O ANJO
DA
MORTE


Por Helga Gonçalves Bamberg


Maryland
2:23 am
Andromeda street, 21

 A noite já corria alta na cidade de Maryland. Já passavam das 2 da madrugada, quando Eduard Carter, cientista do Centro de Biotecnologia BIOTECTAM, voltava para casa depois de mais umas daquelas chatas e demoradas reuniões de equipes.
 Nas ruas, não havia quase ninguém, apenas alguns mendigos e um casal de namorados saindo de um motel barato.
 Carter parou o carro na frente da sua casa, uma belíssima casa que pôde comprar com um salário generoso que recebe.
 Quando caminhava em direção a porta, sentiu uma rajada de vento, que o fez ficar paralisado por alguns segundos e resmungou:
 - Malditas corujas, já não bastam sujar as janelas da minha casa e ainda querem tirar meu escalpo!
 
 Subindo as escadas da casa, foi soltando a gravata e suspirando por uma quente e confortável cama. Passou no quarto da sua filha de 8 anos e percebeu como ela já estava crescida. Daqui a alguns anos, já estaria namorando e essa idéia o deixava nervoso, mas nada podia ser evitado.
 Chegando ao quarto, sua mulher já dormia, como um anjo, a beijou e se deitou na cama. Não podia pregar o olho, de tantas preocupações no trabalho. Ainda faltava um bom tempo para se aposentar, o emprego o estava sugando muito e ele dava pouca atenção a sua família, porém, ele recebia um ótimo salário e tinha muitas garantias.
Depois de alguns minutos, conseguiu pegar no sono, que foi interrompido por um barulho na porta que vai para varanda. Estava lá parado, um homem e nas costas dele, o que parecia ser um par de asas.
 Mal deu tempo dele gritar, já era tarde demais.
 
 

Sede do FBI – Washington – D.C.
8:46 am

 Scully caminhava pelos corredores do FBI, impecável como sempre. Chegou a sua nova sala – após o incêndio, classificado como criminoso, no porão, onde era localizado o sala dos Arquivos-x – ela e Mulder receberam uma nova sala. Agora era como Dana gostaria que fosse, arejada, limpa, organizada e até tinha uma própria mesa. Depois de 5 anos naquela bagunça, aquilo parecia ser o paraíso. Apesar de que Mulder já começara a colar algumas fotos de OVNIs na parede. A sala que fora concedida a eles era ótima.
 Mulder já estava lá, sentado à mesa, olhando atentamente alguns documentos, que demorou um pouco para perceber a entrada da sua parceira..
- Scully, temos que ir.
- Mas mal cheguei, Mulder! Pelo menos posso tomar café?
Ele nem esperou que ela terminasse a frase e já foi saindo da sala. – Está pronta?
- Onde estamos indo? – Scully pergunta já entrando no carro.
- Eu te explico no caminho.

- Um corpo foi achado, caído no quintal de uma casa. Caiu, de aproximadamente de uma altura de 10 metros. – Ele tira de uma pasta algumas fotos do local do crime. Tinha apenas um corpo, num imenso quintal gramado. Nada além disso.
- Alguma evidência de aparições de OVNIs?
- Não tenho certeza ainda.
- De onde ele caiu então? Não estou vendo nenhuma árvore ou poste.
- É por isso que estamos indo investigar esse caso.
 

Residência dos Carter
9:56 am

 Chovia muito quando Mulder e Scully chegaram na casa dos Carter. Fazia mais frio que o esperado, talvez o inverno chegasse mais cedo esse ano.
 Mulder toca a campainha e ficam esperando até que a porta se abra.
 - Senhora Carter? – pergunta Mulder. Era uma mulher nova, por volta dos 35 anos, mas aparentava ser muito mais velha do que era. Seus longos cabelos castanhos estavam desgrenhados e preso num coque, as olheiras estavam tão profundas que quase não se percebia seus olhos azuis. Parecia que a muito tempo não dormia.
 - Sim, quem são vocês? – sua voz saiu tão fraca, que quase foi inaudível.
 - FBI, Agente Especial Mulder e minha parceira Scully. – eles mostram suas credenciais e a Sra. Carter os convida a sentar na sala. Havia uma menina vendo tv, que se assustou com a entrada dos dois agentes.
 - Sarah, suba! – a menina obedeceu a sua mãe, subiu as escadas, e foi para seu quarto para continuar a ver seu desenho preferido. – O que vocês desejam aqui? Já dei meu depoimento para o delegado Gils.
 - Desculpe o incômodo Sra. Carter, mas tem alguns detalhes que ficaram meio obscuros. Se possível, gostaria que você nos contasse o que houve na noite da morte do seu marido.
 Ela assentiu com a cabeça e começou a contar:
 - Bem, Eduard estava trabalhando demais, desde o acidente...
 - Que acidente? – Dana interrompeu.
 - Então, a 3 meses atrás, houve uma grande explosão no laboratório de genética da BIOTECTAM. Felizmente meu marido e mais 3 colegas do laboratório sobreviveram, mas... – ela engoliu seco e continuou – um colega dele não. Paul Clark. Ele era amigo da família. Ele e a mulher dele são padrinhos de Sarah.
 Depois de uma pequena pausa, Mulder continuou: - Tem mais algum detalhe dessa explosão?
 - Que eu me lembre, não. Ed não quis me chatear mais ainda com detalhes. Mas depois do acidente, quase não o via mais. Ficava em intermináveis reuniões. Saía muito cedo pro trabalho e só voltava de madrugada. Não sei como ele aguentava.
 - Na noite da morte dele, você se lembra o que aconteceu? – pergunta Mulder.
 - Eu já estava dormindo quando ele chegou. Não me lembro qual foi a hora. Só me lembro dele ter me beijado, depois deitado. Quando eu abri meus olhos... não adianta, vocês me chamarão de louca.
 - Continue por favor. – falou Mulder
 - Não sei se poderia ser sonho ou não, mas tinha um anjo o levando, puxando-o pelos braços.
 - Você tem certeza disso? – pergunta Scully
 - Como já falei, não tenho como afirmar, apenas conto o que me lembro da noite.
 - Ok... podemos dar uma olhada no seu quintal? – perguntou Mulder
 Sra. Carter apontou a porta que dava saída pro quintal dos fundos e se retirou da sala.

