"O Natal Só Existe Para Quem Acredita Em Papai Noel"
Autor: Fábio Sabalo
24 de Dezembro de 1998
Washington D.C.
9:21 PM
No apartamento de número 21 na Hegal Place em Alexandria encontra-se o Agente Especial Fox Mulder que a cinco anos vem procurando respostas as suas perguntas. Em mais uma véspera de Natal, encontra-se confuso em seus pensamentos e mergulhado em sua depressão. Após um longo dia de trabalho no FBI ele parece querer passar o Natal sozinho tentando espantar a pior de suas lembranças, o rapto de sua irmã. Sentado no sofá, assistindo a mais um clássico natalino dos anos 60, Fox começa a ter novamente as lembranças de sua infância quando ainda tinha a sua irmã por perto, quando toca o telefone.
Ele levanta com total calma e vai em direção ao aparelho com um rosto desafiador:
- Fala !
- Mulder, sou eu !
- Ah, boa noite, Scully. Por favor me diga que você é a rena do nariz vermelho !
- O que foi Mulder ?
- Pode se dizer que o de sempre, conspirações, abduções alienígenas, o Natal, minhas lembranças ... Só não espero que o Papai Noel apareça e me de, de presente um novo poster.
- Mulder, entendo a sua dor, e também os seus sentimentos, mas você não gostaria de passar o Natal comigo? Bem ia passar com a minha família, mas não daria tempo de chegar até a base de Bill, tive alguns atrasos ...
- Tudo bem Scully, eu levo as nozes !
- Estou lhe esperando, Mulder.
Ao mesmo tempo em que Mulder conversava com Scully, muito próximo dali em um apartamento se encontrava o Canceroso, que o observava com um binóculo e o escutava através de um grampo telefônico. Ao desligar de Mulder ele acende um cigarro e uma lágrima escorre de seus olhos. Quinze minutos depois o fumante vê Mulder saindo de seu prédio rumo a casa de Scully, ele então resolve segui-lo.
Paranormal Activity – Government Denies Knowledge – The Truth Must Be Told
Georgetown
Washington D.C.
10:04 PM
Uma batida na porta ...
- Mulder que bom que veio !
- Segura Scully !
Neste momento ele joga o saco de nozes nos braços dela que abre um sorriso carinhoso enquanto ele entra.
- Achei que não viria.
- Por que achou isto, Scully ?
- Sua voz no telefone, você parecia estar triste, amargurado. Talvez queira conversar um pouco.
Ele se vira para ela e diz:
- Não sei se poderei viver sem os Arquivos X, durante todo esse tempo em que trabalhei com eles, acabaram se tornando uma parte de mim, e agora tudo parece estar acabado. Perdi minha irmã, meu pai, minha vontade de viver, agora só tenho a você, Scully.
- E sua mãe ?
- Talvez eu não quisesse desenterrar antigas lembranças com ela, ainda mais num dia como hoje, não as que tenho dentro de mim.
- Mulder, se me dá licença, acho que preciso tirar alguma coisa do forno antes que também vire um Arquivo X.
Scully então sai em direção a cozinha onde iria preparar a ceia de Natal. Enquanto isso Mulder se levanta e começa a olhar alguns discos antigos que estavam ao lado da televisão.
Ao fundo, Scully começa a ouvir uma música leve, natalina e pergunta:
- Quem está cantando Mulder ?
- Não sei, mas estou entrando no ritmo !
Ao som de "I Wish Everyday Could Be Like Christmas" Scully desponta na porta da cozinha e vê Mulder com leves movimentos nas mãos, ele então estende o seu braço esquerdo e a chama para dançar. Scully sem resistência se rende ao som e começa a dançar junto a ele.
- Sabe Mulder, as vezes quando penso em Melissa me imagino como você, pois perdemos nossas irmãs nossos pais, apesar de ainda termos nossas mães, as vezes fico pensando que talvez tudo isso tenha ocorrido pelos mesmos motivos.
Eles então sentam um ao lado do outro no sofá e Mulder diz:
- Scully venho já pensando a algum tempo, talvez o meu pai esteja vivo, tão vivo quanto a minha vontade de descobrir a verdade, acho até que ele está por trás de tudo, mas também não tenho certeza do que acredito.
