| PERSONALIDADE DO VICIADO |
| O uso de subst�ncias psicotr�picas (drogas que alteram o humor proporcionando a sensa��o de bem estar e felicidade); � t�o antigo quanto a humanidade. Atrav�s dos s�culos, as pessoas procuraram as bebidas destiladas narc�ticos e outras drogas naturais ou artificiais � procura do al�vio para o t�dio, a depress�o e a ansiedade ou simplesmente para ficarem "ligadas". |
| Apesar de estas subst�ncias se encontrarem presentes em v�rias sociedades em diferentes graus, a forma��o de h�bitos sistem�ticos ou de v�cios ocorre somente entre uma pequena porcentagem daqueles indiv�duos que se valem delas. Para avaliar a verdadeira dimens�o do v�cio deve-se identificar o limite at� onde o mesmo ir� para conseguir determinada droga, estabelecer em que extens�o a droga domina sua vida e seus valores e julgar o n�vel de controle que ele tem sobre ela. Quando o uso da droga se transforma no centro da exist�ncia de uma pessoa, tornando-se mais importante que os outros aspectos de sua vida, pode-se dizer que ela viciada ou dependente. |
| Em termos gerais, um comportamento � dito dependente quando � excessivo, compulsivo, fora do controle e psicol�gico ou fisicamente destrutivo. O comportamento dependente costuma envolver uso excessivo de drogas estimulantes como o �lcool, hero�na, a coca�na, a maconha, a nicotina e mesmo a cafe�na. |
| Freq�entemente ouvimos que certa pessoa tem personalidade ou que algu�m tem mais personalidade do que outrem. Quando usado nesse sentidoi corriqueiro, o termo "personalidade" se refere as habilidades de uma pessoa comparada as de outras. A habilidade social por�m, � apenas uma das muitas caracter�sticas de personalidades. |
| Os psicol�gicos est�o interessados na natureza da "personalidade" em sua totalidade. Para eles, o termo tem significado t�cnico muito diferente do habitual. Eles o empregam referindo-se ao conjunto de caracter�sticas pessoais de um indiv�duo, incluindo qualidades desej�veis ou indispens�veis, sem se deter em julgamentos de valor sobre essas qualidades. |
| A partir dos anos 70, os problemas associados ao abuso das drogas come�aram a receber uma aten��o cada vez mais maior. O v�cio, por�m, n�o � de modo algum uma quest�o recente. De 100 anos para c�, ele tem assumido grandes propor��es na sociedade americana, constituindo-se no maior problema de sa�de daquele pa�s. Um dos fatores que incrementou o v�cio nestes tempos foi o uso inadequado da morfina (um narc�tico puro derivado do �pio e muitas vezes mais potente do que este). Cientistas aprenderam a extrair a morfina pura da papouta no in�cio do s�culo XIX, e ela se tornou amplamente usada durante a Guerra da Secess�o Americana, com finalidades m�dicas e a inven��o da seringa nipod�mica facilitou sua aplica��o, pois permitia que fosse injetada diretamente na corrente sang��nea produzindo um efeito imediato e forte. |
| H� v�rios usos ilegais para a morfina. Primeiro, e mais importante, ela � um anest�sico muito eficaz e �til em tempos de guerra, para aplica��es em soldados feridos ou moribundos. Como ela tamb�m causa constipa��o e um bom tratamento para a desinteria uma forma grave de diarr�ia que se generalizou na Guerra Americana. Entre os soldados o v�cio tornou-se t�o comum que passou a ser conhecida como "doen�a do soldado". |
O problema da toximania em nosso pa�s n�o � maior que o problema de outros pa�ses ou mesmo do alcoolismo. N�o existe uma distin��o m�dica para alco�latras e toxic�manos. Numa escala mais ampla acrescentar�amos os fumantes. Para o m�dico todo indiv�duo que ingere subst�ncia t�xicas seguramente, em qualquer grau � toxic�mano. |
| O �lcool e sua ingest�o, o fumo e o uso que dele se faz, s�o tamb�m toxicomania. Entretanto, enquanto a sociedade moderna criou o estigma de toxic�mano para os que usam as drogas como maconha, a hero�na, a mofina etc. essa mesma sociedade usa e abusa das drogas legalizadas como o fumo, o �lcool e at� mesmo algumas outras drogas que se apresentam nas formas de medicamentos. Aquelas que comp�em o que a Pr. Aiush Morad Amar chama de "para�so qu�mico", presente em quase todos os lares. |
