Satoshi Kitamura
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- COMPOSTOS ÓRGANO-METÁLICOS
São compostos que na sua estrutura comportam uma parte metálica e outra orgânica.
Em geral, a toxicidade destes compostos está na dependência do metal, porém a rapidez da absorção e do aparecimento da sintomatologia está na dependência da parte orgânica e da volatilidade do composto.
Podemos citar vários exemplos dos gases e vapores que constituem este grupo: a arsina, o chumbo tetra-etila, o níquel-carbonila, etc.
Embora já tenham sido abordados , faremos algumas considerações, a seguir:
CHUMBO TETRA-ETILA
O chumbo tetra-etila é um líquido suficientemente volátil a temperatura ambiente para produzir uma contaminação no ar do ambiente de trabalho.
O homem se expõe profissionalmente:
O quadro clínico é diferente daquele que aparece na intoxicação crônica pelo chumbo inorgânico.. Predominam os efeitos do chumbo tetraetila sobre o sistema nervoso central: cefaléia, insônia, pesadelos, nervosismo, irritabilidade, e sintomas gastrointestinais leves podem aparecer precocemente.
No seu quadro mais grave, freqüentemente os pacientes experimentam episódios de comportamentos maníacos. A intoxicação aguda manifesta-se pela fadiga, fraqueza, perda de peso, dores musculares, tremores, queda do purbo, queda da Pressão Arterial. Também é irritante da pele e mucosas.
Para o diagnóstico são importantes o antecedente profissional, o quadro clínico e a dosagem de chumbo na urina e/ou no sangue. Predominando o quadro neurológico, deve-se fazer o diagnóstico diferencial com delirium tremens.
O tratamento pode ser semelhante ao tratamento administrado aos intoxicados crônicos por chumbo inorgânico.
ARSINA (As H3)
A arsina é um gás incolor, mais pesado que o ar e que se forma quando o arsênico trivalente entra em contato com o hidrogênio nascente. Esta reação ocorre, em geral, acidentalmente, em processos metalúrgicos que envolvem substâncias que contém arsênico como impurezas.
O risco de intoxicação existe em locais onde utiliza zinco, chumbo, cobre, enxofre, ouro, prata etc. que contenham impurezas arsenicais, na limpeza de tanques, no funcionamento de acumuladores, na indústria química, (por ex. produção de cloretos e sulfatos de zinco) etc.
O quadro de intoxicação leve caracteriza-se por cefaléia, vertigem, hálito de odor aliáceo, anemia ligeira e taxa elevada de arsênico na urina.
É um veneno essencialmente hemolítico, e, em quadros mais graves aparecem sintomas mais característicos: ligeira icterícia, hemoglobinúria, seguido de anúria pela necrose tubular aguda e anemia severa (hemolítica). A morte sobrevem por falência cardíaca e edema agudo do pulmão. Se o indivíduo sobrevive, insuficiência renal crônica ou neuropatia periférica pode ficar como seqüelas.
O prognóstico depende da função renal restante e das intensidade das altercações nervosas.
O tratamento deve ser sintomático. Pode-se dizer:
1. exanguineo transfusão
2. diálise
3. a administração do BAL tem pouco valor para o quadro agudo, mas pode prevenir o
aparecimento de efeitos tardios do arsênico.
NÍQUEL-CARBONILA Ni (CO)4
O níquel-carbonila é um liquido volátil (ebulição a 43o C) decompondo-se facilmente em níquel e monóxido de carbono.
É um produto intermediário na manipulação do níquel.
Apresenta uma toxicidade muito grande e penetra através da via respiratória e cutânea.
Os efeitos agudos da exposição ao níquel-carbonila são caracterizados por duas fases:
1a fase: o paciente se queixa de cefaléia, vertigens, náuseas, vômitos que desaparecem se o mesmo respira ar fresco.
2a fase: depois de 12 a 36 h, sobrevem os sinais de pneumonia química com: dores retro-esternais, sensação de constrição torácica, tosse, dispnéia, cianose, seguindo-se um estado de delírio e convulsões. Casos fatais, submetidos à autópsia, mostram os pulmões com focos hemorrágicos, atelectasia e necroses e o cérebro com focos hemorrágicos.
Quanto aos efeitos crônicos, sabemos que a incidência de câncer das fossas nasais e dos pulmões é maior nos trabalhadores expostos ao níquel-carbonila.