Scully chegou ao prédios do FBI mais cedo do que o habitual. Sabia que com a confusão de casos dos últimos meses, estava desatualizada em seus relatórios pessoais e decidira que aquela seria a última oportunidade para os atualizar.
Quando o escritório ficava trancado por mais de dois dias, o cheiro de mofo era quase insuportável. Ela ficava imaginando porque Mulder tinha mania de guardar papeis que nunca usaria e se não tivesse tanta coisa para terminar, ela iria fazer uma devassa em todos aqueles papeis e jogaria a metade no lixo. Tinha certeza que ele não notaria, bem não tinha tanta certeza mas estava disposta a arriscar.
Scully deixou o casaco sobre a porta e foi até um pequeno aquário, no canto do da sala ver se os peixes ainda estavam vivos. Mulder os levara para lá a cerca de cinco semanas , quando decidira pintar seu apartamento, a pintura já tinha acabado há dias e os peixes continuavam lá. Na Sexta feira antes de sair ela deu comida para os bichinhos, e ficou tentada a levá-los para casa, mas acabou desistindo, quando lembrou que o gato de seus vizinhos estavam fazendo constantes visitas ao seu terraço. Procurou pela ração para os alimentar, mas não achou então foi até a gaveta de Mulder e a abriu.
Lá dentro, junto com alguns pacotes de Semente de girassol ela encontrou o pequeno frasco com o alimento dos peixes. Quando fechou a gaveta percebeu um papel sobre a mesa, apoiado com um pequeno peso em formato de Disco Voador. Scully puxou o papel e começou a ler, se sentindo um pouco culpada de estar bisbilhotando.
Não se preocupe se eu não aparecer. Estou bem. Talvez eu vá ao Vinhedo da Marta e tenho certeza que não se importará em tomar conta de tudo para mim por dois ou três dias.
Scully sentou-se
na cadeira em frente a mesa de Mulder e ficou por alguns minutos observando
o bilhete.
Aquela viagem não estava em seus plano, principalmente em um momento onde o trabalho não dava trégua, já há algumas semanas vinha sonhado com Samantha, e no sonho ela estava vestida de branco, sentada na areia da praia, e construindo um castelo de areia. Ela dizia que precisava da ajuda de Mulder para acabar, antes que a onda viesse e o castelo fosse por terra. O sonho se repetia e Mulder corria em direção dela, mas a onda chegava primeiro e levava não só o Castelo, mas a própria Samantha.
Mulder pensou a princípio
em avisar Scully da sua partida, mas ela tinha saído na Sexta feira
esgotada e ele não quis que ela começasse o fim de semana,
sabendo que na semana seguinte todo o trabalho ficaria nas suas costas.
Ele se sentia muito seguro ao lado de Scully e agradecia por poder
contar com ela em horas como está em que todo o significado de seu
trabalho e de sua própria existência pareciam nada, diante
da súplica de sua irmã , por algo aparentemente simples,
uma brincadeira de criança, mas que mesmo assim, não havia
meios de ajudá-la.
Mulder vestia uma calça branca dobrada até o joelho e uma camisa também branca. Quando resolveu caminha até a praia onde ele e Samantha costumavam brincar, esperava encontrar um lugar lotado, cheio de famílias fazendo piquenique na areia, que não estaria muito quente, pois o vento fresco de fim de tarde já dava seu primeiros sinais.
Ao contrário
do que imaginava o lugar estava deserto e não havia nenhum sinal
de vida, a não ser alguns pelicanos que voavam rasteiros perto das
ondas. Mulder sentou no chão e ficou observando, lembrando como
ele e sua família freqüentemente iam aquele lugar.
A viagem de Mulder intrigara Scully, não que ela achasse que ele devesse lhe dar conta de todos os seus passos, mas um telefonema não custava nada e porque ir ao vinhedo da Marta era tão importante naqueles dias, já que sua mãe tinha acabado de visitá-lo em Washington.