| O fumo abre caminho para todas as demais toxicofilias. Mas o consumo de drogas ainda se encontra numa fase m�tica. Tem um lugar especial na psiquiatria e � socialmente considerado uma esp�cie de "mal do s�culo" causa o sinal de muitos outros males. |
| H� uma s�rie de tend�ncias atuais., na psicologia, que correspondem a v�rias concep��es do ser humano. Por maiores que sejam as diverg�ncias entre as escolas psicol�gicas, elas concordam num ponto: o processo de amadurecimento � duro e prolongado. Qualquer pessoa psicologicamente amadurecida sabe que a vida oferece uma s�rie de vicissitudes e que os pr�mios que ela d� s� s�o alcan�ados por aqueles que souberem enfrentar os diversos obst�culos que a realidade externa oferece. |
| Usando a concep��o freudiana: o ser humano nasce regido pelo princ�pio do prazer e vai, aos poucos, adaptando-se �s imposi��es da realidade. Quando esse processo de transfer�ncia da subordina��o da exist�ncia ao princ�pio do prazer para o princ�pio da realidade � realizado a contento, a pessoa � psicologicamente madura; quando isso n�o ocorre, estamos diante da pessoa imatura, emocionalmente inst�vel e fr�gil, incapacitada para encarar os desafios da vida. |
Em termos junguianos, pode-se dizer que o homem verdadeiramente se humaniza quando constr�i uma cultura, uma civiliza��o. Isso implica necessariamente um afastamento da natureza, muito bem expresso no mito do para�so perdido. Somos, com efeito, Ad�es e Evas, expulsos do para�so e condenados a sofrer dores e priva��es. � o pre�o a ser pago pela constru��o da humanidade. E a recompensa ser� tudo o que o leitor quiser imaginar, menos o retorno �quele para�so, onde viviam Ad�o e Eva. |
| A pessoa que n�o amadureceu, ou n�o est� amadurecendo adequadamente, assusta-se com a dureza da vida e tenta regridir. Seja para o �tero materno, seja para o primitivo para�so. A volta � imposs�vel, mas o para�so artificial das drogas est� bem ali na esquina e por pre�os aparentemente mais em conta que os cobrados pelo processo de amadurecimento. A imaturidade psicol�gica, que tem obviamente diversas causas, � sem d�vida uma das raz�es que empurram a pessoa para o v�cio. O que n�o � pouco, mas tamb�m n�o � suficiente para explicar o n�mero crescente de pessoas drogadas no mundo ocidental. |
| Qualquer pessoa mais atenta pode reparar, ali�s, que a express�o "mundo ocidental" n�o � perfeitamente adequada. Isso porque o problema do uso das drogas n�o chegou ainda, se � que vai chegar, ao campo. Mesmo nos pa�ses mais afetados pelo problema, ele n�o atinge em propor��es preocupantes as pessoas que vivem no campo e que tiram seus sustento do contato di�rio com a terra. |
| Os grandes produtores de drogas est�o todos situados no no Terceiro Mundo: �pio e seus derivados, na Turquia e no Ir�; maconha e coca�na, em v�rios pa�ses da Am�rica Latina. Mas entre os diversos e enormes problema que t�m esse pa�ses n�o se pode incluir o uso de drogas por grande parte da popula��o. Na verdade, a droga est� assumindo propor��es alarmantes nos grandes e m�dios centros urbanos dos pa�ses industrializados do Ocidente. O Brasil j� pode ser inclu�do entre eles, e um dos indicadores desse fen�meno � justamente a dimens�o que o problema do consumo de drogas j� assumiu nas nossas maiores cidades. |
| "H� algo de podre no reino da Dinamarca", dizia um dos personagens de Shakespeare. N�s podemos, de maneira an�loga, dizer que existe algo profundamente errado nas sociedades industrializadas do Ocidente, que com que uma parcela consider�vel da juventude mergulhe no mundo das drogas. � prov�vel que a crise dos valores e das institui��es seja o cerne do problema. |