Neste mesmo momento em um carro parado em frente ao prédio de Scully se podia ver ao longe uma pequena chama e segundos depois uma nuvem de fumaça que parecia aclamar pelas mentiras e pelas verdades, era o Canceroso que abre uma maleta e de dentro podia se ver claramente o que seria uma sofisticado aparelho de espionagem.
Desde de que Mulder e Scully começaram nos Arquivos X eles vem sofrendo ininterrupta vigilância tecnológica, o que facilitaria a sua escuta naquele momento.
- Do que ou de quem está falando, Mulder ?
- Do nosso amigo fumante. Estou falando do homem que a cinco anos vem dificultando os nossos serviços, do possível culpado de nossas desgraças. É ele Scully, tenho quase certeza de que ele teve algum envolvimento com o meu pai. Pelo que descobri durante todo esse tempo é que ele e meu pai talvez pudessem ter sido amigos. Até mesmo já pensei de que ele possa ser o meu pai.
Neste mesmo instante com um fone de ouvido podia se ver todo o passado nos olhos de um homem que um dia mudou a história dos Estados Unidos e possivelmente do mundo.
Parte 1 - "Era Uma Vez Uma Amizade ..."
Washington D.C.
24 de Dezembro de 1968
02:58 AM
- Mulder, acorda. Acorda Mulder !
- James ! O que foi ? O que faz aqui ? Como entrou ?
- Não estava me sentindo muito bem, precisava conversar com alguém.
- Bom ... são três horas da manhã, o que quer conversar ?
- Não sei, estava em casa, parecia que todas as minhas lembranças me torturavam, não estava aquentando mais.
A sua mão é levada direto ao bolso que retira um maço e um isqueiro. O olhar de culpa desponta direto para Bill Mulder que diz:
- Talvez seja o sentimento de culpa que está surgindo. Já faz algum tempo, mas não tem como esconder de si mesmo, você mudou a história deste país.
- Fiz o que achava que realmente era certo. Acho que agora é melhor cuidarmos de nossos interesses.
- Interesses ?
- Estou falando de seu ambicioso projeto, Bill.
- O que você quer falar sobre ele, o destino já foi traçado. Só precisamos esperar.
- Acho que não adianta mais resistirmos, o contato já foi feito.
- Do que está falando, James ?
- Do futuro. Do mundo ... da raça humana ... do nosso. Tomei a liberdade de negociar com eles e conseguir com que nos poupasse a vida.
- Não acredito. Não pode ter feito o que estou pensando. Não nas condições em que o projeto se encontra. Não poderia calcular os efeitos.
- Não importa já foi feito. Talvez fosse isso que estava me incomodando, queria que você soubesse as boas novas de mim.
Ele levanta sob o olhar amedrontado de Bill Mulder que também se levanta e o segue em direção e porta.
- Quem mais sabe sobre o assunto.
- Alguns militares. Amanhã estarei formando um grupo que irá conduzir os detalhes.
- Não tem idéia das conseqüências.
Uma pequena nuvem de fumaça desaparece, de costas virasse e joga o pequeno toco de cigarro no chão e diz:
- Mulder, não sei se sabe ... Mas eu sou as conseqüências e sou inevitável !
Ele sai, e ao som de pinheiros e do vento que assopra naquela véspera de Natal, Bill Mulder sussurra a si mesmo:
- Agora somos apenas um punhado de areia no meio do espaço.
Nova Iorque
Rua 46
12:04 PM
- Cavalheiros, devem se perguntar por que estão aqui, pois bem eu lhes darei a resposta. Como devem saber as regras foram dadas e agora temos que interagir. Foi por isso que os convoquei, por que acho que além do envolvimento de cada um com o projeto, sei que são os melhores.
Ao fundo uma voz parecia retrucar:
- O que quer dizer com isso ?
- Ronald, não é ? Este é o seu nome ?
- Sim.
- Pois bem, Ronald, resumirei a sua pergunta em uma resposta para todos. A data está marcada, eles virão. A colonização poderá impedir ou até mesmo acabar com o nosso progresso, por isso é muito importante o sigilo. Não podemos permitir que nenhuma pessoa além do grupo fique sabendo de nada. As conseqüências poderiam ser desastrosas.
