Zeta Reticulum I

A 19 de setembro de 1961, Barney Hill, casado, 38 anos, funcionário dos correios, e sua mulher Betty, 40 anos, assistente social, resolveram, espontaneamente, tirar um dia de folga e viajar da fronteira do Canadá, pela Rodovia 3, em direção a Portsmouth, passando pelas White Mountains. Como o serviço de Meteorologia previa um furacão, eles viajaram de noite a fim de garantir a volta para casa antes de o tufão desabar. Em Colebrook, ao norte do Estado de Hampshire, fizeram uma breve parada e continuaram viagem às 22h. sob condições normais, andando à velocidade costumeira, deveriam chegar em casa lá pelas 2 h e 30 m da madrugada.

Ao sul de Lancaster, New Hampshire, deram com uma estrela excepcionalmente brilhante, lá no céu. Aliás, eles pensaram que fosse uma estrela. A estrada estava quase sem trânsito e o luar era tão claro que eles até poderiam ter viajado com os faróis apagados. Quando a suposta estrela, de repente, mudou de curso e passou pela Lua, eles pensaram que fosse um satélite. Curiosa, Betty acompanhou-a, com o binóculo, da janela do carro; a estrela parecia aumentar de tamanho e segui-los.

Barney parou; ele e a mulher saíram do carro para observar o objeto melhor. Mais tarde, Betty falou que ela nunca havia visto coisa alguma igual àquela; era um objeto enorme, com uma porção de luzes piscando. De repente, Barney sentiu um certo mal-estar e voltou correndo para o carro chamando pela mulher :

""Eles estão atrás de nós !" Ambos entraram no automóvel e Barney pisou no acelerador, fazendo o carro andar a toda velocidade. Ao mesmo tempo, tenso e nervoso, não parou de instruir a mulher para ficar de olho no objeto. "Deve estar diretamente acima de nos ?" gritou ele.
 
Casal Hill, vítima de abdução alienígena.
Repentinamente, o casal avistou o objeto, da altura de um "prédio de dez andares", pairando no ar, sobre a rodovia. Betty distinguiu nele janelas, dispostas em duas fileiras, uma em cima da outra, e uma luz vermelha, em ambos os lados. Então Barney parou o automóvel e pulou para fora. Betty ficou sentada, dentro do carro. Mas, Bamey correu em direção ao objeto e acompanhou, com o binóculo, as suas manobras de aterrissagem, com Betty apavorada, gritando para que ele voltasse e subisse no carro. Porém, Barney ficou lá, onde estava, como petrificado e viu como, devagar, uma espécie de escada desceu da máquina. Pouco depois, ele recuperou seu autocontrole, correu para o carro e pisou no acelerador. Naquele mesmo instante, o casal ouviu um estranho zunido elétrico, que fez o automóvel vibrar. Eles próprios sentiram o corpo todo arder e ficaram tontos. A partir daquele momento, Barney e Betty Hill não se lembraram de mais nada. Com um novo zunido, porém diferente do primeiro, recuperaram a memória. Eles estavam andando pela estrada e tudo lhes parecia estranhamente silencioso.

Repararam numa placa, à beira da estrada, assinalando: "Concord a 25 km". jamais procuram saber como foram para lá, desde Ashland, onde a sua viagem foi interrompida; porém, quando procuraram lembrar bem aquilo que aconteceu, perceberam que algo estava errado, pois na sua memória havia uma lacuna de duas horas e meia, completamente perdidas em sua consciência.

O que teria acontecido durante aquelas duras horas e meia ?

Betty Hilt lembrou, nitidamente, que, de repente, surgiu um objeto voador desconhecido. Além disso, ela sonhou que um grupo de homens uniformizados bloqueou a estrada. Esse sonho repetiu-se constantemente, mas, acordada, Betty não conseguiu lembrar aqueles acontecimentos. Assim sendo, ela acabou se dirigindo à Comissão Nacional de Investigações de Fenômenos no Espaço Aéreo (NICAP).

Quando depois, em janeiro de 1964, Barney começou a sofrer de uma úlcera gástrica, o casal resolveu seguir o conselho de um funcionário da NICAP, Walter Webb, e consultar o célebre psiquiatra, Dr. Benjamim simon, em Boston.

