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Hon�rio Novo (*) N�o sei se o leitor se recorda do que aconteceu em Portugal, em 93, quando se soube como se iriam usar os milh�es de contos do II Quadro Comunit�rio de Apoio at� final de 1999. Com um pequeno esfor�o de mem�ria, poder� recordar o que se disse (e bem) sobre a forma como Cavaco Silva tinha decidido sobre os projectos a que se destinariam esses dinheiros, quais as c�maras que levavam mais e menos, em que regi�es do pa�s se iria utilizar, mais ou menos, o financiamento comunit�rio. Foi, como se costuma dizer, o "fim do mundo"... O "diabo do homem", mais alguns dos seus fi�is e servi�os da sua administra��o, definiram tudo. O que lhes competia e o que lhes n�o dizia respeito. Dividiram o bolo, decidiram prioridades e ordenaram onde, quando e em qu� se iria aplicar a massaroca. As c�maras, os parceiros sociais, os deputados iam sabendo o que lhes interessava pelos jornais ou em reuni�es de �ltima hora. Nestas, por�m, nada podia ser mudado, pois as propostas governamentais tinham j� sido remetidas para Bruxelas e, est� claro, dizia-se ent�o, as altera��es atrasariam decis�es comunit�rias e impediriam a vinda atempada dos dinheirinhos... Era o estilo cavaquista em final de reinado... E, hoje, o que se passa com as propostas relativas a mais de 6500 mil milh�es de contos de financiamentos p�blicos, comunit�rios e nacionais, que ir�o determinar muito do futuro de Portugal nos pr�ximos sete anos? A proposta para o III Quadro Comunit�rio de Apoio (2000-2006) foi remetida a Bruxelas em Outubro. Logo depois, foram a� entregues as propostas para os programas operacionais regionais, aquelas que mais directamente interessam a c�maras, a parceiros sociais, �s diversas zonas do pa�s, pois � a� que no concreto se afectam financiamentos a investimentos locais e regionais. Sobre o conte�do destes programas operacionais... nada. � o zero absoluto... Sabe-se - e n�o pelo Governo -que j� foram entregues. Quanto �s prioridades definidas e aos projectos concretos a apoiar, quanto � distribui��o sub-regional e sectorial dos financiamentos, quanto ao que � essencial para avaliar os programas, nada se sabe atrav�s do Governo. E o pouco que se vai conhecendo n�o foi transmitido por ele. Quanto � forma como tudo foi decidido..., apenas se pode imaginar: o "homem", mais alguns dos seus seguidores e dos seus servi�os pensaram, dividiram, definiram. N�o, dir� o leitor, isso foi em 1993. Sim, insisto eu, foi assim em 93, volta a ser da mesma forma em 99/2000, j� n�o com Cavaco Silva, mas com Guterres... � boleia desta falta de transpar�ncia passeiam-se os seguidores do "nosso homem", multiplicando obras e milh�es, propagandeando pontes, aeroportos, comboios r�pidos, metros de superf�cie requentados, programas para a agricultura, para as pescas... E para nada faltar ao ramalhete, a ministra do Planeamento iniciou h� dias um p�riplo para anunciar aos "disc�pulos" - isto �, �s c�maras e parceiros sociais - a forma como os socialistas decidiram do que n�o lhes competia. Nenhum debate parlamentar foi suscitado pelo Governo sobre o III QCA nem sobre o conte�do dos programas operacionais regionais. Mas para que tudo seja igual a 93, Elisa Ferreira at� parece querer ter uma gra�a com os deputados e organizar uma reuni�o para "discutir" os programas operacionais sem que aqueles os conhe�am previamente. A assim suceder, n�o estou disposto a "dar para esse pedit�rio". � que estou farto de "shows" medi�ticos de propaganda e at� era capaz de apostar que na manh� do dia dessa eventual reuni�o os jornais ir�o publicar tudo o que os deputados s� v�o conhecer horas depois... Ser� que este � j� o estilo guterrista em in�cio de final de reinado? (*) Deputado pelo PCP |