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Igreja Presbiteriana vai ordenar mulheres
Maria Teresa Costa, da Redação do Correio Popular
A Igreja Presbiteriana Independente do Brasil vai referendar, em Campinas, na
quinta-feira, uma das maiores mudanças na sua constituição desde que se separou, em
1903, da Igreja Presbiteriana do Brasil: a ordenação de mulheres para serem pastoras e
presbíteras desta igreja. Dos seis ramos do presbiterianismo no Brasil, que congregam
mais de um milhão de pessoas no país, apenas a Igreja Presbiteriana Unida permite a
ordenação de mulheres.
A ordenação de mulheres é rotina em muitas igrejas, como a Luterana, Metodista,
Evangelho Quadrangular, Anglicana, Verbo Vivo, Hosana do Brasil, mas ainda é tabu na
Católica e na Batista.
A mudança na constituição da Presbiteriana Independente será votada durante o
Supremo Concílio da Igreja, que acontece em Campinas de 28 de janeiro a 2 de fevereiro e
reunirá 250 representantes dos 50 presbitérios brasileiros além de representantes da
igreja americana, francesa e irlandesa. Ela já foi aprovada nas bases da igreja, informa
o reverendo Noidy Bastos de Souza, secretário executivo da IPI e pastor da 1ª Igreja
Presbiteriana Independente de Campinas.
A proibição de ordenação de mulheres, explica, acontecia por uma herança cultural.
Cristo escolheu homens para serem os apóstolos e por isto a maior parte das
denominações religiosas vetam a ordenação de mulheres. Mas o estudo da Bíblia permite
uma nova visão desta tradição. As mulheres estão sempre presentes tanto no Velho
Testamento (caso da Rainha Ester) como no Novo. Paulo, quando escrever às igrejas em
várias partes, lembra o reverendo, se refere a mulher dando a entender que ela estava a
frente da igreja.
Além do conteúdo bíblico, também pesa na decisão a necessidade de vocações.
Muitos jovens estão nos seminários, comenta o pastor, mas o crescimento que esta igreja
vem vivenciando nos últimos anos, mostra uma necessidade de ampliar o ministério
ordenado.
A partir do referendo, no dia 28, as mulheres já poderão pleitear a ordenação. As
pastoras, como os pastores, terão competência para cuidar do ensino da igreja, da
pregação, da doutrina, do batismo e da Santa Ceia (a comunhão). As presbíteras,
auxiliares do pastorado, cuidam da adminstração da igreja e auxiliam no ensino.
O Supremo Concílio é a instância máxima do governo da IPI, que tem 13 sínodos, 50
presbitérios, 445 igrejas, 257 congregações, três Seminários de Teologia, dois
Centros de Treinamento Missionário. Neste Concílio além da reforma da Constituição,
estarão elegendo também a nova diretoria da Assembléia Geral (novo nome do Supremo
Concílio) a partir das três chapas concorrentes. |


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