O Dr. simon optou pela hipnose, para, assim, chegar ao subconsciente de Barney e saber detalhes a respeito daquelas duas horas e meia perdidas na memória do casal. Ele hipnotizou Barney e Betty, em separado, e, com ambos, tentou um bloqueio da memória, através da sugestão hipnótica. Assim eles não poderiam trocar quaisquer informações referentes à sua vivência, nem combinar o depoimento a ser prestado. Durante a hipnose, os dois tornaram a viver aquele incidente esquisito, ocorrido durante aquelas duas horas e meia que estavam perdidas em seu subconsciente.

As sessões foram gravadas em fita magnética e revelaram o seguinte: Eles saíram da rodovia e entraram por uma estrada estreita, onde foram barrados por uns homens, de 1,50m de altura. Eles eram grotescos e diferentes; mas, Betty não soube explicar por que. Até então, o casal não havia sentido medo; porém, quando o motor do seu carro deixou de pegar e três dos alienígenas abriram a porta, do lado de Betty, ela entrou em pânico.

"Um deles colocou sua mão nos meus olhos, perdi os sentidos e tive a sensação de cair no sono, apesar de, no meu íntimo, não querer adormecer. Com os derradeiros resquícios da minha força de vontade, lutei contra aquele estado de torpor e vi que os homens estavam ali, ao redor do nosso automóvel", relatou Betty.

Enquanto eles arrastaram Barney e levaram Betty escada acima, ela gritou "Acorda, Barney!"

Em seguida, um dos alienígenas, ao lado de Betty, perguntou a ela, esforçando-se para falar em inglês:

- O nome dele é Barney?

Furiosa, Betty replicou :

- Não é da sua conta !

Independentemente um do outro, Barney e Betty concordaram em que os homens usavam uniforme.

segundo o depoimento prestado por Barney, o chefe usava uma capa preta, brilhante, com uma faixa negra pendente sobre o ombro esquerdo, a qual lembrava a de um capitão da marinha. Betty ficou impressionada, sobretudo, com seus olhos quase negros, cuja expressão a deixava com medo. Aparentemente, os homens não tinham orelhas e sua pele era de cor cinzenta. Betty achou que eles eram seres humanos ou parecidos com os humanos.

A bordo do objeto voador desconhecido, o casal foi separado. Betty ficou no primeiro recinto, enquanto que Barney foi levado para o recinto contíguo. O primeiro recinto impressionou Betty como um pedaço de torta, com a ponta cortada e todas as paredes reluzindo uma luz branca azulada", conforme as suas palavras.

O chefe e um outro homem, médico, como ela soube depois, levaram Betty para uma cadeira branca, na qual a fizeram sentar. Em seguida, procederam a um exame minucioso dos seus olhos, garganta, nariz, orelhas e dentes. Depois, mandaram-na deitar-se sobre uma mesa de exame. Até então, todos os exames eram sem dor. Por fim, o médico aproximou-se dela com um instrumento comprido, em forma de agulha, a ser introduzido no seu umbigo, para fazer um teste de gravidez, conforme ele explicou. Em vão, Betty implorou que não fizessem aquele teste e chorou de dor, quando a agulha foi introduzida no seu ventre. Os homens ao seu redor entreolharam-se, surpresos e o chefe apressou-se em colocar sua mão sobre os olhos de Betty, quando, naquele mesmo instante, a dor cessou. Ela disse: "soube, então, que eles não me queriam fazer mal". Com esse teste, o exame de Betty estava encerrado e falaram a ela para aguardar, tão-somente, por Barney.

Quando o médico foi para o recinto contíguo e, enquanto lá se demorou, Betty conversou com o chefe, ao qual falou :

"Depois de chegar em casa, vou contar o que aconteceu; ninguém acreditará nas minhas palavras, a não ser que eu possa apresentar uma prova qualquer".

O chefe perguntou a Betty o que que ela queria levar. Ela olhou em volta, descobriu um livro com símbolos e perguntou se poderia levá-lo; rindo, o Chefe concordou.

Naquele momento, o médico entrou no recinto, segurando na mão a dentadura de Barney. Ele dirigiu-se para Betty e procurou tirar os dentes dela, o que não conseguiu, pois Betty não usava dentadura. Os alienígenas ficaram estupefatos! Betty tentou explicar a eles que, por razões várias, as pessoas costumam perder seus dentes, mais cedo ou mais tarde, mormente em idade avançada. Porém, os seres estranhos ignoravam o conceito "idade" e tampouco compreenderam as explicações de Betty. Então, foi a vez de Betty perguntar de onde vieram com a sua nave espacial.