Neste momento entra na sala Bill Mulder em posse de uma maleta e palavras na sua boca.
- Achei que você fosse a conseqüência ?
- Sim, eu sou, mas somente para os erros do passado. Alias você está atrasado.
- Realmente estou, mas acho que não perdi muita coisa, mesmo por que estou hoje me reintegrando ao Departamento de Defesa. Ou seja lhe declaro agora que os meus vínculos com você estão cortados. Não quero saber mais nada sobre o projeto que criei, nada mais sobre os malditos colonizadores, nada !
- Está se opondo, é isto que estou entendendo ?
- Entenda o que quiser. Só não quero estar fazendo parte disso quando for fazer compras e perceber que o vendedor tem "antenas e dedos compridos".
- Sabe que se sair não terá como retroceder os fatos.
- Já não me importa mais nada, como disse.
- Se pretende terminar assim alguns anos de amizade, fique a vontade. Vá em frente.
Bill Mulder se vira e caminha em direção a porta até que para e escuta as últimas falas do homem que aparentemente tinha o futuro do mundo nas mãos.
- Mulder !!! Quais foram mesmo as primeiras palavras de seu filho a algum tempo atrás... me deixe ver se me lembro... JFK ? Certifique-se para que ele não tenha o mesmo futuro.
Bill Mulder sai da sala perante a voz ameaçadora.
- Muito bem, alguém mais se opõem ?
- Talvez nós devêssemos matá-lo. Irá nos delatar !
- Strughold, um homem sozinho não pode resistir ao futuro. Eu quero que ele fique vivo para ver na prática o que criou e de certa maneira ajudou a realizar. Tudo o que temos a fazer é negar tudo e não confiar em mais ninguém. Acho que nem em nós mesmos.
Ele acende um cigarro que talvez seria a assinatura de um pacto com a morte e neste mesmo tempo vê-se um homem velho de rosto amargurado e marcado com histórias que mudaram gerações, isto já de volta ao presente depois de suas lembranças.
Georgetown
Washington D.C.
Data Presente
10:52 PM
- Scully, já pensou em que tudo o que você quis não era o que realmente você queria ?
Em posse de uma taça de vinho ela pega a garrafa e preenche a de Mulder com um olhar curioso.
- Por que a pergunta Mulder ?
- Por nada Scully, é que durante estes cinco anos em que trabalhamos juntos, eu vejo um vazio em seus olhos. É como se faltasse algo que a complementasse, algo que faltasse para você ser feliz.
- Talvez como um grande amor a ser correspondido ?
Mulder então olha diretamente para a garrafa de vinho com um sorriso inocente em seu rosto.
Parte 2 – "Tudo o Que eu Sempre Quis Era Querer."
25 de Dezembro de 1991
Washington D.C.
01:16 AM
Sentada a mesa em sua casa junto aos seus familiares, Dana Scully então direciona o seu olhar um a um na mesa.
- Mamãe, Papai, Melissa. Por que Bill e Charles não vieram ? Achei que passaríamos o Natal todos juntos.
Margaret Scully então olha e responde a filha:
- Querida seja compreensiva, tente entender. Bill está se empenhando muito para poder ingressar em um bom cargo na marinha e Charles está estudando muito.
- Mas ao ponto de nos abandonar em um dia tão importante. Mamãe hoje é Natal, não sei como pode aceitar a falta deles assim.
Concordando com o que a irmã dizia, Melissa Scully então resolve se manifestar.
- Dana tem razão mamãe. Pra que estudar, se empenhar e deixar a família em uma data tão importante como a de hoje. Por que conquistar sonhos que não poderemos levar para junto do túmulo. A nossa vida é aqui, não está em nenhum livro de geografia, história ou literatura. Esta bem, que temos que estudar para termos algum futuro próximo, mas não confundir o termo estudar com o de se sacrificar.
William Scully muito calmo observa a conversa e saboreia o delicioso jantar feito por suas filhas e sua esposa. Até que resolve se pronunciar.
- Dana, e o trabalho ? Como vai ?
- Vai bem papai, não tenho reclamações. Talvez por que faço o que gosto.