| A partir de fins do s�culo passado come�ou um processo de incr�vel desenvolvimento dos conhecimentos cient�ficos. O r�pido avan�o da ci�ncia e suas aplica��es pr�ticas, pela tecnologia, transformaram o mundo de maneira n�o imaginada at� ent�o. Mas tamb�m abalaram profundamente os alicerces que apoiavam, a vida da maioria das pessoas. |
| Com a decad�ncia do sentimento religioso o homem ficou entregue a si mesmo, s� que inteiramente desvalido, como uma crian�a que precisa desesperadamente do apoio de um pai no qual n�o acredita mais. O homem tornou-se mais livre, mas n�o sabe, ainda, o que fazer com essa liberdade, que pesa como um fardo terr�vel sobre seus ombros. |
| Al�m disso, houve o surgimento de um fen�meno novo, o consumismo, que criou a necessidade de se ganhar mais dinheiro. Isso, aliado � abertura do mercado de trabalho para as mulheres, criou profundas modifica��es na estrutura familiar. A principal delas � que, por motivos �bvios, a fam�lia diminuiu de tamanho, atomizou-se. A fam�lia enorme de tempos atr�s fornecia a cada um dos seus membros um s�lido apoio que na que na fam�lia miniaturizada atual � quase imposs�vel. A grande fam�lia de antigamente era quase encerrada em si mesma, exercendo uma profunda influ�ncia sobre seus integrantes. Atualmente a pessoa tem um contato muito maior com o mundo exterior � fam�lia, e o poder de influ�ncia desse mundo � diretamente proporcional au aumento do contato. |
| O aumento do consumismo fez tamb�m grandes estragos. Porque a posse e o consumo de objetos, quase sempre descart�veis, tornou-se um dos valores supremos da sociedade industrializada. Consome-se tudo atualmente: objetos, pessoas relacionamentos. A ess�ncia do homem deslocou-se para o consumo. A medida do valor de um ser humano passou a ser feita com base nos bens que ele possui. |
| N�o se trata de negar os imensos benef�cios que o progresso tem trazido; ningu�m hoje pretende abrir m�o das comodidades que a sociedade de consumo oferece. O problema � que a ci�ncia �, ao contr�rio da arte sempre ben�fica , uma arma de dois gumes, que oferece solu��es ao mesmo tempo que cria problemas novos. E o ser humano, ancorado na in�rcia dos velhos h�bitos, ainda n�o sabe como enfrentar satisfatoriamente os novos problemas. |
| Se ele n�o conta mais com Deus, por descren�a, se a fam�lia n�o � mais um ref�gio seguro, o ser humano est� ent�o entregue a si mesmo. Isto �, est� s� e � consigo mesmo que ele precisa aprender a contar para evitar o processo de desumaniza��o em marcha. O que ele n�o deve � substituir Deus por objetos que adquiriram o significado de verdadeiros fetiches, em uma perpetua��o da sua imaturidade. � curioso notar que a frase de Marx "a religi�o � o �pio do povo" pode ser hoje invertida da seguinte maneira: a droga � a religi�o de um n�mero crescente de moradores das grandes cidades. |
| O fato de os objetos de consumo serem descart�veis parece que provocou profundas resson�ncias no psiquismo humano, no sentido de que tudo que � cobi�ado tem de ser conseguido no menor espa�o de tempo. O homem desaprendeu a esperar. Busca-se a felicidade imediata na aquisi��o de uma cadeia de objetos de consumo, da qual um dos elos � a pr�pria droga. Um dado adicional consiste no fato de que a sociedade de consumo oferece acima de tudo conforto para os sentidos, n�o para o esp�rito. Esse sensualismo exacerbado ajuda, de certa forma, a empurrar pessoas para o mundo das drogas, com suas promessas de sensa��es novas. |
| O fato de os objetos de consumo serem descart�veis parece que provocou profundas resson�ncias no psiquismo humano, no sentido de que tudo que � cobi�ado tem de ser conseguido no menor espa�o de tempo. O homem desaprendeu a esperar. Busca-se a felicidade imediata na aquisi��o de uma cadeia de objetos de consumo, da qual um dos elos � a pr�pria droga. Um dado adicional consiste no fato de que a sociedade de consumo oferece acima de tudo conforto para os sentidos, n�o para o esp�rito. Esse sensualismo exacerbado ajuda, de certa forma, a empurrar pessoas para o mundo das drogas, com suas promessas de sensa��es novas. |
