Corre com eles, "Micas"

Hon�rio Novo


H� mais de dez anos que a �rea Metropolitana do Porto (AMP) espera pelo Metro Ligeiro. Com tantos adiamentos, a popula��o j� n�o acredita em datas nem em prazos para ver o raio do metropolitano passar-lhe � porta. Est� farta de inaugura��es virtuais, ainda se lembra dos convites que lhe fizeram para visitar as carruagens do dito, plantadas mesmo em frente aos edif�cios das c�maras do Porto e da Maia...

Enfim, um longo rol de an�ncios e de discursos solenes a que as pessoas j� n�o d�o import�ncia mas que, contudo, deve fazer com que haja mais reflex�o, sobretudo em alturas de elei��es.

Um empreendimento de duzentos e trinta milh�es de contos corre o risco de voltar a derrapar. � necess�rio impedi-lo, exigindo que a obra tenha uma gest�o empenhada e competente que a acompanhe e impe�a de novos descontrolos, n�o j� apenas nos prazos mas tamb�m nos custos.

Para isso � fundamental que o Metro e tamb�m a AMP e a sua Junta deixem de ser meros palcos de quem apenas deseja dar azo a ambi��es pessoais, seja para fazer esquecer a sua condi��o interina, para saltar de margem do rio, para se afirmar melhor candidato que os que t�m cart�o partid�rio, ou para poder entrar na corrida a Bel�m.

Com a recente bagun�a protagonizada pelos edis de Matosinhos, de Gaia, do Porto e da Maia, come�aram a ouvir-se vozes - de fora e, pasme-se, tamb�m da regi�o - clamando por uma solu��o providencial e sugerindo que o Governo tomasse conta da "coisa"...

Do que o Porto e as gentes desta regi�o n�o precisam � deste tipo de interfer�ncias e interven��es.

Antes do mais, porque aqui existem capacidades e compet�ncias capazes de levar a bom porto qualquer projecto que se realize em igualdade de circunst�ncias e de meios financeiros.

Depois, porque o Governo sempre foi um dos grandes respons�veis pelos atrasos do projecto. De Cavaco Silva, com o financiamento microsc�pico que queria dar ao Metro do Porto, at� �s promessas (mas at� hoje apenas promessas) de mais dinheiro em 95/96; desde a tibieza com que Cravinho contestou o recurso que um candidato perdedor apresentou � Comiss�o Europeia, at� ao facto do Governo socialista ter levado um ano para ratificar um contrato e aprovar o decreto de constitui��o da empresa do Metro.

Depois da recente recomposi��o do Conselho de Administra��o desta empresa, com ou sem a cria��o de uma holding de transportes para a regi�o, o que espero e desejo � que se d� resposta a centenas de milhar de pessoas que h� muito tempo querem ver melhoradas as p�ssimas condi��es do transporte p�blico na AMP.

Como n�o s� espero, mas exijo, que a empresa do Metro organize e lance desde j� um novo concurso para que o Metro chegue a Gondomar (que h� um ano o Governo jurava ir incluir na actual empreitada), sirva a zona sul de Gaia e a ligue � Boavista, complete o trajecto entre o Hospital de S. Jo�o e a Maia e sirva o aeroporto e a Exponor.

Mas se os autarcas da zona voltarem a dar o triste espect�culo que deram nos �ltimos tempos e se, com o aproximar de elei��es aut�rquicas, come�arem a dizer que � apenas pelos respectivos concelhos que o metro deve ser prolongado, ou se um qualquer S. Jorge feito m�gico do Terreiro do Pa�o quiser come�ar a tirar uns coelhos da cartola e pretender colocar mais uns "boys" � frente da gest�o da empresa do Metro, ou da tal "holding", o rem�dio � simples: pede-se � empresa construtora que nos empreste a "Micas" - assim parece ir chamar-se a m�quina que vai perfurar o subsolo da Invicta e corremos com eles todos!

(*)Deputado do PCP*


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