Em resposta, o chefe apontou para um mapa celeste, que, de uma ou outra forma fazia parte da parede que estava se abrindo. Ele explicou que as linhas grossas, entre um ponto e outro, eram rotas comerciais permanentes, as linhas finas indicavam roteiros de viagens ocasionais e as linhas tracejadas, roteiros de expedições. Lamentavelmente, as estrelas no mapa não levavam nome e, portanto, para Betty, olhar naquele mapa não passou de uma olhada para fora da janela. O chefe falou a Betty que, naquele mapa, havia também o nosso sol, mas ela não sabia por onde procurá-lo. Ao todo, o mapa mostrava doze estrelas brilhantes, esferas flutuantes, que cintilavam. Todavia, o chefe ficou devendo a resposta à pergunta por sua procedência. Entrementes, Barney voltou.

"Fiquei mais que feliz, por poderiamos sair. No entanto, ouvi como os membros da tripulação argumentavam entre si." O chefe voltou, dirigiu-se a Betty e dela tirou o livro que lhe havia dado de presente, anunciando : ficou resolvido, vocês devem esquecer tudo isto." Betty chorou de raiva e respondeu: Não, não posso esquecer isto. Mas, você que me fez tantas perguntas a que eu não soube responder, por que não volta mais uma vez? Eu poderia providenciar um encontro entre você e pessoas competentes, capazes de responder às suas perguntas".O chefe replicou que não caberia a ele tomar qualquer decisão a este respeito e, além do mais, eles saberiam encontrar as pessoas certas, sempre que fosse preciso.

Depois disso, os alienígenas acompanharam o casal Hill até o seu carro, sem proferir sequer uma palavra e a nave espacial desapareceu, rápida e misteriosa como chegara. Após cuidadosa análise do caso, o Dr. Simon chegou à conclusão de que o casal Hill descreveu a sua vivência, conforme acreditou tê-la vivido. Esta sua conclusão final, positiva, foi baseada no protocolo dos depoimentos prestados pelo casal, em estado de hipnose e dos quais seguem alguns trechos, para a melhor compreensão do assunto:

Dr. Simon: Agora, o Dr. Hynek falará com você e você responderá às suas perguntas.

Barney: saí do carro e corri pela estrada, para baixo, para o bosque.

Lá há uma luz, cor de laranja. Há alguma coisa ali. Se, pelo menos, eu estivesse com a minha espingarda.

Prof. Hynek : Barney, você se lembra perfeitamente de tudo aquilo. Conte-me tudo o que se passou. Você está ouvindo bem o ruído de bip-bip.

Descreva-me aquele ruído com mais precisão.
 
Alienígena descrito por Betty Hill.
Barney: Betty olhe para lá! Está lá, Betty! Meu Deus, que coisa louca. Eu estou atravessando a ponte, correndo. Meu Deus, meu Deus! (Barney respira com dificuldade.) Não posso acreditar. Há homens na estrada. Não, não acredito. Não! Não quero continuar. Não! Isto é impossível.

Dr. Simon : Continue, Barney. você se lembra de tudo, perfeitamente bem.

Barney: (nervoso e desesperado). Estamos subindo a rampa. Gostaria de dar umas pancadas neles, mas não posso. Não consigo mais controlar-me. Devo dar-lhes umas pancadas. Meus pés batem contra qualquer coisa. Estou em um corredor. Não quero entrar aqui. Não sei onde esta a Betty. Nada me aconteceu. Estou me debatendo. Mas, se me fizerem alguma coisa, vou bater neles, vou bater, mesmo. Não sinto nada. Meus dedos estão adormecidos. Meus pés estão adormecidos. Encontro-me sobre uma mesa.

Dr. Simon : Esta bem. Você pode parar aqui. Você esta sobre a mesa. Você está tranqüilo, relaxado, deve descansar, até eu falar; Ouça Barney! Você não ouve nada daquilo que vou falar agora. Betty, o que aconteceu?

Betty: Estávamos andando de automóvel; de repente, Barney desvia o carro para a esquerda, os freios estão chiando. Não sei porque. Decerto, vamos perder o nosso caminho. Fazemos uma curva. - Pausa - Barney procura dar partida, procura novamente dar partida, mas o motor não pega. Agora, eles se aproximam de nós, lá entre as árvores. Há alguma coisa com o primeiro dos homens que se dirigem para nós. Estou ficando com medo. Devo sair do automóvel, correr e esconder-me. Quero abrir a porta do carro, correr e esconder-me no bosque.