| Al�m disso, ao mesmo tempo em que acena para todos com suas quinquilharias maravilhosas, a sociedade de consumo � injusta e n�o d� a todas as pessoas condi��es de adquiri-las. Cria-se, dessa maneira, um contigente de pessoas desajustadas, presas f�ceis para o �nico produto que ainda lhe � possibilitado consumir: justamente a droga, trocada, muitas vezes, pelos produtos de assaltos, roubos etc. |
| Sucede ainda que a droga pode ser o �ltimo ref�gio para aqueles que, desiludidos com as promessas n�o cumpridas de plenitude existencial atrav�s do consumismo, usam a droga como �ltima tentativa de encontrar o para�so na terra. |
| Dito tudo isso, quer dizer ent�o que n�o h� sa�da e que o homem est� de tal maneira pressionado por todas essas circunst�ncias adversas a ponto de estar a um passo das drogas? N�o necessariamente, se a pessoa que vive nos grandes centros urbanos e �, portanto, mais vulner�vel �s drogas fizer uma avalia��o honesta de si mesma e dos valores que t�m norteado sua exist�ncia. Se a resposta a esse questionamento for "minha exist�ncia � subordinada a valores que transcendem o aqui e o agora e a busca da felicidade f�cil", ent�o a pessoa muito provavelmente est� a salvo de torna-se uma viciada. Se a resposta for diferente, cabe ent�o a uma reformula��o de sua exist�ncia; e se a tarefa for muito �rdua para ser realizada sozinha, deve-se procurar a ajuda de algu�m capacitado. � isso que as psicoterapias, por exemplo, oferecem. E todas elas t�m como meta ajudar a pessoa a esculpir uma personalidade bem integrada, harmoniosa. |
| O psic�logo americano Carl Roger acreditava que, se forem oferecidas condi��es adequadas para um ser humano, ele desenvolver� suas potencialidades o que significa dizer que ele se humanizar�. E isso � oposto � aliena��o, ao conformismo e ao desencontro de si mesmo, que podem levar a muitos caminhos, sendo um deles o das drogas. |
| Quanto aos pais de crian�as e adolescentes, temerosos de que seus filhos possam um dia apelar para as drogas, procurem assumir o papel de orientadores. N�o fujam das responsabilidades de principais construtores da personalidade dos filhos. Os pais de hoje devem saber que a institui��o familiar perdeu muito a for�a que j� possuiu. � necess�rio, portanto, um maior engajamento, uma postura mais ativa de permanente busca dos filhos e do est�mulo para a constru��o de um mundo de valores compat�veis com a natureza humana. Est�mulo a ser dado em termos de palavras, de atos de amor e de exemplos. |
| Abordar a quest�o da personalidade do pr�-viciado em drogas pode levar � suposi��o de que se trata de uma personalidade excepcional, no mau sentido. Isso n�o � verdade. Se admitirmos como verdadeira a afirmativa de que a personalidade de um indiv�duo � fruto da intera��o de fatores externos e internos, deveremos obrigatoriamente avaliar as circunst�ncias quer cercam as pessoas que vivem nos grandes centros urbanos. A conclus�o � que elas s�o extremamente neurotizantes. |
| Imagine-se, ent�o, um adolescente exposto a um meio ambiente adoecedor: sua personalidade tender� � incorpora��o desses elementos neurotizantes, tornando-se, ent�o, mais vulner�vel �s drogas. Outro tanto pode ser dito do jovem adulto, que, pressionado pelo sistema de valores vigente na sociedade, poder� at� mesmo fazer uso das drogas, acreditando que isso lhe dar� condi��es psicol�gicas de mais facilmente triunfar na "selva de pedra". Adolescentes e jovens adultos s�o, na verdade, os grandes candidatos ao v�cio das drogas. |
| � costume entre os estudiosos do problema dos toxic�manos atribuir uma s�rie de caracter�sticas ao viciado aquele que precisa do t�xico para continuar o dia-a-dia da vida. Algumas dessas caracter�sticas se seguir�o, n�o necessariamente em ordem de import�ncia. |
