O banquete municipal

Hon�rio Novo (*)


No pret�rito fim-de-semana, Ant�nio Guterres aterrou em Lisboa, para dar um pulo a Coimbra e falar a militantes do PS.

Parou, finalmente, em Portugal, embora tenha falado apenas para socialistas, j� que para o pa�s, parece ter pouco tempo. O tom, por�m, foi diferente do habitual. Foi mais grosso, quase amea�ador, n�o s� para os seus companheiros de partido como tamb�m para o pa�s.

Enquanto o assomo de autoridade foi para dentro da sua casa, tudo bem. � l� com ele e com o PS. Se, com isso, pretendeu calar descontentes internos, eliminar as cr�ticas de ministros socialistas contra os seus antecessores e vice-versa, est� at� no seu pleno direito.

Mas, j� agora, podia ter aproveitado para dizer alguma coisa de nacionalmente �til.

Por exemplo, dizer ao seu ministro (?) das pol�cias que, ou passa a ter a no��o do rid�culo das declara��es que presta - as mais recentes foram as de que nada de especial se passara no Rosa Mota -, ou o melhor � voltar a candidatar-se � C�mara de... Vila do Conde, pois que para o Porto, j� Narciso "� candidato". Ou, ent�o, podia ter evitado que este �ltimo inventasse argumentos falsos para tentar justificar altera��es � lei eleitoral para as autarquias, que apenas visam afastar das c�maras todos os eleitos das oposi��es e dar luz verde � �nsia de poder absoluto do PS. E, a prop�sito, ter perguntado a este secret�rio de Estado e respons�vel aut�rquico do PS quantas das mais de trezentas c�maras do pa�s n�o t�m j� maiorias absolutas do partido vencedor das elei��es, ou em quantas delas se verificam os sintomas de instabilidade que invoca para basear essas altera��es eleitorais. Ou, ent�o, obrig�-lo a pensar seriamente sobre quais ser�o as raz�es que, no essencial, fazem com que o poder local de Abril seja a principal causa do desenvolvimento do pa�s nos �ltimos vinte e seis anos. E se, entre essas raz�es, n�o estar�, de forma porventura determinante, o facto de na gest�o das c�maras participarem eleitos de diferentes partidos que, em diversidade, t�m procurado contribuir para a resolu��o dos problemas das popula��es.

Uma coisa, por�m, n�o se esqueceu de fazer em Coimbra o secret�rio-geral do PS. Amea�ou o pa�s e milhares e milhares de pessoas que, nos �ltimos tempos, t�m lutado contra o embuste das negocia��es salariais, contra a precariedade de emprego, que alastra em Portugal, contra a aus�ncia de direitos e as pens�es degradadas, contra uma pol�tica que aumenta combust�veis e pre�os para o pa�s, cria compensa��es para as transportadoras e quer fazer crer aos trabalhadores que a infla��o n�o vai subir.

Guterres amea�ou o pa�s, mas pareceu esquecer-se de que quem semeia ventos s� pode colher tempestades. E que a responsabilidade da borrasca � dele e do Governo, n�o de quem tem a dignidade para lutar e de se indignar contra esta pol�tica de direita, mas de que a direita partid�ria lava as m�os como Pilatos.

(*) O deputado do PCP escreve no JN, quinzenalmente, ao s�bado

Hosted by www.Geocities.ws

1