Scully vasculhou um pouco mais a gaveta e achou uma pequena agenda. Abriu esta, ainda perseguida pela sensação de culpa e lá dentro, notou que o dia do aniversário de Samantha estava marcado com um círculo e era exatamente aquela a semana em que se estivesse presente entre eles estaria comemorando aniversário. De certa forma aquilo a tranqüilizou em relação a Mulder pois sabia que a viagem, não planejada, tinha um cunho emocional.
Scully resolveu esquecer os papeis um pouco de lado e decidiu que iria até o apartamento de Mulder ver se ele não tinha deixado mais algum recado ou se estava tudo em ordem. Desde que começaram a trabalhar junto ela se sentia a vontade para fazer isso e as vezes se sentia até na obrigação de cuidar um pouco dele, pois sabia que ele não ligava muito para um série pequenos detalhes. Detalhes que para qualquer ser humano normal era indispensável, como comprar comida e que certamente ele muitas vezes esquecia. Estava decidida a surpreendê-lo e talvez alegrá-lo um pouco, quando voltasse já que a semana iria ser de recordações muito intensas para ele.
Mulder continuava sentado na praia quando percebeu um vulto caminhando na areia, ainda distante de onde ele estava. A medida que o vulto se aproximava Mulder podia notar detalhes da fisionomia da pessoa. O homem vestia roupas largas, uma calça também como a de Mulder, dobrada até o joelho e uma camisa larga e aberta que voava com a força do vento. Mas ao contrário de Mulder ele estava todo de negro e parecia segurar algo que ainda não era possível identificar. O homem não olhava para os lado e caminhava sempre reto e Mulder achou que sua direção mudaria quando percebesse sua presença ali, mas o homem se mantinha na mesma direção, sempre em frente. Mulder não se conteve e levantou de solavanco ao reconhecer o rosto que há pouco, era só uma imagem distorcida. Era o Canceroso e o que segurava na mão, era um cigarro.
Mulder pensou duas
vezes no que podia fazer e decidiu iria falar com ele. Não entendia
como ele podia estar ali e o porquê de sua presença. Sentia
cada vez mais raiva como se alguém invadisse seu refúgio
secreto e logo agora que sentia tanta necessidade de se encontrar
espiritualmente com sua irmã.
- Pare aí!
disse Mulder indo na direção do homem.
O homem pareceu não notar a presença de Mulder ou ao menos não se importar com ela, e continuou o caminho apenas dando uma tragada no cigarro.
- Como sabia deste
lugar? O que está fazendo aqui? quem o avisou que eu viria para
cá?- Mulder começou a se irritar com o total silêncio
do homem de negro a sua frente, que caminhava cada vez mais a passos largos.
- Não podia
saber .A única pessoa que eu contei foi para Scully e mesmo assim
ela só soube hoje de manhã. A menos.. ele pausou.
- Você entrou
na sala e leu o bilhete, não foi? continuava Mulder fazendo suposições.
Finalmente o homem esboçou alguma reação e olhou para Mulder, sem diminuir os paços de sua caminhada
- Você confia
na sua Parceira?
- O que?
- Perguntei se tem
total confiança nela?
- Claro que confio.
- Nunca te passou
pela cabeça que ela pudesse, esta ali infiltrada, fingido que te
ajuda mas na verdade está só te observando.
- Não Scully
nunca faria isso.
- Tem certeza?
- Claro que tenho
certeza. Nestes anos todos ela já me deu muitas provas de confiança.
Já salvou a minha vida milhares de vezes e se prejudicou inúmeras
outras em nome de uma busca que é mais minha do que dela , eu
até já disse isso a ela. Eu devo tudo a ela.
O homem olhou para frente e num gesto raro deu um sorriso.
- Do que esta rindo?
disse Mulder passando agora para frente do homem, mas ainda caminhando
de costas ao vento.
- Dos seus medos
Mulder. Estou rindo do seus Medos!
- Do que esta falando?
- Que você
sempre esconde seus sentimentos e isso me lembra alguém que na sua
idade fazia o mesmo. A única diferença é que você
não parece ter as ambições que esta pessoa tinha.
e toda timidez dela vinha desta eterna busca, mas não pelos seus
homenzinhos verdes e sim pelo poder.
- Droga! gritou
Mulder me dê uma resposta concreta.