| Primeiramente deve-se reconhecer que o abuso das drogas n�o est� limitado s� �s classes menos privilegiadas, restrito s� �s �reas de problemas sociais, ou s� entre as pessoas consideradas delinq�entes. O abuso se espalha sem levar em conta nem respeitar credo, com, cultura, classe social, sexo e intelig�ncia. Isto �, todos est�o sujeitos � amea�a entre os adolescentes e jovens, chegando at� mesmo entre alguns adultos. Portanto, querer atribuir o abuso s� a um grupo ou classe de pessoas � procurar esconder a realidade. |
| Agora, como indiv�duo, como pessoa e toxic�mano se caracteriza por seu comportamento um tanto quanto estranho em usar �culos de sol em horas e lugares impr�prios, camisas de mangas longas em horas de calor, total desinteresse pela apar�ncia pessoal quanto pior melhor, completo desrespeito aos h�bitos de higiene e sa�de, como banhos, cuidados dos cabelos, dentes, unhas; roupa suja, sand�lias rasgadas, camisetas esgar�adas e assim por diante. Come�a a pedir dinheiro emprestado e associar-se com pessoas com caracter�sticas semelhantes. |
| Quanto � sua atitude, predisposi��o para agir, h� uma inclina��o para a rebeldia. � um adolescente que, come�ando aos catorze anos questiona os limites, o controle, a subjuga��o dos pais nos anos anteriores. � um tipo de satisfa��o em fazer o oposto do que se espera. � um tipo de rompimento com os valores at� ent�o aceitos. Deve opor-se a qualquer coisa defendida pelos adultos. Para ele, n�o h� melhor maneira de demonstrar esta rebeldia sen�o as drogas. � comum nesse tipo de atitude express�es assim: "Deveria ter vivido noutra �poca". "N�o sou desta gera��o". "Tudo muito burgu�s". "S� pensa em money". "� uma rebeldia contra uma �poca cheia de confus�o. Cheio de �dio, cheio de contradi��o cheio de preconceitos, est� em busca de mudan�as interna, mudan�a de atitude, mudan�a de emo��o. |
| Pontos de vista das pessoas que ama a n�o mudan�a de si mesmo. |
No que respeita � sua personalidade o toxic�mano � uma verdadeira v�tima, pois emocionalmente � muito inst�vel. |
| Esta instabilidade emocional pode ser resultado de uma viv�ncia anterior ao envolvimento com a droga, v�rios fatores contribuem para isso: transi��o de crian�a para adulto, os la�os de uni�o com a fam�lia v�o se enfraquecendo, a autoridade dos pais vai diminuindo, a responsabilidade vai aumentando, a sexualidade vai se desenvolvendo. E, em conseq��ncia disso tudo, a pessoa se trona frustada, ansiosa, medrosa, cheia de conflitos interiores e d�vidas. |
| A maconha pode facilitar a aproxima��o com outras pessoas favorecendo o companheirismo, os barbit�ricos afrouxam as inibi��es, os alucin�genos aumentam as sensa��es e os narc�ticos favorecem o al�vio e o escape. |
| O ambiente onde prometeram condi��es de priva��o e superprote��o por parte dos pais favorece a aparecimento dos fatores que perturbam o desenvolvimento emocional sadio dos filhos. |
| O toxic�mano � um indiv�duo que n�o suporta as press�es sociais do relacionamento interpessoal. Nas palavras de uma menina: "Preciso de uma cheirada para ag�entar entrar na classe a fim de suportar a aula. Todos os olhos voltados para mim... d� pavor". A adolesc�ncia � uma �poca em que a aceita��o pelos colegas � a condi��o b�sica da vida. N�o ser aceito � tr�gico. Ao mesmo tempo que precisa ser aceito ele tem um alto grau de inadequa��o pessoal, de incertezas, de apatia, que dificultam mais ainda o relacionamento amea�ando-o com a solid�o e o abandono. Para n�o cair nisso � melhor "entrar numa" mesmo que por curta dura��o. |
| Um outra coisa que pode levar o indiv�duo �s drogas � a preocupa��o com o medo da morte, ao mesmo tempo temida e desafiada. Temida pela sua fatalidade inexor�vel e desafiada pelo risco a que se submete. Um deles � brincar com as drogas. Correndo o risco de ficar viciado, assim como corre o risco ao participar do "racha" ou "roleta russa". |
Mais que uma doen�a moderna, a depend�ncia de drogas �, de fato, a manifesta��o da doen�a da nossa civiliza��o. |