Quem são os homens de preto?

"Entrei em um mundo fantástico e saí com a resposta", declarou Albert Bender, diretor da Divisão Internacional de Discos Voadores, uma organização ufológica amadora sediada em Connecticut, nos Estados Unidos. "Sei o que são os discos." Infelizmente, o resto do mundo não está tão bem informado, porque Bender foi impedido de divulgar sua descoberta por três sinistros visitantes: três homens vestidos de preto, conhecidos como "os silenciadores".
 

Ameaças são comuns, porém nunca colocadas em prática.

Bender tinha a intenção de publicar suas importantes descobertas no seu próprio jornal, Space Review. Mas antes de comprometer-se definitivamente, ele achou que deveria discutir suas idéias com um colega. Enviou seu relato pelo correio e passados alguns dias, os homens chegaram. Bender estava deitado no seu quarto, após ter sentido uma espécie de vertigem, quando percebeu três figuras fantasmagóricas no quarto. Elas tornaram-se mais nítidas. Estavam todas vestidas de preto. Pareciam clérigos, mas usavam chapéus de feltro.

Os rostos não eram claramente discerníveis, pois os chapéus encobriam-nos parcialmente. Fui tomado de medo... Os olhos de todas as três figuras subitamente se acenderam como lâmpadas e estavam todos fixos em mim. Pareciam penetrar até o fundo de minha alma, e a dor acima dos olhos tornou-se quase insuportável. Foi então que senti que eles estavam me passando uma mensagem por telepatia. Seus visitantes confirmaram que ele estava certo em suas especulações a respeito da verdadeira natureza dos OVNIs - um deles estava com o relatório de Bender - e forneceram mais informações. Isso o deixou tão apavorado que ele se limitou a cumprir as exigências deles de que acabasse com a organização e cessasse a publicação de seu jornal. Foi instruído para não dizer a verdade a ninguém "em nome de sua honra enquanto cidadão americano".

Bender esperava que alguém acreditasse em sua história? Seus amigos e colegas foram enganados por ela - um deles, Gray Barker, publicou um livro sensacional, They knew too much about flying saucers ("Eles sabiam demais a respeito de discos-voadores")- e o próprio Bender forneceu um relato ainda mais estranho em seu Flying saucers and the threemen ("Os discos voadores e os três homens") alguns anos mais tarde, em resposta aos pedidos insistentes de uma explicação de seus antigos colegas. Ele contou uma história extraordinária envolvendo naves espaciais extraterrestres com bases na Antártida, que parece material de sonho do mais fantasmagórico contato; foi insinuado que a implausibilidade da história de Bender teve como objetivo afastar sérios investigadores de OVNIs de suas pistas.

Crível ou não, a versão original de Bender sobre a visita dos três estranhos é de importância crucial para os investigadores de OVNIs. A história foi confrontada com muitos relatos similares, em geral de pessoas que provavelmente nunca ouviram falar de Bender e de suas experiências. As pessoas que vêem OVNIs e os investigadores são igualmente passíveis de ser visitados pelos homens de preto; e, embora a maioria dos relatos seja dos Estados Unidos, declarações semelhantes chegaram da Suécia, Itália, Grã-Bretanha e México. E como o fenômeno OVNI, os homens de preto já se estendem por três décadas e podem muito bem ter tido precursores em séculos anteriores.
 

Albert Bender, demonstrando suas representações ufológicas.

 Como a história de Bender, a maioria dos relatos posteriores não apenas contêm detalhes inverossímeis, mas são também inerentemente ilógicos; em quase todos os casos, aparentemente, existem mais razões para se descrer do que para crer. Mas isso não elucida o mistério, simplesmente exige que o estudemos sob uma nova luz. Pois tenham realmente tais coisas ocorrido ou não, o fato de que foram relatados permanece insolúvel; e por que deveriam tantas pessoas, de forma independente e freqüentemente relutante, relatar essas estranhas e sinistras visitas? E por que tais relatos são tão semelhantes, reforçando um modelo persistente de que, no mínimo, esse é um dos mitos populares mais poderosos de nosso tempo?O arquétipo do relato sobre os homens de preto diz algo assim: pouco depois de uma visão de OVNI, o sujeito - pode ser uma testemunha, ou um investigador do caso - recebe uma visita. Freqüentemente ela ocorre logo depois do próprio incidente, quando não houve nenhum relatório oficial ou publicação na imprensa: em resumo, os visitantes não devem, por quaisquer canais normais, ter tido acesso à informação que claramente possuem - nomes, endereços, detalhes sobre o incidente e as pessoas envolvidas.

A vítima está quase sempre sozinha na ocasião da visita, normalmente em sua própria casa. Os visitantes, geralmente três, chegam num grande carro preto. Nos Estados Unidos, freqüentemente num imponente Cadillac, mas raramente num modelo recente. Ao mesmo tempo que velho em termos de época, é provavelmente novo e imaculado em aparência e estado, por dentro e por fora, tendo mesmo aquele inconfundível cheiro de "carro novo". Se a pessoa guarda o número da placa e a verifica, invariavelmente descobre que ela não existe. Resumindo as diversas descrições os visitantes são: em geral homens, imagem estereotipada de um agente secreto, usam terno, chapéu, gravata, sapatos pretos e camisa branca; estrangeiros ("orientais"), inexpressivos, desajeitados, sinistros, ameaçadores. Alguns homens de preto oferecem provas de sua identidade; na realidade, eles às vezes aparecem vestidos com uniformes da Força Aérea dos Estados Unidos ou outros. Podem mostrar carteiras de identidade, o que não prova nada, pois a maioria das pessoas não conhecem as carteiras de identidade dos agentes de serviços secretos. Quando dizem seus nomes, a testemunha posteriormente verifica que são falsos.

