

                        TTULO



                    PARTIDO VERDE
            (propostas de ecologia poltica)



                 C> by Partido Verde

          Coordenao Editorial : Patrcia Kranz
                 Reviso : Ligia Fonseca
                   Capa : Walter Luis
       Composio: Geniu's Atelier Grfico Ltda:M.E,




  Direitos adquiridos para a lngua portuguesa no Brasil, pela
              EDITORA ANIMA PRODUES ARTiSTICAS
                     E CULTURAIS LTDA.
          Praia do Flamengo, 66 B sala 1117 - Flamengo
              Cep : 222 lo - Rio de Janeiro - RJ



                               1986







                              NDICE

Manifesto do Partido Verde ...........................9
Socialismo Libertrio e Ecolgico. O que  isso?.....13
   Fernando Gabeira
A Natureza das Propostas Alternativas................17
   Jos Augusto Pdua e Antonio Lago
O PV que Sonhamos....................................23 
   Luiz Alberto Py
Desafios que Precisamos Enfrentar....................27
   Vilmar Berna
O Estado Reconstituido: Uma Viso Ecologista.........33
   Liszt Vieira
A Ecopolitica na Constituinte........................41
   Carlos Minc

O que h de Verde na Cidadania.......................47
   Herbert Daniel

Pontos para uma Discusso Programtica...............51
   Alfredo Sirkis
Manifesto Verde Universal pela Paz...................65
Pela Vida, Pela Paz..................................75
   Fernando Gabeira
Ns, os Tigres de Papel..............................79
   Denise Crispum
Inteiro Verde........................................83
   Jlio Cesar Monteiro Martins







                  O QUE H DE VERDE
                    NA CIDADANIA







      Corpo e meio ambiente so os espaos histricos do huma-
no. No so, como rezam os tabus naturalistas, objetos naturais:
apresentam-se como objetos humanos, quer dizer: conjunto de
relaes sociais historicamente determinadas, espaos sociais,
      
      Atravs de tecnologias invasoras e predadoras, nossa civili-
zao organiza e administra esses espaos segundo a ideologia da
eficincia e do rendimento, para sempre produzir mais e maior.
Assim sendo, o corpo se torna um instrumento meramente produ-
tor/reprodutor/procriador e o meio ambiente uma matria-prima e
meios de trabalho. Como conseqncia, o corpo - nome que se d
tambm aos despojos do morto -  tornado coisa til : o corpo-uti-
litrio, mltiplo em formas (homem, trabalhador, heri, mulher,
criana, velho, santa, sbio, puta, negro, deficiente...) surge como
coleo de "diferenas" fixas e determinadas "naturalmente", inde-
pendentemente do prprio processo histrico de diferenciao. O
meio ambiente, por seu lado,  apropriado numa relao de rapina
que o privatiza, colocando em risco at a prpria sobrevivncia da
humanidade. 
      
      O corpo no  ferramenta, sendo. No  instrumento til,
e . Usa - sendo usado como - meios de produo que so outros
membros, alm dos que o constituem como fora de trabalho. A
substncia-corpo no , porm, de forma alguma, instrumento de
um algum, de uma "conscincia" alheia  prpria corporalidade. O
corpo organiza-se socialmente como potencial de trabalho. Criador.
Transforma, na ao do trabalho, e produz a conscincia. Assim o
corpo humanamente  um meio de produo da conscincia real.
Ele  a conscincia, sem se reduzir a ela ; a conscincia  o corpo,
sem se reduzir a ele, O corpo  uma realidade imediata: a da ao
de transformar/apreender o real. Isto : o corpo humano  a
realidade imediata da conscincia.

      Assim, os espaos da cidadania tm sido produtos da
administrao de um poder que amesquinha a fora do trabalho,
fazendo do trabalho uma punio e um acidente, e do lazer uma
fuga e um esquecimento. Esses espaos, porm, podem vir a ser
produtos de uma atividade de dispor deles como matria primeira
da criatividade de laos de linguagem: dar significao, solidarie-
dade, amor.

      Deste modo, as questes ecolgicas no devem ser enten-
didas como uma institucionalizao de solues de "defesa do meio
ambiente", que sejam meramente voltadas  conservao do patri-
mnio ecolgico, como se a natureza fosse um cenrio abstrato da
atividade humana e no um espao histrico da cidadania. A
questo que envolve a preservao ecolgica no deve ser interpre-
tada como uma reao metafsica da "humanidade" com a "natu-
reza". Deve ser entendida como uma indicao de uma metodolo-
gia que lida diretamente com as relaes dos humanos entre si, de
tal modo que aponta uma alternativa de sociedade onde a fora de
trabalho usa meios e modos de trabalho reorganizando os espaos
sociais e estabelece outras relaes entre tempo de trabalho e
tempo de lazer.

      A alternativa apontada pela ecologia funda-se portanto no
direito ao meio amtiente, de tal modo que os cidados possam ter
a tutela sobre seu meio, para impedir que qualquer interesse indivi-
dual o danifique.  necessrio estabelecer uma nova relao com a
Terra. Toda atividade econmica deve ser considerada no apenas
do ponto de vida quantitativo, mas do ponto de vista ecolgico e
coletivo, rejeitando-se aquelas atividades cujo impacto sobre o meio
ambiente coloque em risco a vida que a se desenvolve. As tecnolo-
gias a serem adotadas devem ser controladas pela comunidade e
pelas organizaces populares, descentralizando e desburocratizando
as opes tecnolgicas.

      Tambm conhecer e usar o prprio corpo  desmontar as
regras de uma opresso que faz da sexualidade um simples processo
fsico com objetivos determinados. Sexo no  coisa, nem fato,
nem orgo, nem mesmo relao. Ocorre como um encadeamento
de contradies, o processo do prazer, o contnuo-descontnuo do
existir. No h uma "essncia" natural do sexo. H possibilidade de
exerccio de inventividade, de prtica de desobedincia. No h
revelao a ser descoberta num sexo "natural", na "natureza f-
sica", h uma essncia humana a ser fabricada.

      H direitos a serem criados no corpo e em todos os
espaos humanos.



HERBERT DANIEL, escritor com vrios livros publicados, entre eles "Passa-
gem para o prximo sonho" e "Meu corpo daria um romance". Candidato da 
coligao PV/PT a Deputado Estadual.
48