 Os dois agentes chegam ao ponto onde o corpo foi encontrado e realmente não havia nenhum ponto de onde ele pudesse ter caído.
 - Tem alguma teoria Scully?
 - Ainda não pude analisar o corpo, mas pelo visto, alguém pode tê-lo empurrado pela varanda e puxou o corpo até aqui.
 - Mas qual seria o motivo do assassino trazer o corpo até o quintal dos fundos e não deixá-lo no mesmo local?
 Os dois pararam e ficaram olhando pro nada, pensando no motivo do assassinato, até que Mulder quebra o silêncio: - Algum plano para essa noite?
- Não, vou pro meu quarto pois estou acabada. Peraí, não.. você não quer que eu...
- Você está cada vez melhor com adivinhação, hein?

Mais irritada do que nunca, Dana pega um taxi e vai até o IML. O que ela menos queria era fazer uma autopsia. A imagem de uma cama confortável e quentinha não saia da sua cabeça.

IML de Maryland
23:10

 Scully chega a sala de autópsia do IML, onde o corpo do cientista Eduard Carter esperava para ser liberado. Ela tira o lençol branco que cobria o corpo e começa a análise ligando o gravador.
 - Eduard Carter, 34 anos, 1,90 de altura, peso aproximado: 95 Kg. Aparente causa da morte: fratura no pescoço e traumatismo craniano. Morte instantânea, causada por uma queda, de aproximadamente, 10 metros. – Dana começa a tirar algumas fotos da região do pescoço e da cabeça.
Enquanto observava o resto do corpo, percebeu uns hematomas em ambos os braços. – Presença de 5 hematomas longínquos em ambos os braços, se assemelhando a dedos humanos. – tirou mais fotos do local a fim de analisar as digitais. Estava satisfeita de saber que sua teoria estava certa.
 

Motel Happy Maryland
03:45 am

 Encontrando-se mais tarde com o Mulder, no quarto 19, logo após a autopsia, Dana começa a contar o que descobriu.
 - A causa da morte foi realmente provocada por queda. Essas são algumas fotos que tirei do braço de Carter.
 Mulder olha atentamente as fotos: - Isso se parecem com digitais. Você já mandou analisá-las?
 - O resultado chega amanhã pela manhã. As digitais não estão muito claras pois o corpo de Carter já estava entrando em estado de decomposição. Não tenho certeza se teremos algum resultado.
 - De qualquer jeito, ainda não estou convencido de que ele tenha sido empurrado da varanda da sua casa.
 - Mulder, não acredito que você ainda pensa que a estória de anjo é verdadeira?

 Mulder ficou mudo, de nada ia adiantar uma discussão. Ficaram sem se falar um tempo. Scully foi para o seu quarto dormir. Nenhum dos dois conseguiu pregar o olho, tentando achar alguma resolução para o caso.
 

