Kebir � um mau exemplo

Hon�rio Novo (*)


Esta semana saltou para a opini�o p�blica mais um grave conflito laboral. Embora para a maior parte das pessoas ele s� agora tenha "passado a existir", a verdade � que os acontecimentos mais recentes nesta empresa da Trofa s�o o corol�rio de uma estrat�gia de desestabiliza��o h� tempos encetada pela pr�pria administra��o.

H� mais de sete meses que come�am a ser violados direitos adquiridos - a cantina � encerrada, os transportes dos trabalhadores suprimidos. Entre Mar�o e Outubro, a empresa que foi apoiada pelo PEDIP, em quase cem mil contos passa de 260 para 130 trabalhadores. Em Outubro, quase metade destes n�o recebe o sal�rio e, em Novembro, a administra��o deixa de aparecer na empresa e manda da� retirar mercadoria e mat�ria-prima. Quase em simult�neo, a principal institui��o credora por sinal p�blica anuncia a inten��o de requerer a fal�ncia.

Toda esta "estrat�gia" era conhecida do Governo h� mais de sete meses, j� que a situa��o foi alvo de den�ncia e de exig�ncia de interven��o por parte de deputados do PCP. O Governo ficou calado e quieto nos seus gabinetes, preparando promessas eleitorais com juras de defesa dos interesses dos trabalhadores, enquanto quase trezentos postos de trabalho eram friamente amea�ados ou destru�dos e mais uma unidade produtiva corria o perigo de encerrar. C�mulo da complac�ncia ocorre, por�m, nos �ltimos dias, quando se verifica a "fuga" da administra��o e a dilapida��o patrimonial da empresa. A Inspec��o do Trabalho do Porto, ainda que instada a agir por diversas vezes, recusa-se a "tomar conta da ocorr�ncia", a abrir um "auto de not�cia", a confirmar formalmente factos que prefiguram uma situa��o de ilegalidade.

Outras prioridades, trabalho j� distribu�do, etc,etc, impediram a desloca��o de uma brigada � Trofa. Quanto a mim o que levou a esta inac��o foi a falta de vontade pol�tica, foi a cumplicidade t�cita com a administra��o e foi o desprezo objectivo pelos trabalhadores e suas fam�lias. Mas se a Inspec��o do Trabalho tem culpas no cart�rio, muito maior � a responsabilidade do Governo.

Onde param os cem mil contos do PEDIP destinados, sup�e-se, � moderniza��o da empresa e � preserva��o dos postos de trabalho? Que controlo de aplica��o foi feito de um dinheiro que � de todos os contribuintes? Que esfor�o foi ou est� a ser feito para que o banco credor (do Estado) permita o saneamento da empresa, a sua viabiliza��o e o p�o a quase duzentas fam�lias? � com factos concretos, � com ac��es concretas, � com actos legislativos concretos que se comprova, ou n�o, a t�o falada pol�tica "social e de esquerda" deste governo.

N�o � dizendo-se apenas de esquerda, n�o � apenas com lindos discursos apolog�ticos do emprego e dos trabalhadores, em que este governo � de facto f�rtil, que se procura a estabiliza��o social, se combate o desemprego e se garantem direitos que deveriam ser fundamentais em Portugal. Bonitos s�o os discursos para os eleitores. Bem diferentes os actos que os atingem no dia-a-dia.
(*) Deputado pelo PCP


 
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