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Jo�o Amaral (*) H� um fio condutor a ligar a desumana saga do menino cubano Eli�n Gonz�lez e a mort�fera guerra que ocorre na Chech�nia. Em ambos os casos, s�o desrespeitados elementares direitos humanos em nome da l�gica dos interesses. Em ambos os casos, � not�ria a complac�ncia da comunidade internacional face a viola��es de direitos fundamentais, para que os interesses dos estados possam prevalecer sobre os cidad�os. O caso do menino Eli�n Gonz�lez ultrapassa todos os limites. A m�e do jovem de seis anos morreu no mar, quando procurava alcan�ar os Estados Unidos. A Guarda Costeira americana recuperou a crian�a. Agora a pot�ncia imperial desce o degrau mais baixo da dec�ncia e ret�m Eli�n, em vez de o entregar de imediato ao pai e �s av�s, que vivem em Cuba. Que dizer de um pa�s, como os Estados Unidos, que rouba uma crian�a ao seu pai? Que dizer de um Parlamento, como o Congresso dos Estados Unidos, que intima uma crian�a de seis anos a depor (!), s� para evitar que ela seja entregue ao pai, que vive na sua p�tria, em Cuba? Que dizer de uma "justi�a", como a americana, que aceita esta injusti�a brutal de separar uma crian�a da sua fam�lia? Os Estados Unidos tornam-se assim num pa�s bandido, raptor de crian�as. Um pa�s que � capaz de sacrificar tudo, at� a unidade da fam�lia e os sentimentos de um jovem de seis anos, s� para dar vaz�o ao seu �dio a outro pa�s e para lhe tentar impor os seus "diktats". Pode esta situa��o terminar a qualquer momento e o jovem ser entregue ao seu pai, em Cuba. Mas j� passou tempo de mais. Mesmo que isso suceda, ficam estes quase dois meses a mostrar que os Estados Unidos n�o queriam entreg�-lo, e s� o fazem pela incomodidade que esta situa��o est� a causar pelo Mundo todo. Mas, onde est� a voz do Governo portugu�s? Onde est�o os sentimentos crist�os de Ant�nio Guterres? O sil�ncio de Guterres e do Governo portugu�s � o exemplo da duplicidade que atravessa a comunidade internacional: boca cheia com proclama��es sobre direitos humanos, m�os vazias de ac��es efectivas. Fazem-se c�mplices deste crime contra a humanidade, que � o rapto de Eli�n Gonz�lez. O mesmo se diga em rela��o ao massacre da Chech�nia. H� limites para tudo. Se h� um princ�pio de soberania em quest�o, tamb�m h� uma palavra clara a dizer quanto ao massacre de popula��es, quanto �s desloca��es for�adas de centenas de milhares de civis, quanto � destrui��o de um pa�s. Se h� fundadas suspeitas de terrorismo decorrentes de fundamentalismos, tamb�m h� um terrorismo de Estado igualmente inaceit�vel. O que � que se diria se Madrid resolvesse bombardear o Pa�s Basco? N�o � com terrorismo que se combate o terrorismo. Lembro tudo o que foi dito e feito contra os GAL, os grupos ditos antiterroristas, organizados pelo Governo espanhol, e que juntaram morte �s mortes da ETA. O menino cubano Eli�n, tal como milhares de meninos chechenos, s�o v�timas de terrorismo de Estado. Com eles, todos somos cubanos, todos somos chechenos! (*) Deputado europeu pelo PCP |