Residência da Dra. Erica Goldsmith
1493, Irontrees Avenue - Detroit
22:40

 Erica Goldsmith estava a caminho de casa. Já eram quase 11 da noite e nevava um pouco quando estacionou seu carro na garagem de sua casa. Tinha até voltado cedo da BIOTECTAM, comparado com os outros dias, que chegava perto do sol raiar.
 Era uma bela casa de dois andares, muito grande para quem morava sozinha. Antes ela era casa e tinha duas filhas. A partir do momento que a BIOTECTAM começou a tomar todo o seu tempo, a alguns anos, seu marido começou a ficar chateado com essa idéia e pediu divórcio. A guarda das filhas foi deixada com o pai, por ordem da justiça. Os três se mudaram para Chicago e ela só via as filhas em feriados e férias escolares.
 Ela entrou em casa e ligou o sistema de alarme. As chaves foram jogadas numa mesa na entrada, e derrubou um dos porta retratos. Ela se abaixou para pegá-lo e era uma foto dela com suas duas filhas. A foto era meio antiga, mais ou menos uns 3 anos atrás, quando ainda moravam juntas.
 Arrumou o porta retrato e subiu para o seu quarto. No som, escolheu um dos seus muitos CDs do Barry White, cantor que amava, pôs para tocar e foi tomar um banho.
 Ela tinha um pastor alemão, que ficava no quintal. Naquela noite ele esta inquieto, latia sem parar em todas as direções. Erica só percebeu quando abaixou um pouco o volume do som e desceu até a cozinha para averiguar o que estava acontecendo.
 Olhando por uma das janelas da cozinha, ela não conseguia ver nada de anormal no quintal. Nas mãos ela segurava um bastão de baseball que o marido lhe dera de presente, quando eles ainda namoravam.
 Fixando os olhos nos movimentos do cão, ela percebe que ele parou num dos cantos do quintal. Ela toma coragem, aperta bem o bastão entre as suas mãos e sai pela porta da cozinha, caminhando lentamente para o tal canto.
 Suas mãos suavam frio e seu coração estava acelerado. O vento soprava forte, atrapalhando um pouco mais a sua visão, a neve já parara de cair.
 - Quem estiver aí, saia agora! Estou armada! – ela gritou na direção da moita, mas não houve resposta
 Ela pega o bastão e mexe um pouco entre as folhagens. Nenhuma resposta, nenhum sinal de vida. Ela começa a andar de costas, sem tirar os olhos da moita, quando ela começa a se mexer de novo.
 - Saia daí! – ela gritou de novo, não mais um grito de medo, mas de pavor. Seus olhos estavam vidrados.
 A moita se mexe cada vez mais, até que de lá sai um pequeno gato preto, apenas um gato.
 - Malditos gatos. Ufa! – respirou aliviada. Mesmo ainda tensa, ficou melhor descobrindo ser apenas um gato.
 Deu meia volta, mais calma e caminhou de volta para casa.
 - AAAAaaaa.....!!!! pouco tempo sobrou para ela gritar, só sentiu-se sendo suspensa. – Chegou a minha hora – ela pensou.

Motel Happy Maryland
06:34

Pela manhã Dana escuta alguém batendo a sua porta. Era Mulder, a chamando para tomar café.

 Os dois agentes sentam numa mesa perto do vidro que dá uma visão da estrada. A garçonete caminha na direção da mesa onde eles estavam sentados. Uma mulher com longos cabelos negros presos num grande coque no topo da cabeça, usando um batom vermelho e mascando chiclete com a boca aberta. Seu vestido branco e vermelho quadriculados, pareciam um toalha de pic-nic. Aquela cena era ridícula e Mulder fez um esforço tremendo para não rir da cara da mulher.
 - Bom dia! Meu nome é July, em que posso ajudar? – perguntou a garçonete com uma voz meio mole.
 - Gostaria de ovo com bacon e um suco de laranja e para ela um café forte.
 - Só um minuto. - A garçonete anotou o pedido e foi providenciar a comida.

 - Você pesquisou quem são os outros 3 cientistas envolvidos no acidente? – perguntou Dana.
 - Sim. Teremos quer fazer algumas visitinhas hoje. Esteja preparada. Primeiro vamos a casa da cientista Erica Goldsmith.
 Mal Mulder terminou a frase, foi interrompido pela garçonete trazendo o pedido deles.
 - Desculpe-me pela interrupção, mas vocês não viram o noticiário da manhã? Tinha uma repórter em frente à casa dessa tal de Erica. Pelo o que me lembro, ele foi assassinada nesta madrugada.
 
 Mulder e Scully nem hesitaram em levantar. Deixaram 10 dólares para pagar o café da manhã quem nem chegaram a tomar. Saíram feito um raio da lanchonete e foram direto para casa de Erica Goldsmith.

Residência da Dra. Goldsmith
08:47 am

 Várias viaturas da polícia estavam paradas ao redor da casa da Dra. Goldsmith. Havia um cordão de isolamento  que impedia a entrada de pessoas não autorizadas. Muitos repórteres estavam tentando obter alguma informação com vizinhos e policiais.
 - Agentes Mulder e Scully do FBI – Dana e Mulder mostram suas insígnias para o policial que estava cuidando do cordão de isolamento. O policial assentiu com a cabeça e eles passaram pelo cordão.

 Entrando na casa, havia vários policiais espalhados por todos os cômodos a procura de pistas. Até que veio um policial para falar com eles:
 - Vocês tem autorização para estarem aqui? – perguntou o policial com uma voz meio ríspida.
 - Somos do FBI. Sou o Agente Mulder e essa é a minha parceira Agente Scully. Poderíamos falar com o responsável pelo caso?
 - Sigam-me.

 - Delegado Gils esses dois são agentes do FBI, agente Moulder e Scaelly.
 - Mulder e Scully – corrigiu Dana.
 - Não sabia que o FBI estava envolvido no caso.
 - Nós fomos designados para ajudar a polícia neste caso. – mentiu Mulder          – Você poderia nos informar o que aconteceu?
 - O corpo foi achado na piscina hoje de manhã. Uma vizinha foi quem avisou. Talvez ela estivesse lá desde ontem a noite.
 - Morreu afogada? – perguntou Dana.
 - Acho Não – respondeu Mulder – A causa da morte teria sido afogamento, se não fosse isso. – Mulder apontou para uma estante no fundo do quarto. Era impressionante a capacidade de Mulder de enxergar os mínimos detalhes nas cenas dos crimes.
 Chegando lá, percebeu-se que ela fora muitas vezes campeã de natação. Eram inúmeros os troféus e medalhas, e também muitas fotos dos times de natação.
 - Pelo o que me parece ela era uma ótima nadadora, por isso acho difícil dela ter morrido afogada – disse Mulder à Scully.
 - Eu soube que era nadava desde adolescente e competia em tudo que era prova. – completou Gils – Nós achamos a porta da cozinha aberta, sem sinais de arrombamento. O alarme da casa estava ligado e havia um bastão de baseball caído perto da porta. Achamos que ela pode ter sido atacada enquanto procurava algo no quintal.

