Conte a Sociedade Porto 2001 com o nosso apoio para vencer obst�culos, impedimentos or�amentais e dirigismos abusivos vindos do exterior. N�o seja a pr�pria sociedade a fechar pontes e abrir confrontos. Ainda algu�m iria desconfiar que se come�ava j� a preparar terreno para encontrar culpados. N�o quero acreditar nisso. (*) Deputado pelo PCP |