- Talvez por que você ache que gosta, mas ainda está em tempo de desistir. Você teria uma brilhante carreira na medicina não caçando assassinos seriais ou sonegadores do imposto de renda. Acho que deveria escutar o seu pai. Pelo menos uma vez.
- Por que tenta mudar a minha opinião ?
- Não estou tentando mudar nada, só acho que ser uma agente do FBI não lhe trará futuro algum.
- E o senhor acha que se eu sair do FBI e exercer qualquer outro tipo de profissão que ache convincente ira me tonar feliz, está errado ! O FBI me faz feliz, o meu trabalho me faz feliz e com todo o respeito, acho que o senhor não sabe o que realmente me faz feliz !
Ela sai da mesa em direção ao seu quarto onde senta no chão por trás da porta e começa a chorar desoladamente como se alguma coisa a mais a fizesse sofrer.
Acaba por adormecer e a sonhar ...
... Um lugar escuro ... sombrio ... frio !
- Agentes Federais ! Estamos armados !
Repentinamente uma porta é derrubada em meio a escuridão, um tiroteio acontece entre diversos agentes e um grupo que corre para o lado mais claro da vida. Ao fundo o único som que se pode ouvir é a de crianças gritando como se estivessem sendo levadas para o inferno. Um rosto aparece como se a fosse consumi-la com olhos vermelhos e uma nuvem de fumaça. Ela logo podia escutar ao fundo uma voz que ao longe sussurrava:
- ... Starbuck !!!
- ... Não Confie ... Em Ninguém !
- ... Mamãe !
E logo se depara com alguém deitado sobre ela em uma cama de hospital chorando descontroladamente no que parecia uma paixão proibida. Ela vê e sente uma grande confrontação de opiniões. De um lado a culpa por não realizar os desejos de seu pai e do outro o medo de realmente enfrentar os seus temores e as opiniões alheias.
- ... Dana ... Dana ! Abra a porta !
Ela acorda de repente e se levanta sem entender o que havia acontecido. Estava atordoada.
- Mãe, que horas são ?
- São 2:10 da manhã, Dana. Me desculpe pelo seu pai.
- Tudo bem mamãe. Ele tem os seus motivos. Acho que posso entende-lo
Margaret Scully então beija a testa da filha e sorri como um pedido de desculpas. Melissa Scully sem dizer alguma palavras repete o gesto com a irmã e lhe dá um abraço. Dana os acompanha até a porta de saída e vê seu pai dentro do carro.
Logo após irem embora, Dana fecha a porta de sua casa senta no seu sofá e começa a chorar desconsoladamente através da noite. Sua árvore de Natal balança ao vento no que parecia um sentimento de culpa por ter discutido com o seu pai na noite de Natal.
26 de Dezembro de 1991
Academia do FBI
Quântico, Virgínia
13:16 AM
Em uma sala de aula, a agente Dana Scully leciona para futuros agentes. Com um rosto desprovido de sorriso e no que parecia estar muito abalada com o que havia ocorrido na noite anterior, Dana tentava ser forte e levar a sua vida pra frente mesmo que contra a vontade de seu pai.
- Amanhã faremos o último exame final. Quero que estudem os capítulos 11, 12 e 13 por inteiro, pois ...
Ela é interrompida neste instante.
- Agente Scully, poderia tomar um minuto de seu tempo ?
- Sim, claro Agente Perkins
Ela então deixa a sala vendo sentado um homem, parecia ser um agente do FBI. Talvez pela forma que se vestia o se portava.
- Agente Scully, aquele é o agente Mulder. Ela está passando de sala em sala aqui em Quântico para poder dar uma pequena palestra. Talvez se você pudesse ceder o resto de sua aula ficaríamos agradecidos.
- Uma palestra. Tudo bem. Pode ficar.
- Agente Mulder ! Agente Mulder !
Enquanto agente Perkins gritava, Dana entra de volta e comunica aos seus alunos sobre o que aconteceria com o resto da aula.
- Com licença.
- Pode entrar.
Responde ela com muita calma.
- Oi pessoal, o meu nome é Fox Mulder, sei que não estão nem um pouco afim de me escutar, mas venho aqui hoje lhes trazer uma boa noticia..