 Enquanto Mulder continuava a conversar com o detetive, Scully foi analisar o corpo.
 O corpo da Dra. Goldsmith já havia sido retirado da piscina, estava na beirada e havia um perito tirando algumas fotos do local do crime e do corpo.
 - Com licença – falou Scully pro perito – eu poderia dar uma olhada nas fotos?
 - Claro – respondeu o perito com um entusiasmo muito grande. Não era sempre que aparecia uma agente tão bonita quanto ela.
 Olhando cuidadosamente foto por foto, Dana não conseguiu achar nada demais. Resolveu olhar diretamente no corpo. Apanhou um par de luvas do bolso e retirou o plástico preto que o cobria.
 Seus olhos rastreavam o corpo nos mínimos detalhes. Não podia perder nada.
 Chegando aos braços, muito apagadas, ela percebeu algumas marcas escuras. Eram hematomas iguais aos encontrados no corpo de Eduard Carter.
 - Poderia tirar fotos disso, por favor?
 - Claro, seu pedido é uma ordem.
 Dana olha para ele meio desconfiada e resolve sair dali. Enquanto estava andando de volta à casa, seu celular toca.
 - Mulder, poderia vir aqui um momento? – ela entra no quarto onde estava antes, Mulder ainda discutia alguns detalhes com o detetive Gills. – Ligaram do laboratório e o resultado das análises indicam que as digitais pertencem a Paul Clark.
 Mulder abriu um sorriso de orelha a orelha a ouvir aquilo. Parecia uma criança que acabara de ganhar um doce bem grande.
 - Perai, você está sugerindo que Clark morreu, virou um anjinho de asas e está matando seus colegas de trabalho?
 - Nem eu poderia ter uma teoria melhor.
 

Instalações do Centro de Biotecnologia BIOTECTAM
13:21

 Enquanto Scully foi levar as fotos das marcas do corpo de Goldsmith, Mulder foi visitar a BIOTECTAM, para tentar conseguir obter mais informações sobre o acidente. Chegando lá, se depara a recepcionista.
 - Boa tarde. Bem vindo a BIOTECTAM. Em que posso lhe ajudar? – falou a recepcionista com um lindo sorriso amarelo.
 - Boa tarde – respondeu Mulder – gostaria de falar com a Dra. Petersen ou o Dra. Wettl.
 - No momento a equipe do Dra. Wettl está em reunião, e ela não pode ser interrompida. Dra. Petersen não trabalha mais aqui.
 - Sei... e eu poderia dar uma olhada nas instalações?
 - No momento, não. Vai ter uma excursão com o guia, mas ele está em horário de almoço. Volte daqui a uma hora que a excursão começará.

 Mulder saiu do prédio e foi parar em um pub que tinha na mesma rua. Sentou-se no balcão, e pediu um chocolate quente. O barman até riu da cara de Mulder. O que um homem daquela idade estaria pedindo um chocolate quente num bar? Mas Mulder não costumava beber durante o serviço, principalmente em um caso como este. E também lá fora estava um frio enorme.
Enquanto se deliciava com seu chocolate, havia um olhar na sua direção. Era uma loira sentada também no balcão que tentava de tudo que era maneira chamar a atenção de Mulder. Jogava os cabelos de um lado para o outro, cruzava as pernas, subia o seu mini vestido preto mostrando mais as suas pernas. Só que a mente de Mulder estava em outro planeta, viajando nos detalhes do caso, vendo se não faltava alguma coisa, tentando montar o quebra-cabeças. Até que a loira desistiu e foi tentar flertar outro homem sentado numa outra mesa do pub.

Washington – D.C.
Laboratório de Análises – sede do FBI
13:45

 Scully estava sentada num dos bancos dos enormes corredores do Prédio, esperando pelo resultado da análise das fotos das digitais encontradas nos braços da Dra. Goldsmith. Apesar de quase ter certeza de que as digitais pertencessem ao Dr. Clark, ela queria ter a comprovação do laboratório.

 - Agente Scully? – uma das cientistas abriu a porta do laboratório com alguns papéis na mão.
 - Sim? – Dana já estava quase dormindo quando a cientista apareceu.
 - O resultado da análise das digitais indicam que pertencem a Paul Clark.
 - Ok. Obrigada. – era tudo que Dana precisa ouvir.
 - Olha, mas antes de você ir, quero que você saiba que eu conhecia o Prof. Clark na faculdade de Medicina. Ele dava aulas de genética. Uma pessoa tão boa, não pode ser possível que ele tenha matado alguém.
 - Não temos provas conclusivas ainda, estamos trabalhando para descobrirmos o assassino – Dana falou com uma voz doce, tentando acalmar a cientista. Nem quis avisá-la da morte do seu professor, pois não tinha tempo para consolar ninguém.
 