- Olhe para frente
Mulder. Limitou-se a dizer o homem, dando mais uma tragada no cigarro.
Mulder afastou-se um pouco do caminho do homem e parou por um instante. O Canceroso continuou a caminhada rumo ao horizonte de areia, afastando mais e mais das casas que margeavam a praia.
Por que aquele velho repugnante, falava de Scully como se ela o tivesse traído? Ela nunca o trairia ele tinha certeza disto. E quem era este homem com quem ele o comparava? Todas esta perguntas ficaram no ar junto com o cheiro da brisa marinha que era mais e mais intenso. Mulder não cansaria e o seguiria aonde ele fosse na busca de respostas.
Scully decidiu passar primeiro no apartamento de Mulder antes de sair para comprar qualquer coisa, mesmo tendo se tranqüilizado com as anotações na agenda dele, referente ao aniversário da irmã, ainda não tirava do pensamento todo o absurdo que era aquela viagem. Subiu apressada as escadas do prédio de Mulder e colocou a chave na fechadura. Chegou a fazer o movimento de abrir a porta, mas se deteve por um instante. Parecia indecisa sobre a atitude que estava tomando.
Não tinha lhe passado pela cabeça até então, se ele gostaria e como ele reagiria a invasão de privacidade, em especial num momento como aquele, de tristes recordações. Lembrou de sua própria experiência , com Emily, de como ela tinha tido necessidade de ficar com a filha, mesmo sendo só um corpo inerte na cama do hospital.
Por mais que Mulder já fizesse parte de sua vida aquela era uma dor para ser vivida sozinha, não para ser compartilhada. Sabia que na vida, existiam certos momentos, mesmo os de alegria, que pertenciam a uma única pessoa e deviam ser vividos só por ela.
Scully trancou novamente a porta do apartamento e desceu as escadas rumo ao carro. Pensava que se Mulder chegasse em casa e visse uma espécie de banquete a sua espera , para lhe amainar a dor de tantos anos sem notícias concretas de sua irmã, se sentiria invadido. Se a ocasião fosse outra talvez isso fosse bem vindo mas não agora.
No caminho de volta ao FBI, algo de estranho começou a acontecer com Scully, ela não entendia, não podia identificar, mas uma força enorme que parecia vir de outra pessoa a sugestionava e tomava conta de suas atitudes fazendo tomar outra direção e ao invés de seguir rumo ao centro de Washington ela pegou uma rodovia de acesso ao litoral.
Mulder ficou parado por alguns minutos, só observando o Canceroso se distanciar e depois começou a segui-lo novamente. De repente o homem lá na frente parou.
-Olhe!- disse ele apontando para um pequeno moro
Mulder desviou o olhar devagar, preocupado que aquilo fosse uma tentativa do homem de desaparecer sem deixar rastros, mas pensou que não havia para onde correr então avistou no alto do monte uma Mulher vestida de negro, de pele muito branca e olhar distante. Era Scully parada em cima de uma pedra e olhando para o mar.
- Viu eu lhe falei
que ela estava do outro lado.
- Você é
um mentiroso, aquela lá não é Scully. Deve ser mais
um dos inúmeros clones que vem cruzando meu caminho o tempo
todo e tenho certeza que é você o responsável por isso.
Você a mandou aqui para me confundir.
- Me disseram que
você era desconfiado Mulder, mas acho que não me falaram o
quanto O homem se virou para Scully, que estava no alto e falou:
- Mostre para ele
o que você faz por mim.
A mulher no alto
da pedra vestida de negro, fez um sinal afirmativo com a cabeça
e sorriu levemente para o Canceroso. Ela começou a descer e foi
andando em direção ao mar.
A imagem era a da
própria Scully e Mulder sentiu-se tentado a chama-la, mas
se conteve. O canceroso então pegou na mão de Scully e a
conduziu para a beira da praia. Antes de solta-la ele ainda deu um beijo
em sua mão.
- Se não acredita que é ela, então deixe-a ir .
A mulher deixou a capa preta que a envolvia cair na beira da praia e trajando um vestido branco, começou a entrar no mar, caminhando a paços lentos, rumo ao fundo.