Ao fundo da sala Dana Scully podia muito bem escutar alguns sussurros que se referiam ao agente.
- É o "Estranho" Mulder ! Acho que ele veio aqui nos dizer que a Terra está sendo invadida por alienígenas vindos de uma outra galáxia.
- Ou então dizer que tem uma barata gigante no banheiro ...
Em meio a tanto cochicho e sem entender nada, Dana assiste a palestra do agente Mulder...
Tempo Presente
- Não sei por que do apelido, Mulder. Não vejo nenhum motivo.
- É Scully, saiba que sempre é bom ter uma reputação, só era bom que ela me abrisse algumas portas, tais como, não pagar o cinema, teatro, ônibus etc.
- Usar como pretexto as suas idéias e diferencia-lo dos outros não o faz ter uma reputação, Mulder quando o vi pela primeira vez sabia que você era a pessoa que é, decidida, inteligente, que vai até o fim de tudo. Só não sabia que um dia iríamos trabalhar juntos.
Ele se posiciona frente a frente a ela e com a sua mão pegando a dela diz:
- Scully, muito obrigado pelos elogios, acho que você deve fazer uma reflexão e tentar se livrar dessas lembranças passadas que carrega, tenho certeza que de além de tudo que o seu pai lhe dizia e sentia, tenho certeza, ele tinha orgulho de você, exercendo qualquer tipo de profissão não iria mudar o seu sentimento. Afinal você é a filha.
Scully enche os olhos de lágrimas e começa a chorar emocionada.
- Obrigada Mulder, Pelo apoio, Por tentar me ajudar. Por estar aqui esta noite.
Com um sorriso irônico ele responde:
- Só espero que o peru que preparou faça valer a pena.
- Prometo que não se arrependerá, Mulder.
Georgetown
Washington D.C.
11:21 PM
- Scully quando estávamos no Ártico no meio de tanta neve, sabe qual era o pensamento que me vinha a todo momento?
- Não. Qual ?
- Talvez não acredite, mas sempre pensava no Papai Noel.
- Papai Noel ?
Com um olhar e um rosto de muita dúvida se deveria continuar ou não com a conversa, Mulder explicou:
- Sim, não sei lhe responder porque, mas dentro de mim existia um sentimento infantil que me dizia que ele passaria por lá com o seu trenó e suas renas encantadas. Logo eu pensava em Samantha, na minha mãe, em você.
- Mulder, você acredita em Papai Noel ?
- Quer saber se eu acredito. Sabe, quando eu era pequeno todos os Natais nos íamos para a nossa casa de verão e lá o meu pai e eu cortávamos um pinheiro e o levava para ser enfeitado e decorado. Me lembro de Samantha. O meu pai tentava alimentar a nossa crença do "velhinho barrigudo" dizendo que o Natal só existia para quem acreditava em Papai Noel.
Parte 3 – "O Natal Só Existe Para Quem Acredita Em Papai Noel."
Chilmark, MA
24 de Dezembro de 1971
10:55 PM
Uma forte névoa parece tomar a região de Chilmark enquanto Bill Mulder tenta entrar em casa com seu filho Fox. Pela janela podia-se ver o rosto encantado pelo Natal de Samantha e de sua mãe.
- Chegaram !
- Será que trouxeram, mamãe ?
Neste momento quando abrem a porta, surge a imagem do que seria para os Mulder naquele momento, um pinheiro. Mas não um simples pinheiro.
- Foi difícil, mas chegamos. Tivemos algumas dificuldades em cortá-lo e traze-lo no carro. Agora é com vocês, só precisam decorar.
- Agora é com você, Samantha !
- Me ajuda, Fox ?
Fox Mulder não resiste ao encanto da época e começa a ajudar Samantha a decorar aquele pinheiro que representava toda a alegria da casa naquele momento.
- Caprichem, pois se não o Papai Noel não virá.
- Na escola disseram que Papai Noel não existe, que só uma história Natalina criada para enganar.
Diz Bill Mulder que senta no sofá seguido da resposta de Fox que com toda a inocência de uma criança que vê o Natal como se fosse somente uma época de presentes e comidas. Bill Mulder então chama os seus filhos com a mão, enquanto a sua esposa decora o pinheiro trazido por ele.