Instalações do Centro de Biotecnologia da BIOTECTAM
14:20

 Mulder já voltara do pub, agora de barriga cheia e aquecido, era tudo que precisava. Ele entrou no meio do grupo de visitantes. Já ia começar a tal excursão.
 O guia chegou e o grupo começou a andar. Deveriam ter mais ou menos umas 20 pessoas, sendo umas 15 crianças. Mulder parecia pai de todos.
 Enquanto andavam pelos corredores do centro, o guia contava a história da BIOTECTAM, as pesquisas etc, mas Mulder estava interessado em saber onde havia sido o acidente.
 Depois de 30 minutos de excursão, Mulder vê uma placa com a seguinte inscrição: “Laboratórios de Genética – Equipe Dra. Petersen”. Bingo! Era exatamente ai onde ele queria ir, mas para esse corredor, o guia não foi, tomando a direção contrária.
 Num momento de distração do guia, Mulder se separa do grupo e vai para o tal corredor.
 Foi testando porta a porta, mas todas estavam trancadas. Chegando mais ao fim do corredor, Mulder encontra uma porta chamuscada e a abre.
 - O que o senhor deseja? – uma voz feminina ecoou atrás de Mulder.
 - É.... eu estava procurando o banheiro, me perdi do meu grupo da excursão. Pensei que eles tivessem vindo para cá. – Mulder reparada no crachá da mulher – Dra. Wettl.
 - Você está num lugar proibido, essa é uma área restrita. Seu grupo deve ter ido naquela direção – ela aponta para o lugar de onde ele tinha vindo.
 - Ah ta.. obrigado.... O que houve neste laboratório, a porta esta meio queimada Posso perguntar? – pergunta Mulder com a maior ingenuidade.
 - O faxineiro estava fumando e o ele jogou o cigarro aceso no lixo. Foi só um princípio de incêndio. Nada que possa te preocupar.
 - Agora estou mais tranquilo – Mulder se despede da Dra. e volta pro grupo de excursão.
 

Sede do FBI
Washington

 Scully chega ao seu escritório no FBI, e, logo que entra na sua sala, o telefone toca. Era Mulder. Ele contou o que havia acontecido na BIOTECTAM e ficou feliz de saber o resultado na análise das digitais.
 Logo após ela desligar o telefone, tocou novamente:
- Agente Scully?
- Sim?
- O Diretor Skinner que vê-la – era a secretária do Skinner do outro lado da linha

- Pode entrar Ag. Scully – falou Skinner com uma voz séria
- O que o senhor deseja?
- Soube que vocês estão envolvidos em uma investigação não autorizada. Por causa de vocês fui chamado atenção pelo meu superior
- Apenas estamos auxiliando a Polícia local com uns assassinatos
- Vocês não estão aqui para ficar ajudando. Apenas investigarão casos para os quais foram designados – falou Skinner com raiva
- Só isso? – Dana perguntou já impaciente com o sermão
- É, só, mas saiba que se, novamente eu souber que continuam com essas investigações, você e Mulder serão punidos.

Dana sai da sala, mais irritada do que nunca – Logo agora que estávamos tão perto da verdade. Não será ele quem nos parará agora. Pensou Scully enquanto andava pelo corredor na direção da sua sala

- Satisfeito agora? – Skinner fala com um vulto no canto da sua sala que acende um Morley e dá uma tragada. - Já trabalhei para você uma vez e tinha prometido para mim mesmo que não iria fazer isso nunca mais.
- Nunca é muito tempo, Diretor Skinner. O mundo dá voltas e agora você me deve sua manutenção como Diretor Assistente do FBI. Se não fosse eu, estaria nas filas de emprego de alguma empresinha ou coisa parecida.

Após tantos transtornos que Mulder e Scully fizeram no ano anterior, como a culpa da explosão de um prédio em Dallas, o sumiço dos agentes quando foram requisitados para auditorias e muitos outros desacatos anteriores,  os superiores de Skinner queriam tirá-lo do cargo pois não conseguia manter os seus agentes na “linha”, mas eles “resolveram” dar uma chance a Skinner.
- Se tudo sair como programado, esse será seu último favorzinho por agora. – Canceroso apagou o cigarro em um cinzeiro na mesa do Skinner e saiu da sala.
 

- Oi meninos! – Mulder cumprimenta os Pistoleiros Solitário quando chega a casa deles. Se pode se chamar aquilo de casa.
- E aí, agente Mulder? Como vai de vida? – perguntou Langely
- E Scully? Gostosa como sempre? – perguntou Frohike
Mulder olha para ele com uma cara de desaprovação do que ele acabara de falar. Podia-se sentir uma pontinha de ciúmes.
O papo foi cortado por aí. Mulder não estava interessado, no momento, o quanto gostosa a sua parceira estava. Apenas queria obter informações de que tipo de experiências Paul Clark estava envolvido
- O trabalho que trago para vocês hoje é fácil. Quero obter acesso as pesquisas de um cientista da BIOTECTAM.
- Ôba! – os três homens comemoraram, adoravam desafios. Languely começou a mexer no computador e aos poucos, foram conseguindo se infiltrar no sistema da BIOTECTAM.
- Consegui! – gritou Bayers quando, finalmente conseguiu entrar – Temos aqui a relação dos cientistas do centro.