- Vai deixar que
ela morra?
- Nunca! disse
um Mulder perturbado e sem tirar o olhar da mulher, mas ainda imóvel.
Isso é uma farsa eu sei disto, Já lidei com pessoas assim
antes que manipulam a nossa cabeça, para acreditarmos que estamos
vendo o que não estamos.
- Não me
faça rir Mulder. Isto é real você a viu , pode
sentir o perfume dela, disse o canceroso cheirando a própria mão.
Scully estava agora só com o pescoço para fora da água e continuava, sem hesitação.
- Se não for até ela, nunca se perdoara por sua morte.
Mulder correu em direção a água e mergulhou. Neste instante Scully tinha sumido por completo, no mar azul e ele conseguia ver lá em baixo um corpo, imerso apesar de não respirar ela parecia calma e apenas o observava. Mulder achou que ela pudesse estar sobre hipnose.
Agarrando- a pela cintura ele a trouxe até a margem, ela tinha fechado os olhos e ele pensou que tinha sido tarde demais, então começou a fazer respiração boca a boca. Sem ter nenhuma resposta.
- Vamos Scully, não
faça isso comigo.
- Por Favor!
Mulder não notara mas o canceroso não estava mais lá, tinha continuado o caminho solitário pelas areias da praia.
- Scully fale comigo? Ele pressionava seu estômago, tentando reanimar a parceira.
De repente Scully
abriu os olhos e se levantou, rapidamente, como se nada tivesse acontecido.
- Você está
bem?
- Ela sorriu.
- Sempre tão
preocupado disse balançando a cabeça.
Mulder ficou feliz por ela esta sorrindo e levantou também indo a seu encontro para abraça-la. Quando envolveu seus braços sobre seu corpo, ela sumiu como numa mágica e sob seus pés se formou um monte de areia.
A casa do Vinhedo da Marta estava trancada e Scully bateu várias vezes na porta, sem obter nenhuma resposta. Tentou olhar pela janelas da frente, mas a escuridão era muito forte e era impossível ver qualquer coisa. No quintal do vizinho da Senhora Mulder um velho jardineiro, podava as pequenas árvores.
- Com licença,
Senhor disse Scully com a voz alta, tentando ser ouvida pelo homem, que
usava uma destas serras elétricas .
- Pois não
disse o velhinho depois de alguns segundos.
- Meu nome é
Dana Scully, sou agente federal, estou procurando pela Senhora Mulder.
Bati na casa e ninguém respondeu.
- Isso é
estranho disse o homem coçando o queixo.
- Tem idéia
de onde ela pode ser encontrada.
- Ah ! A Senhora
Mulder eu sei onde ela está.
- Sabe! Onde?
- Ela viajou com
um grupo de senhoras da Terceira idade, incluindo a senhora Carter
para quem eu trabalho.
- Sei, mas então
porque falou que era estranho ninguém ter respondido.
- É que o
filho dela chegou aí no Sábado, ele veio até aqui
me pedir a chave disse que queria descansar e desde que chegou ainda não
o vi. Achei que estava em casa
- Mulder está
aqui.
- Sim!
- O Senhor tem certeza
que ele não saiu?
- Tenho Senhora.
Passo o dia neste jardim a menos que tenha sido a noite, mas acho que o
carro dele esta lá atrás na garagem.
- Obrigada senhor
disse Scully saindo correndo em direção aos fundos da casa.
O carro de Mulder estava realmente estacionado e ela chegou perto do carro e notou que estava frio o que indicava que ele não tinha sido usado recentemente .
- Oh Meu Deus!
-
Scully chegou na
porta da cozinha e não pensou duas vezes meteu o sapato com bastante
força. As duas primeiras tentativas foram em vão, mas na
terceira ela colocou a porta a baixo.
Depois que a imagem de Scully sumiu como areia ele então virou-se para ver onde o Canceroso estava, neste instante percebeu uma outra pessoa na praia, sentada e fazendo um enorme castelo de areia. Era Samanta. Mulder notou que o canceroso se aproximava dela e então ele correu em sua direção.