- Quem disse isso, realmente não sabe quem é o Papai Noel nem o porque de sua existência. Quero que saibam, Fox, Samantha. O Natal talvez não seja como você ou outras pessoas o vêem. Na verdade ele é uma época bonita que representa o nascimento de Jesus Cristo. Sim, o Papai Noel pode não passar de uma simples metáfora histórica, mas sempre é preciso saber que ele existe dentro de cada um que acredita nele. Ele pode ser como cada um imaginar, pode ser gordo, magro, com barba, sem barba, com cabelo ou até mesmo careca. Mas existe uma coisa que não se diferencia. A bondade, a lealdade, a dignidade, etc.
Se as pessoas tivessem um Papai Noel imaginário durante todo o ano, imagina só, teríamos um mundo bem melhor, sem guerras, disputas.
Neste mesmo instante ouve-se alguém bater na porta com muita calma.
Bill Mulder então interrompe a conversa com os filhos e levanta-se e vai em direção a porta para atender. Samantha então diz:
Quando Bill Mulder abre a porta ...
- Olá Bill.
- O que quer aqui ?
Após despejar-se da fumaça diz:
- Orá, desejar feliz Natal a você e a toda a sua família. Posso entrar ?
A Senhora Mulder de longe o observa e demonstra algum tipo de sentimento através do olhar. Era como se houvesse algum tipo de ligação entre eles. Mas Bill Mulder não podia mandá-lo embora depois do que havia dito aos seus filhos e o deixa entrar. Ele então apaga o cigarro e dá um passo em direção a entrada. Fox então responde a sua irmã:
- Samantha, acho que não é o Papai Noel. Ele não costuma usar terno e gravata, nem mesmo fumar.
- Use sua imaginação, Fox.
Eles então vão em direção a cozinha enquanto a Senhora Mulder pede aos filhos que terminem com o pinheiro.
- O que quer ?
- Deve saber, Bill.
- Não quero saber de nada.
- Precisamos de você para dar continuidade ao projeto.
- Não acredito que você veio até a minha casa em um dia como hoje para me dizer sobre este maldito projeto.
- Maldito projeto que você criou e de certa forma ajudou a idealiza-lo, parcialmente. Agora precisamos de você para terminá-lo. Saiba que vim aqui como um amigo, não gostaria de forçá-lo a nada, pois lhe considero muito.
Bill Mulder então se levanta com extrema raiva e um soco na mesa.
- Me considera Senhor Michael James Hunt, este é o seu nome, que até mesmo você o teme. Você não tem idéia dos riscos que ele pode nos trazer. Não só a eu ou a você, mas a todos. Eu lhe disse uma vez, vou lhe dizer de novo seu desgraçado filho da mãe. Estou fora e não pretendo voltar.
- Não pretende voltar por vontade, mas podemos obrigá-lo, o que acha ? Sabe Mulder você tem dois bonitos filhos, imagine se algum um dia um deles ou até mesmo os dois sofressem um atropelamento, quebrassem as pernas, fossem seqüestrados, levassem um tiro de bala perdida, imagine só.
- Não teria coragem disso.
- Não tem idéia do que tenho coragem de fazer, nem do que posso realmente fazer.
Com um olhar ameaçador em sua direção Bill Mulder levanta a cabeça e responde com firmeza.
- Acho que a única coisa que você tem a fazer é levantar o seu maldito traseiro daí, pegar o seu maço de cigarros e ir embora de minha casa.
Ele dirige um olhar sedutor a esposa de Mulder, logo depois volta olhar para Bill. Ele saca um cigarro do maço e o acende, após uma longa tragada responde:
- Já vi presidentes morrerem, Mulder. Eu sei que sabe disso ...
Ele então joga o cigarro no chão e o pisa dando continuidade:
- ... e já lhe dei muitas chances, agora só lhe resta fazer a escolha.
Ele saí da cozinha em direção a mesma porta por onde havia entrado com uma postura de decisão. O seu olhar transpassava medo a Fox que o fixou enquanto passava e pergunta ao seu pai após ele sair.
- Quem era ele, papai ?