Mulder olha atentamente para o monitor do computador. – Procure por Paul Clark, ainda deve estar aí.
- Aqui, achei.
Uma foto dele apareceu. Parecia ser meio antigo para quem tinha 37 anos quando morreu. Havia um histórico sobre ele: formou-se em Medicina em Oxford e fez Pós-Graduação em Engenharia Genética na mesma faculdade. Logo após o término da pós, foi contratado pela BIOTECTAM. Não era casado. Talvez por tanto amor pela sua empresa, esquece-se que tinha vida própria.
- Vai nesta parte – Pesquisas – apontou Mulder
Quando a tela abriu, Mulder deu aquele sorriso. Pediu para que imprimissem esse material. – Scully vai adorar isso!
 

 Mulder foi para o seu apartamento e lá encontrou Scully alimentando seus peixes.
 - Caso não saiba Mulder, animais morrem se não forem alimentados!
 - Sério? Pensei que eles saíssem para comer fora quando eu fosse trabalhar.
 Eles trocaram um sorriso e logo depois Mulder chama Scully para sentar ao sofá.
 - Olha o que eu consegui – Mulder entrega uma pasta contendo o material conseguido no sistema da BIOTECTAM
 - O que é isso Mulder? Onde conseguiu?
 - A, antes que eu me esqueça, Frohike mandou lembranças.
 - Entendi, manda um beijo para ele da próxima vez. – Scully começa a analisar os papéis. Aos poucos sua expressão facial vai mudando... a cada página que ela olha – Mulder, isso é impossível. Mais parece um circo de horrores!!!
 Nos papéis mostrados à ela, havia fotos de porcos com chifres, gatos com duas patas de galinhas além das 4 que ele tinha, galinhas com brônquios que viviam debaixo d’água e macacos com asas de pássaros.
 - Viu, Scully? Minha teoria estava certa!!! Paul Clark não morreu na explosão, seu corpo nem se quer foi achado. De alguma maneira, ele próprio foi afetado pela sua experiência e está se vingando dos seus colegas.
 - Mulder!! Acorda!! Esse tipo de experiência requer anos de estudos e trabalho. Você acha que, com apenas uma explosão, ele criou asas e está voando pela cidade?
 - Isso!! Finalmente você me entendeu!
 Não havia jeito de Dana Scully ver o que estava diante dos seus olhos. Não adiantava mais uma discussão. O tempo era curto. Clark ainda estava sumido. Ainda sobravam duas cientistas. Onde elas estariam?
 Eles escutam um barulho de passos perto da porta e um envelope e passado por baixo desta. Os dois agentes saem correndo, abrem a porta, mas não há ninguém no corredor. Apenas a porta do elevador se fechando. Mulder abaixa, pega o envelope que contem um bilhete escrito:
 “Procurar Dra. Petersen. Rehgallag Street, 15. Colônia Alemã. Estado de Georgia”
 O bilhete não dizia mais nada.
 Scully foi até a janela do apartamento de Mulder e vê Skinner atravessando a rua.

 Eles pegam o primeiro vôo para Georgia. Mas antes pegaram a ficha da Dra. Petersen com os Pistoleiros Solitários. Lá dizia que desde o acidente ela havia sido afastada do seu emprego por indicação do psicólogo, que falou que Alexandra Petersen não estava capacitada de exercer suas funções por stress emocional.

Residência dos Petersen
15, Rehgallag Street
15:34

 Mulder e Scully pararam o carro que alugaram em frente à casa da Dr. Petersen. Era uma bonita casa de 2 andares, construída nos padrões alemãs. A impressão que eles tinham é que estavam realmente na Alemanha.
 Scully bate na porta e os dois agentes esperam até que uma senhora alta, de cabelos loiros presos num coque atende a porta.
 -Guten Tag. Kann ich Ihnen helfen ? – Falou a senhora em alemão.
-Guten Tag. Wir sind Agente vom FBI. Sprechen Sie English ? – Scully teve que relembrar o pouco do alemão que aprendera a falar no colegial. E mostra sua credencial.
- Falo um pouco. Podem ir entrando. – a senhora falou com um inglês meio arranhado.
- Gostaríamos de falar com a Dra. Alexandra Petersen. Ela se encontra em casa? – perguntou Mulder.
- Só um minuto que vou chamá-la. Vocês aceitam uma xícara de chá?
Eles assentiram com a cabeça e sentaram-se no sofá, enquanto a senhora fora chamar a Dra. Petersen.
- Alex, du hast Besuch. – senhora chama a Dra. Petersen da beira da escada que dava pro hall da casa.
- Ich komme sofort, mutter!