- Samanta ! Samanta!
- gritava Mulder.
- Calma! Calma !
- Mulder eu estou aqui, você não está mais sozinho.
- Samanta disse
Mulder se levantando e vendo Scully na sua frente.
Scully tinha encontrado Mulder , sem camisas deitado, num sofá, num canto da sala. Estava visivelmente abalado e suava muito. Tinha chegado no Sábado a casa e parece que desde então, não tinha comido ou saído daquele canto da sala. Quando em meio ao delírio ele acordou e viu Scully ele não se conteve e a abraçou gentilmente.
- Esta tudo bem Mulder
eu estou aqui. O que aconteceu? você parece exausto. A quanto tempo
não come? disse Scully se levantando e indo em direção
a cortina de uma da janelas para deixar que o sol entrasse.
- Não por
favor, não abra!
- O que?
- Eu não
posso acordar agora Scully eu tenho que voltar lá e salvá-la.
- Do que está
falando Mulder. Salvar quem?
- Minha irmã.
Scully estava muito
preocupada e sentou-se novamente ao lado de Mulder , no sofá colocando
gentilmente a mão sobre sua cabeça, e dizendo em uma voz
muito baixa .
- Mulder isto aqui
não é um filme, que você pode voltar a fita, para um
momento que gostou. Isto é a vida real. Não é o Grand
Hotel e você não é Christopher River buscando respostas
em algum lugar do passado.
- Scully alguém
me perguntou se eu confiava em você. e eu respondi que sim você
é a única pessoa em que confio. Já te falei isso algumas
vezes e já te pedi outras. Posso ter errado em muitas ocasiões,
mas agora estou certo. Por favor acredite em mim mais uma vez?
Scully queria tirar Mulder o mais rápido possível daquele estado em que se encontrava, queria cuidar dele, e que ele comesse ou bebesse algo, mas por alguma razão achou melhor deixá-lo acreditar no que estava dizendo.
- Tá bem Mulder
mas eu vou ficar aqui com você. Deite-se no meu colo.
Ela se acomodou
no sofá e deitou a cabeça do parceiro em seu colo. Já
que ele iria continuar no seu delírio emocional queria ter certeza
de que ele estaria confortável. Scully estava exausta com todos
os acontecimentos e mesmo preocupada com Mulder, não conseguiu evitar
que o sono lhe pegasse e acabou adormecendo quando o sol se pôs.
- Scully ela ouviu
um sussurro em seu ouvido e sentiu que alguém afastava um fio de
cabelo que lhe tapava os olho.
- Afaste-se disse
ela - procurando a arma.
- Calma sou eu Mulder.
Sei que pareço um pouco um fantasma, mas juro que sou eu.
- Mulder. disse
Scully finalmente despertando. Você está bem?
- Sim muito melhor.
Obrigado
- Obrigado porque
Mulder? eu invadi sua privacidade, sei que estava muito ruim ontem a noite,
mas não sei se tinha o direito de me meter aqui em sua vida. Eu
vivo dizendo para mim mesmo que há momentos em que devemos estar
sós Scully não conseguia parar de falar, principalmente
porque via que Mulder estava muito melhor
- Não entende,
não é?
- O que?
- Eu não
teria conseguido, se você não estivesse aqui ontem a noite.
- Você conseguiu
voltar lá e salvá-la? Ela falava sem acreditar direito
nas palavras que saiam de sua boca.
-
Mulder balançou
a cabeça afirmativamente e sorriu. Venha vou te mostrar um coisa.
O Sol brilhava intensamente no Vinhedo da Marta, como a muito não fazia. Mulder pegou o carro e levou Scully até a praia, num lugar onde vários carros estavam estacionados.
- O que estamos fazendo
aqui Mulder?
- Quero te mostrar
uma coisa.
- O que é?
disse Scully ainda sem entender
- Olha!
-
Lá em baixo
na praia um grupo de crianças brincavam em um castelo enorme de
areia. Scully olhou assustada para um Mulder que sorria com o vento batendo
em sua face.
- Como sabia que
estaria aqui?
-
Ela conseguiu Scully.
Ela conseguiu