Cuba repudia carta de Albright que pede a líderes latino-americanos a defesa da democracia na ilhaHAVANA (AP) -- Cuba declarou publicamente no sábado seu repúdio a uma carta que o governo norte-americano dirigiu a vários presidentes da América Latina em que pede que pressionem o presidente Fidel Castro para que inicie reformas políticas e respeite os direitos humanos. "É uma amostra desavergonhada de intromissão em nossos assuntos e na Cúpula Ibero-americana", disse o chanceler cubano Felipe Pérez Roque numa colectiva de imprensa lotada de jornalistas. Pérez Roque disse que "governos amigos de Cuba" lhe passaram cópia da carta que a secretária de Estado Madeleine Albright endereçou a vários governantes latino-americanos que participarão da cúpula dos dias 15 e 16. Na carta, Albright pede que "promovam a causa da democracia e os direitos humanos através da realização de reuniões com organizações religiosas, de defesa dos direitos humanos e activistas políticos em Cuba", acrescentando que Fidel "ironicamente, é o único ditador presente na reunião", disse o chanceler. Pérez Roque disse que a carta ajuda a ilustrar "a veracidade de nossas denúncias de que os Estados Unidos fazem constantes esforços para boicotar a reunião de Cúpula e tentam se intrometer num organismo para o qual não foram convidados". O tema dos dissidentes adquiriu considerável relevância na imprensa e nas declarações de autoridades cubanas, à medida que se aproximava a reunião da Cúpula. O activista de oposição Elizardo Sánchez denunciou que o regime de Castro tentou "esmagar" toda tentativa de protesto ou de reunião, e que dezenas de dissidentes foram detidos nos últimos dias. Ele afirmou que vários grupos manterão reuniões com governantes estrangeiros, entre eles o presidente do governo espanhol José María Aznar. O governo cubano tem reiterado que os presidentes visitantes terão toda a liberdade para se reunir com quem desejarem. Mas Pérez Roque disse que os chamados dissidentes "são instrumentos, pontas de lança" do governo dos Estados Unidos e dos cubanos anticastristas. "Nós consideramos que são pessoas que vivem disso", disse o chanceler, fazendo referência a que estariam recebendo dinheiro do exterior. | ||