Mulder e Scully esperam um pouco na sala de estar, quando um mulher alta, com cabelos loiros a altura dos ombros, muito parecida com a mãe surge do hall. - Hallo, wer sind Sie ? – perguntou Alexandra.
- Federal Agente Scully. Und mein Partner, Mulder. Können wir auf English sprechen ? – falou Scully.
- Claro, não esperava visitas por aqui, ainda mais agentes federais. – Alexandra acenou para que se sentassem. Sua mãe trouxe chá e alguns biscoitos que nem foram tocados. – O que vocês querem de mim?
- Nós estamos investigando alguns assassinatos na empresa onde você trabalhou, a BIOTECTEM.
- Sei... ouvi alguma coisa no noticiário. Nem pude sair daqui para os funerais pois estou no meio de um tratamento. Dra. Wettl ainda vai bem?
- Pelo o que temos conhecimento, sim. Mas ela corre risco de vida, se não encontrarmos o assassino logo – falou Scully.
- Já tem alguma pista de quem é o assassino?
- Esperávamos que você pudesse nos ajudar com isso – respondeu Mulder – Todas as pistas levam na direção de Paul Clark, mas ele está supostamente morto.
- Como você falou, supostamente. Preciso dizer isso antes que mais alguém se machuque. Vou ver se consigo explicar para vocês. Nós estávamos pesquisando sobre mudanças na sequência do DNA de alguns seres vivos para a produção de órgãos e membros com finalidade de transplante. Conseguimos produzir algumas características específicas de uma espécie para outra, em animais já adultos.
- Mas como vocês manipulavam o código genético em animais adultos? – perguntou Scully.
- Em um animal adulto, algumas partes do DNA ficam inativas, dependendo de qual área que ele age. Por exemplo, as células responsáveis pela cor dos seus cabelos são ativos somente nessa parte do DNA,  o resto todo fica inativo. Enquanto, por exemplo, as células do resto do seu corpo estará inativa para essa característica. Então só haverá cabelos onde eles devem estar, com a devida coloração. Isso faz com que o seu corpo seja como deve ser. O que fizemos foi pegar uma célula especial no corpo dos animais presente na medula óssea vermelha, muito difícil de ser encontrada, a Big Mother. Ela é muito especial por apresentar todo o seu DNA pré-ativo, apenas precisando de um estímulo elétrico para que fiquem ativos. Nós conseguimos isolar essa célula de alguns animais e começamos a mexer com algumas de suas sequências, introduzindo de outras espécies e a colocamos de volta no corpo do animal originário. Como essa célula é tipo uma célula mãe e suas células filhas serão sempre iguais. Dentro de algumas semanas, dependendo da característica mudada, os animais começarão a apresentar as características.
- E o que aconteceu com o Dr. Clark? – perguntou Scully.
- Então, a algum tempo atrás, ele descobriu que tinha uma doença degenerativa na bexiga, a doença de Wallvisky. Suas células estavam aos poucos morrendo e dentro de alguns meses ele não sobreviveria mais. Ele começou a trabalhar sem parar para tentar achar a sua célula Big Mother. Eu e o resto da equipe fomos contra pois essa experiência nunca havia sido realizada em humanos e seu risco era muito grande, não conseguiríamos prever os resultados. Mas ele insistiu que daria certo.
- Não há possibilidades de transplantes? – perguntou Mulder.
- Não – Scully começa a explicar – A doença de Wallvisky impede os transplantes já que, mesmo com a bexiga nova, transplantada, a doença reaparece. Dra. Alexandra, a experiência do Dr. Clark deu certo?
- Depois de três meses de procura, ele conseguiu isolar a sua Big Mother, e ele começou a trabalhar para a modificação do DNA. Seu objetivo era a produção de uma nova bexiga. Sua esperança era que essa nova bexiga não fosse atacada pela doença. Por mais que tentássemos impedir que ele fizesse isso, não havia maneira de tirar essa idéia da cabeça dele. Até que resolvemos ajudar, já que ele não tinha mais condições de trabalho. Depois de duas semanas conseguimos atingir o nosso resultado e injetamos a célula nele. Ele ficou em quarentena no laboratório. Depois de 4 semanas o resultado apareceu, novas células saudáveis começaram a substituir as doentes. Um mês e meio depois uma calcificação em sua clavícula começou a aparecer. Por mais que fizéssemos, não conseguimos reverter esta calcificação que cada vez crescia mais, até que rompeu a sua pele. A cicatrização do local foi incrivelmente rápida. Em alguns minutos não havia mais nenhuma cicatriz. Depois de mais alguns meses, começamos a realmente perceber o que estava crescendo. Eram asas!!!
- Asas !?! – perguntou Scully espantada.
- Sim, mais especificamente asas de águia americana. Tivemos que deixar o Dr. Clark preso no laboratório, pois ele suspeitava que um do nós tivéssemos inserido esse DNA para prejudicá-lo. Em uma das noites que estávamos trabalhando na cura de Clark, houve uma pane nos aparelhos. Não tivemos tempo de soltá-lo. Uma grande explosão sucedeu e a sala onde ele estava foi totalmente destruída.
- O corpo dele não foi achado no laboratório? – Perguntou Mulder.
- Foi encontrado um corpo, sim – explica Alexandra – mas, com certeza, não era dele, pois as “asas” não foram encontradas. Tivemos que dizer que era dele, pois ninguém acreditaria em um homem alada voando por aí.
- Ele pode realmente voar? – Perguntou Scully
- Isso eu não posso responder. Talvez sim, pois as asas são bastante fortes e proporcionais ao seu tamanho.
- Obrigado pela ajuda Dra. Petersen. Tentaremos resolver esse caso.
- De nada. Por favor, dêem notícias.
- Pode deixar – respondeu Scully.