A entrevista é, às vezes, um interrogatório, outras, uma simples advertência. Em ambos os casos, os visitantes, embora façam perguntas, estão claramente muito bem informados, com acesso a informações restritas. Falam com uma entonação e sintaxe perfeitas, por vezes demasiadamente perfeitas, e seu modo de falar faz lembrar os vilões convencionais dos filmes policiais - "Novamente, Sr. Stiff, temo que o senhor não esteja sendo honesto!"; "Sr. Veich, seria estúpido de sua parte enviar aquele relato" -, sugerindo imediatamente o tom ameaçador tão querido dos roteiristas de Hollywood.

A visita quase sempre acaba com uma advertência para a pessoa não falar a ninguém sobre o incidente, se o sujeito é uma pessoa que avistou OVNIs, ou para, abandonar a investigação, no caso de o visitado ser um investigador. Ameaçam freqüentemente com violência. E os homens de preto desaparecem tão subitamente quanto aparecem. Embora a aparência e o comportamento dos visitantes pareçam geralmente coincidir com o protótipo, eles vão do completamente natural ao totalmente bizarro. O automóvel, apesar do fato de nos Estados Unidos ser de longe o meio de transporte mais comum, é mencionado em apenas um terço dos relatos; mesmo os detalhes pitorescos - o Cadillac, o modelo antiquado, o estado impecável - são, na prática, exceção. De 22 relatos americanos, apenas nove fazem referência a carros; desses, apenas três eram Cadillacs, apenas dois foram especificados como de cor preta e apenas dois, como modelos antigos. Por outro lado, esses detalhes arquetípicos tendem a ser proeminentes em casos menos confiáveis, particularmente naqueles em que estão envolvidos investigadores, de preferência os suscetíveis a aparições de OVNIs. Isso será de relevância quando considerarmos as possíveis explicações para o fenômeno dos homens de preto. Entretanto, embora o caso do homem de preto "ideal" esteja longe de ser universal na prática, vale como uma espécie de fotomontagem, incorporando todas as diferentes características que foram relatadas.
 

As descrições dos homens de preto são unânimes: ternos à moda antiga e carros modelo Cadillac.

 Talvez o caso mais próximo do arquétipo seja o de Robert Richardson, de Toledo, Ohio, que em julho de 1967 informou à Organização para a Pesquisa de Fenômenos Aéreos que tinha colidido com um OVNI quando dirigia à noite. Ao dobrar uma esquina, ele se deparou com um objeto estranho bloqueando o caminho: não conseguindo parar a tempo, bateu no objeto, embora não com muita força. Imediatamente após o impacto, o OVNI desapareceu. O policial que acompanhou Richardson ao local do incidente só encontrou suas próprias marcas de derrapagem, mas, em uma visita posterior, o próprio Richardson encontrou um pequeno objeto de metal que, segundo ele, poderia ser do OVNI. Três dias depois, às 23 horas, dois homens, na casa dos vinte anos, apareceram na casa de Richardson e o interrogaram por cerca de dez minutos. Eles não se identificaram, e Richardson - para sua própria surpresa mais tarde - não lhes perguntou quem eram. Não eram hostis, não fizeram nenhuma advertência, apenas perguntas. Ele notou que eles partiram em um Cadillac preto de 1953 - isto é, um modelo de catorze anos; ao se investigar o número da placa, descobriu-se que ele não havia sido ainda emitido, provando que, quem quer que fossem os visitantes, eram sem dúvida algum tipo de impostores. Uma semana depois, Richardson recebeu uma nova visita, de dois outros homens, que chegaram num modelo Dodge do ano. Vestiam ternos pretos e tinham a pele escura; embora um deles falasse inglês fluentemente, o outro tinha uma pronúncia que Richardson achou ligeiramente estrangeira. De início, pareciam estar tentando persuadir Richardson de que ele, na realidade, não tinha batido em nada; mas então lhe perguntaram pelo pedaço de metal. Quando ele lhes respondeu que o tinha entregue à Organização para a Pesquisa de Fenômenos Aéreos, para análise, eles o ameaçaram: "Se você quer que sua mulher continue tão bonita, é melhor que traga o metal de volta". A existência do metal era conhecida apenas por Richardson e sua mulher por dois antigos membros da organização; aparentemente, a única maneira pela qual os estranhos poderiam ter sabido de sua existência seria pela escuta do seu telefone ou do da organização. Não havia nenhuma relação evidente entre os dois visitantes; mas o que ambos tinham em comum era o acesso à informação que não fora divulgada. E essa talvez seja a chave do mistério dos homens de preto. 

 Agentes das trevas

Em setembro de 1976, o Dr. Herbert Hopkins, um médico e hipnotizador de 58 anos, estava atuando como consultor num suposto caso de OVNI no Maine, Estados Unidos. Uma noite, quando sua mulher e filhos tinham saído, deixando-o sozinho, o telefone tocou e um homem, que se identificou como vice-presidente da Organização de Pesquisas Ufológicas de Nova Jersey, perguntou se poderia lhe fazer uma visita para discutir um caso. O Dr. Hopkins concordou - na hora isso lhe pareceu natural. Quando foi até a porta da frente para acender a luz, de maneira a que o visitante pudesse encontrar o caminho do estacionamento, viu o homem já subindo os degraus do vestíbulo. "Não vi nenhum carro, e mesmo que ele tivesse um, não poderia ter chegado tão rapidamente a minha casa de qualquer telefone", comentou, perplexo, mais tarde.