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Hon�rio Novo (*) A tradi��o ainda � o que era. Por isso, a Presid�ncia Portuguesa (P. P.) da Uni�o Europeia (UE) tinha que "ser um �xito" embora j� ningu�m fale dela face aos �xitos e � frustra��o semifinal do futebol portugu�s. No virar da p�gina deste "semestre portugu�s", o que ser� que Guterres conseguiu para Portugal com as suas "tresloucadas" viagens e a sua quase permanente aus�ncia do pa�s? Alguns comentadores, e n�o s�, disseram que Portugal se prestigiou... Mas o que � que o portugu�s an�nimo beneficia com isso? Ser� que vamos passar a pescar ou plantar prest�gio depois dos quinze respons�veis pela agricultura e pesca terem reunido tr�s horas nos tr�s dias em que se passearam por �vora? Ser� que os portugueses v�o passar a ter prest�gio em vez de trabalho prec�rio e sem direitos, quando uma cimeira do emprego vira cimeira da ret�rica e da internet, e tamb�m da aus�ncia de medidas concretas para promover melhores sal�rios e mais emprego est�vel? Ser� que os portugueses v�o pagar com prest�gio os empr�stimos que contra�ram, quando � certo que Guterres e a P. P. "lavam as m�os" das decis�es do Banco Central Europeu, no qual, diziam-nos h� ano e meio em v�speras da moeda �nica, Portugal iria "estar para poder decidir"? Ser� com prest�gio que Portugal deixar� de ter a maior taxa de abandono escolar, a maior taxa de mortalidade infantil e os menores sal�rios da UE? Entre a realidade e a fic��o medi�tica da P. P. vai, por isso, uma grande dist�ncia. Para al�m da cimeira UE/�frica, que acabou por se realizar e abriu caminho, ainda que nada tivesse decidido, a t�nica negativa da P. P. n�o reside apenas no que n�o fez ou n�o influenciou na defesa das economias mais d�beis e dos interesses dos trabalhadores, os quais, ali�s, o demonstraram �s dezenas de milhar nas ruas de Portugal. A t�nica negativa agrava-se quando se verifica que o Governo PS preparou o terreno para pa�ses mais fortes (o "eixo" franco-alem�o) poderem aproveitar... A agenda da revis�o dos tratados da UE (j� de si perigosa para os pa�ses pequenos e perif�ricos) foi, assim, "enriquecida" com o "pau de dois bicos" das coopera��es refor�adas. Vem mesmo a calhar para os Chiracs que pretendem manter e aprofundar a domina��o da UE, criar vanguardas federalistas, gerar entidades para decidirem sobre os impostos que iremos pagar, elaborar as bases para constitui��es europeias, eu sei l�, transformar Lisboa numa esp�cie de governo civil de um governo europeu... O que espanta n�o � que os poderosos desejem uma Europa Federal dominadora e para ela queiram caminhar. O que mais espanta � ver portugueses, respons�veis, socialistas, tentando encontrar palavras para doirar a p�lula e procurar convencer-nos que Portugal pode ser mais que um "Porto Rico" de uma Europa Federal ainda que lhe recusem (por t�ctica) o adjectivo. [email protected] (*) O deputado do PCP escreve no JN, quinzenalmente, ao s�bado |