 Os dois agentes retornam para Maryland, pois Dra. Wettl corria perigo.
 

Residência Dra. Wettl
Bluestars Avenue, 1226, apto. 522
Maryland

 Daniela Wettl chegou ao prédio onde morava. Era realmente um prédio modesto, ela recebia um ótimo salário pela BIOTECTAM. Também, já faziam 7 anos que ela saíra de Harvard direto para lá. Desde o momento que ela começou a se destacar na faculdade, no curso de medicina, a empresa deu bolsas de estudos para ela e estágio remunerado.
 Era cedo ainda, resolvera jantar em casa, ao invés de mais uma noite num fast-food, mas antes, foi tomar um banho de banheira. Ela encheu a banheira com uma água bem quente e misturou alguns sais. Um cheirinho de calêndula começou a se espalhar pelo banheiro. Ela mergulha na banheira e põe o walkman. Apesar de não entender nada de português, ela adorava uma fita que ganhara de um ex-namorado carioca da Marisa Monte.

 Mulder e Scully já estavam a caminho da casa de Wettl. Essa poderia ser a última chance para desvendar o caso.

 A janela do apartamento de Daniela começou a se abrir pelo lado de fora. Era o 5o andar e não havia escada de incêndio. Uma figura humana surgiu pela janela. Era Paul Clark com as asas. Ele foi caminhando vagarosamente pelo apartamento procurando pela sua própria vítima, Dra. Wettl. Olhou a sala, cozinha, escritório e nada. Finalmente chegou a suíte. Uma meia luz vinha da porta do banheiro. Ele abre a porta do banheiro e encontra Daniela quase dormindo.
 - Parado onde está! – gritou Mulder que chegava correndo no quarto. – Parado ou eu atiro, Paul Clark!

 Podia-se perceber a cara de espanto de Paul, principalmente por saberem seu nome. Num piscar de olhos Paul atravessa o quarto. Scully dispara três tiros que atingiram Paul nas asas que começaram a sangrar.
 Sem se importar com isso, ele se joga pela janela. Mulder e Scully instantaneamente para a janela e vê o corpo de Paul na calçada.
 - Um anjo caído – diz Mulder.
 Dra. Wettl saí do banheiro enrolada no roupão – o que está acontecendo? Quem são vocês? – começa a falar desesperada sem saber o que estava acontecendo. – Peraí, eu te conheço, você é aquele homem perdido na BIOTECTAM!!! - falou Dr. Wettl se referindo a Mulder.
 Mulder e Scully saem correndo do prédio para saber se Paul ainda estava vivo. Chegando lá embaixo, o rosto do Mulder muda radicalmente de expressão.
 - Scully, onde está o corpo? – pergunta Mulder, desesperado por não ver o corpo. - Ele não está aqui, deveria estar aqui...
 Sem que os dois agentes percebam, um camburão preto sem placa dobra a esquina.
 Scully caminha de volta ao apartamento, tinha que dar satisfações a Dra. Wettl. Pisa num cotoco de cigarro, sem que note,  e segue em frente.

 Já no caminho de casa, Mulder e Scully conversam no carro.
 - Mulder, foi impressão minha ou a possível asa de Clark sangrou quando eu disparei?
 - Eram verdadeiras Scully, eram verdadeiras. Estávamos tão perto... Por que quase nunca conseguimos chegar até o fim? – lamentou Mulder.
 - Calma, ele terá que aparecer um dia. Corpos não somem assim, do nada.

 Naquela noite não houve mais conversa, cada um tomou o caminho de sua casa, com o seus próprios pensamento. Era somente mais um caso, mais um caso arquivado nos arquivos-x.
 

Local desconhecido
14:06
alguns meses depois

 Canceroso entra numa sala, acende um cigarro e de um vidro observa o laboratório. Haviam várias aparelhagens médicas, computadores. Vários médicos rodeavam um corpo. Era Paul Clark! Estava morto, uma autópsia estava sendo realizada.
 Em um outro laboratório, que também dava visão pelo vidro, encontrava-se várias gaiolas contendo animais de diferentes espécies, como gatos, cães, porcos, galinhas, todos com anomalias parecidas com as vista por Mulder e Scully nos documentos da BIOTECTAM.
 Um dos cientistas chama Canceroso para o laboratório. Ele apaga o cigarro e vai ver o que o cientista queria.
 - Muito bem! Vocês serão compensados por isso. Podem iniciar a produção em série.
 Todos os cientistas comemoram – Vamos abrir uma champanhe em comemoração – disse um deles.
 Eles saíram do laboratório, apenas ficando Canceroso. Pode-se ver o que causou tanta euforia: uma pequena criança, com aproximadamente 5 anos, com asas, iguais às de Paul Clark.
 - Muito bem filho, logo, logo sairá do seu ninho – Canceroso falou com a criança, acendeu um cigarro e foi comemorar com os cientistas.
 
 

 
 

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