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Artigo publicado em Reformador, abril de 1986,
pp. 102-3.
Por que Allan Kardec?
Silvio Seno Chibeni
Dogmatismo? Tradicionalismo? Fanatismo? Visão estreita?
Vejamos:
- A obra de Allan Kardec, quando analisada internamente, revela uma solidez
lógica, uma racionalidade, uma limpidez argumentativa, uma coerência
de fazerem inveja aos mais conceituados tratados filosóficos que
a Humanidade possui;
- Allan Kardec revelou, em tudo o que fez, uma prudência, um equilíbrio,
uma sobriedade, um espírito positivo e despreconcebido, um bom
senso, enfim, que singularizam sua figura entre todos os expoentes
da cultura humana;
- A obra de Allan Kardec, contrariamente ao que em geral acontece com
outras que abordam os mesmos assuntos, está firme e amplamente baseada
em fatos, cuidadosa e minuciosamente examinados à luz dos referidos
critérios racionais; não surgiu entre as quatro paredes de
um gabinete, mas de uma extensa convergência de informações;
- Allan Kardec era possuidor de uma vasta erudição,
transitando inteiramente à vontade pelos mais variados campos do
saber – das ciências às artes, das filosofias às religiões
– o que lhe permitiu trazer ao seu domínio de estudo os mais relevantes
problemas que interessam ao homem, dentro de uma visão abarcante
e integrada da realidade;
- A obra de Allan Kardec apresenta-se dentro de padrões de clareza
e objetividade tais, que não deixa nenhuma margem a ambigüidades
e mal-entendidos, especialmente quanto aos pontos fundamentais;
- Allan Kardec soube ser impessoal, separando com rigor suas opiniões
pessoais e peculiaridades de sua vida privada do conhecimento doutrinário,
que é independente e objetivo; jamais pretendeu a posse exclusiva
e completa da verdade, nunca recusou um princípio pelo só
fato de ter sido descoberto ou proposto por outrem, nunca hesitou em abandonar
uma idéia quando provada errônea por argumentos insofismáveis;
- A obra de Allan Kardec é incomparavelmente abrangente,
ocupando-se desde os fatos mais palpáveis, destacadamente os relativos
à sobrevivência do ser, até as mais profundas investigações
da ética, passando pelo exame lúcido das grandes questões
filosóficas que ao longo das eras têm desafiado o raciocínio
do homem;
- Allan Kardec tem sido confirmado, por fontes independentes e fidedignas,
como um grande emissário de Jesus, especialmente escolhido
por Ele para concretizar na Terra a Sua promessa do envio do Consolador,
[nota 1] que nada mais é do que
o Espiritismo, que veio para nos ensinar todas as coisas (o esclarecimento
abundante que traz), para nos fazer lembrar tudo o que Jesus nos disse
(a sanção e explicação que ele nos dá
dos Evangelhos), e que estará sempre conosco (a perenidade do Espiritismo);
- A obra de Allan Kardec não é uma estrutura estática
e fechada, mas sim dinâmica e aberta a complementações
futuras, incorporando a característica da progressividade,
essencial a todo sistema científico ou filosófico que não
pretenda ser sepultado pelas constantes e inevitáveis descobertas
de fatos novos e pela ampliação geral do conhecimento humano;
- Allan Kardec testemunhou em todos os atos de sua vida
a sua condição de Espírito de escol: jamais prejudicou
a alguém; só com o bem retribuiu as ingratidões, ofensas
e calúnias com que em vão tentaram embaraçar-lhe os
passos; doou-se por completo à grande obra de educação
dos homens que é o Espiritismo: a ela sacrificou o conforto, o repouso,
os bens materiais, a saúde e até a própria vida.
Estudemos com seriedade essa obra. Conheçamos de perto
esse autor. [nota 2]
Depois, comparemo-los à obras e autores que os pretendam superar.
Quais se poderão gloriar de fazer-lhes frente em apenas algumas
das dez características enumeradas (para não dizer em todas)?
Retornemos, por fim, à questão: Por que Allan Kardec?
Talvez já não seja difícil respondê-la ...
[nota 3]
Notas:
1.Cf. Evangelho de João, cap.
14.[volta]
2. Para uma visão precisa, detalhada
e completa da personalidade de Allan Kardec, bem como das origens, dimensões
e significado de sua obra, consulte-se o livro Allan Kardec (3 vols.),
de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, editado pela Federação
Espírita Brasileira em 1979/80.[volta]
3. Para uma exposição do
caráter legitimamente científico (à luz da moderna
filosofia da ciência) do desenvolvimento de uma atividade de pesquisa
em torno de um núcleo de princípios básicos (como
o Espiritismo o faz em relação aos princípios fundamentais
da obra de Allan Kardec), veja-se o artigo "Espiritismo e ciência",
em Reformador de maio de 1984. (Nota do Autor em outubro de 1998:
Para o mesmo tema, ver também os artigos "A excelência
metodológica do Espiritismo" e "O paradigma espírita",
publicados na mesma revista, números de novembro e dezembro de 1988
e junho de 1994, respectivamente.) [volta]