Profissional ou mercen�rio?

Jo�o Amaral (*)


A decis�o do Governo de acabar com o servi�o militar obrigat�rio e instituir umas for�as armadas profissionais, acaba de conhecer desenvolvimento em Espanha, que constituem um aut�ntico sinal de alarme.

Quando promulgou a nova Lei do Servi�o Militar, o presidente da Rep�blica juntou a sua voz de alerta, praticando um acto absolutamente in�dito, ao publicar no "Di�rio de Not�cias" um artigo de opini�o, com o seu nome pessoal, onde justificava as grandes preocupa��es com que se deixava passar a Lei, e onde apelava a uma profunda reflex�o. Pe�o licen�a ao nosso presidente para dar a seguinte interpreta��o pessoal deste artigo: est� o pa�s seguro de que, com esta nova lei, pode assegurar os seus objectivos de defesa nacional?

As palavras do presidente ca�ram em saco roto. Tirando os especialistas (como Loureiro dos Santos, Lemos Pires, Pezarat Correia ou David Martelo), o Governo engoliu para dentro. E o Minist�rio da Defesa continua � cata do submarino. De resto, tudo se resume � demagogia da compra do voto jovem a qualquer pre�o.

Como "argumento", o Governo repete que isto � assim porque � assim nos outros pa�ses europeus. Mas � bom ver o que se est� a� a passar.

A Espanha est� a tentar cumprir o prazo que se fixou para a profissionaliza��o. S� que, em 1999, ficou abaixo do plano, faltando-lhe 2500 profissionais.

Para resolver o problema, o Governo espanhol fixou novas regras de recrutamento. Vale a pena meditar sobre essas regras: primeiro, vai admitir contratados com qualquer n�vel de escolaridade, o que significa mesmo abaixo da escolaridade obrigat�ria.

Em segundo lugar, vai baixar para o quociente intelectual de 70 o n�vel m�nimo de admiss�o, para a fronteira mais baixa, � beira j� da incapacidade de compreens�o.

Em terceiro lugar, diminui as exig�ncias f�sicas.

E, finalmente, sobe para os 28 anos o limite m�ximo de idade de admiss�o.

Acontece ainda que os testes personalizados, que passaram a servir s� para classifica��o, j� permitiriam admiss�es de concorrentes que obtiveram 0,5 numa escala de 10.

Este exemplo mostra o desastroso resultado de uma aplica��o cega e bruta do princ�pio da profissionaliza��o. Diz-se que o Ex�rcito � o espelho da Na��o. Um Ex�rcito como este que est� a nascer em Espanha pode ser o espelho do grande povo espanhol?

E queremos para Portugal um Ex�rcito assim?

A nova Lei do Servi�o Militar ainda n�o come�ou a ser aplicada. Tem um per�odo de quatro anos, at� chegar � profissionaliza��o total.
O ministro foi � Comiss�o de Defesa com um miser�vel pacote de dois milh�es de contos, para incentivos e para pagar os altos custos do processo.

Por este caminho, n�o vamos l�. O Ex�rcito que hoje nos orgulha (ainda h� dias, na sua partida para as long�nquas terras de Timor) corre o risco de passar a ser um Ex�rcito sa�do directamente das turmas de repetentes das nossas piores escolas.

� preciso reflex�o. A bem de Portugal!


(*) Deputado do PCP


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