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Ilda Figueiredo (*) As contradi��es geradas pelas pol�ticas da Uni�o Europeia est�o a criar mais d�vidas do que certezas sobre o evoluir da situa��o na Europa. Quando se assiste a um preocupante crescimento da extrema-direita na �ustria, mas tamb�m na It�lia, Alemanha, Fran�a e pa�ses exteriores � Uni�o Europeia, como a Su��a, � necess�rio procurar as causas desta situa��o para alterar as condi��es que favorecem a sua prolifera��o. Ora, todos sabem que a fome e o desespero n�o s�o bons conselheiros. E as pol�ticas do capitalismo neoliberal s�o respons�veis pelo crescimento do desemprego e da exclus�o social, n�o apenas na Europa, mas tamb�m em �frica, onde as sucessivas guerras, mais ou menos apoiadas na indiferen�a ou no interesse de antigas pot�ncias coloniais europeias, geraram n�veis insuport�veis de sofrimento e mis�ria. Assim, temos, por um lado, a tentativa de fuga das popula��es africanas da fome e da destrui��o dos seus pa�ses para as antigas pot�ncias colonizadoras europeias e, por outro lado, a press�o dos desempregados e exclu�dos dos pa�ses da Europa, a que se alia toda uma ideologia dominante de promo��o do individualismo e do ultraliberalismo, da prepara��o de uma UE agressiva no campo econ�mico e de uma Europa-fortaleza no campo social, fechando cada vez mais as suas fronteiras �s pessoas que fogem da guerra e da mis�ria. � esta situa��o que cria o caldo de cultura favor�vel � prolifera��o da ideologia da extrema-direita, de pol�ticos sem escr�pulos, que n�o olham a meios para atingirem os seus fins. N�o basta, pois, agora, gritar que Haider e os seus aliados chegaram ao poder na �ustria. � essencial alterar as pol�ticas econ�mico-sociais, de seguran�a e defesa, ideol�gicas e educativas para travar o crescimento da ideologia e das pr�ticas nazis. Por exemplo, � preciso alterar os pilares das pol�ticas de emprego da UE, que, dominadas pelas ideologia do capitalismo neoliberal e do individualismo, consideram que cada pessoa � a respons�vel pelo seu emprego ou pelo seu desemprego, tentando que, deste modo, aceite tudo o que o mercado quiser, banalizando os conceitos que pretendem levar � pr�tica como princ�pios orientadores: a empregabilidade e adaptabilidade das pessoas numa filosofia de responsabiliza��o individual (e n�o social) pelos problemas do emprego e do desemprego. Por exemplo, � necess�rio acabar com o pacto de estabilidade, com a prioridade ao cumprimento dos crit�rios de converg�ncia nominal e �s pol�ticas monetaristas que secundarizam o objectivo da coes�o econ�mica e social. O que se imp�e � que as pol�ticas de emprego e a dimens�o social da UE sejam as prioridades das pol�ticas econ�mico-financeiras, para que haja mais emprego, de qualidade e com direitos, e uma reparti��o mais justa da riqueza produzida. Por exemplo, � necess�rio desenvolver uma educa��o para a cidadania, de promo��o da solidariedade, e n�o do individualismo, de incentivo � participa��o democr�tica, cr�tica e criadora dos cidad�os, e n�o de conformismo. (*) Deputada do PCP no Parlamento Europeu |