ARQUIVO X
Primeira à Quinta temporada.
O campo onde morri
ao encontrar demônios e revelações, ainda permanece tão ilusório quanto a procura incessante através do lapso de tempo e da elegia que enfeita minhas insignificâncias. Quase tão real quanto o fantasma da máquina fria que me observa é o desejo de avistar o serafim através da luz suave que me cerca. Sempre desejei encontrar o homem que não queria morrer, mas somente vi vampiros e sangue. Quando a noite cai posso enfrentar O grande Mutato, o demônio de Jersey e Duane Barry, mas nada posso fazer contra o hospedeiro da ilusão que trago comigo. Os corações de pano que costurei tentando iludir a besta humana e as sombras, só provocaram esquizogenia e dor. O falso alienígena é mais real que o museu vermelho que guarda os ossos frescos do monstro do lago e o mistério do Piper Maru. Ainda permaneço sem dormir, temendo o assassino imortal e os adoradores das trevas que me perseguem no escuro. Sempre vivo por um fio à procura da trindade e do vidente que me revelará o elo de ligação para uma vida menos confusa. As lembranças finais confirmam que a maior das mentiras quase nos levou a uma loucura coletiva, fazendo-nos acreditar numa visão interior que nos resgataria do feitiço e do jogo de gato e rato que transformou nossa cidade em um sanatório da morte. Tão grotesco quanto uma guerra das baratas é o homem do câncer ao tentar esquecer sua dor e medo. Pobre homem desprezado e sanguinário que constantemente faz orações para um morto enquanto o mundo gira e ele nem consegue perceber que começa também a morrer. Meditações sobre um canceroso, às vezes, ainda tendo entendê-lo, talvez também possua a pedra da morte e, a terrível simetria que vejo nos meus olhos assustados seja a sincronia que mesmo inconsciente estabeleço com ele.
Um dia, ouvi uma história sobre
homens-mariposa, uma comunidade que existia graças a uma biotoxina que iludia o tempo fazendo com que eles continuassem vivendo no ciberespaço, e acreditassem ser tão reais quanto os japoneses que os projetaram. Tão triste quanto esse povo virtual é a menina Emily que acredita numa surpresa no natal trazida por um ser do espaço tímido demais para se aproximar e a libertar do cativeiro e do instigador que a faz permanecer imóvel à espera do dinheiro infernal. Firewalker, Aubrey, os calusari, Eva, teliko, roland, todos esses nomes desconhecidos me transformaram numa paciente X, aquela que acredita que Eugenes Tooms sempre volta a atacar, que sente terror no gelo, pensa viver numa missão em perigo, considera-se uma agente de dupla identidade perseguida por simpatizantes de caça à raposa e espera que o repouso final de Clyde Bruckman, aquele homem que viu a própria morte, possa fazê-la entender que o destino não pode ser manipulado como uma operação clip de papel. Os homenzinhos verdes ainda voltam ao mundo em preto e branco que construí, suspeitos incomuns do espaço sideral que criei em busca da verdade para o lar e o milagre que nunca existiram. Não restou mais nada, encarnação, assassino ou assassina, a maldição da múmia, o raio da morte, são apenas a fraude que tentei esconder para dá sentido a uma vida tão solitária quanto a viagem eterna de um navio fantasma e tão extinta quanto a tribo Anasazi, perdida em meio a segredos e superstições. A volta do além talvez ocorra. Um dia não acreditarei mais na existência de um vírus da morte, nem que o incendiário me perseguirá numa caçada sangrenta, também não ficarei à espera que o homem dos milagres venha me salvar da dor. Será o fim do jogo, o fim do passeio que iniciei a mais de cinco anos, o caminho da cura para a inquietação de quem espera que a morte vem do espaço. Nunca mais olharei para o céu buscando a ascensão para o fantástico, aceitarei a lista da morte que nos torna grampeados e rotulados para um futuro incerto. Nunca mais? Por que estou mentindo? Logo eu que sei o quanto é irresistível acreditar que a verdade está lá fora.