Alimentar a extrema-direita

Jo�o Amaral (*)


A entrada de um partido de extrema-direita para o Governo da �ustria veio causar justificado alarme p�blico.

O Partido Liberal Austr�aco (FPO) e o seu l�der Jorg Haider, n�o deixam margem para d�vidas. Haider multiplicou expl�citas refer�ncias de defesa do regime nazi, bem como considera��o de clara natureza racista e xen�foba.

Haider � a extrema-direita no seu m�ximo, tal como ela � hoje poss�vel. Mas Haider quer ir mais longe. Para isso, o acesso ao governo aparece como um instrumento essencial. Um instrumento que foi negado aos seus cong�neres noutros pa�ses europeus, como Le Pen em Fran�a.

Portugal � um pa�s que tem emigrantes espalhados por estes pa�ses. Para estes fascistas da Europa Central, os portugueses s�o sulistas em excesso e escurinhos quanto baste. Ficam assim na lista para os mimos que eles reservam aos estrangeiros.

Por isso, para al�m das raz�es de princ�pio que s�o determinantes na aprecia��o desta escalada da extrema direita europeia, h� tamb�m a defesa dos portugueses emigrantes. E, a este prop�sito, ainda n�o ouvi a condena��o expl�cita por parte do Governo portugu�s das inten��es da xen�foba Su��a de registar o c�digo gen�tico (!!!) dos emigrantes que l� trabalham.

Os ventos da extrema-direita h� muito que sopram com ru�do, pela Europa. Basta recordar as brutalidades cometidas na Alemanha, contra turcos, portugueses e curdos. At� incendiaram pr�dios habitados!

Agora os outros 14 membros da Uni�o Europeia resolveram manifestar-se, como pa�ses e n�o como Uni�o Europeia, contra a entrada do FPO no Governo da �ustria. D� para aplaudir?

D�, sim, para recordar quem alimentou estes sentimentos. A Uni�o Europeia fechou-se sobre si mesma, inventou medidas para restringir o asilo, criou o espa�o Schengen e o Servi�o de Informa��es Schengen para melhor vigiar os estrangeiros, restringiu a emigra��o, vangloriou-se de ser uma Europa-fortaleza. Semearam ventos, espantam-se agora com as tempestades.

E os eleitores austr�acos? A quest�o � como em Portugal; os dois maiores partidos t�m os mesmos programas, os mesmos comportamentos, a mesma ideologia (ou falta dela). O centr�o mata a pol�tica, e estimula o aparecimento de for�as anti-sistema.

Quanto � direita portuguesa, � a que temos. � assim. A mesma direita que aplaudiu a inger�ncia militar na ex-Jugosl�via, defende a sagrada soberania da �ustria at� contra... uma simples e modesta advert�ncia! A �ustria que fa�a o que quiser. Mesmo que a factura seja paga pela humanidade. Entende-se: a xenofobia tamb�m est� a medrar em Portugal. Algu�m a alimenta, e algu�m pensa em aproveitar-se.

(*) Deputado pelo PCP

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