- Alguém que eu jamais queria ter conhecido.
O Natal dos Mulder nunca seria o mesmo depois daquela noite em que Bill pensava em sua família, seus filhos e no que o fumante quis dizer com "fazer a escolha".
25 de Dezembro de 1971
04:45 PM
Fox em seu quarto não consegue dormir, ele observa o céu a procura de algum sinal. Decide então se levantar e olha para a sua irmã. Vai em direção a sala para ver se conseguia ver o Papai Noel, pois tinha certeza de que ele viria.
Ao chegar na sala, vê o pinheiro que ele, sua irmã e sua mãe haviam preparado toda aceso e com pacotes de presentes ao seu redor. Ele abre um sorriso e olha para algumas meias que havia deixado na lareira e encontra em uma delas o que parecia ser uma pedra. Ele percebe estar sendo observado por alguém e quando olha para trás vê seu pai encostado na parede o admirando. Bill Mulder se aproxima de Fox e diz:
- Fox, meu filho. Você sabe o que significa esta pedra ?
Fox responde com a sua atenção presa ao estranho presente.
- Não. O que significa ?
- Significa que nunca deve parar ou desistir, mesmo quando não houver mais condições de prosseguir, não pare e não desista !
Bill Mulder então o beija na testa e volta para o seu quarto. Fox olha para a pedra novamente com curiosidade em saber o que ela tinha a ver com o que seu pai lhe tinha dito. Mas o que ele não sabia é que aquela pedra não era terrestre e sim uma pedra de um outro planeta. Ele retorce os seus olhos em direção a janela e vê um feixe de luz atravessar o céu procurando o horizonte.
Georgetown
Washington D.C.
12:05 AM
- Sabe Scully, hoje eu consigo compreender a mensagem que meu pai passou para mim.
- E qual é Mulder ?
- Para mim não parar até achar a verdade, de alguma maneira ele sabia do que poderia vir ocorrer e por isso me disse aquilo. Eu acho que ele está envolvido, não me importa de que maneira, mas ele está envolvido.
Do mesmo carro que havia seguido Mulder até o apartamento de Scully naquela noite se encontrava em meio a nuvens de fumaça o Canceroso que com um fone de ouvido continua a escutar a conversa entre os dois. Pela primeira vez ele parece estar amedrontado de verdade com todas as lembranças que teve naquela noite.
De volta ao apartamento ...
- Mulder já são 12:07 ! É natal !
- Então ... Feliz Natal, Scully !
- Feliz Natal Mulder !
Eles se abraçam, trocam beijos e cumprimentos.
- Agora que tal você me servir aquele lindo peru na mesa, pois estou tendo uma conexão paranormal com ele. Ele está me dizendo: — Me coma, Mulder !! Me coma !!
- Isto é um Arquivo X.
Acompanha vinho ?
Mulder por instante permanece em silêncio até que olha para Scully e diz:
- Scully, obrigado por me escutar, me ajudou a me desfazer de parte de um fardo que venho trazendo a muitos anos. Quero que saiba que você é a única pessoa em quem posso confiar. Você significa muito para mim, não só profissionalmente como também pessoalmente.
- Mulder ... eu... tenho a mesma opinião sobre você. Talvez não tivesse quando nos conhecemos, mas hoje sei que a sua busca tem um propósito e sei também que a sua busca também se tornou a minha e se depender de mim nada irá nos impedir.
Da janela do apartamento de Scully podia-se ver o sedam de cor escura estacionado em frente, mas não se podia ver a alma de fumaça do homem que um dia ofereceu a sua própria escolha. O futuro.
E com o último cigarro do maço na boca ele retira e diz:
- Feliz Natal, agentes ... Mulder e Scully.
"O Natal Só Existe Para Quem Acredita Em Papai Noel"
Autor: Fábio Sabalo
"The X-Files"
Criado Por Chris Carter
Personagens:
Agente Especial Fox Mulder
Agente Especial Dana Scully
Bill Mulder
Teena Mulder
Samantha An Mulder
O Canceroso(Michael James Hunt)
Ronald (Garganta Profunda)
Conrad Strughold
Margaret Scully
William Scully
Melissa Scully
Bill Scully
Charles Scully
Agente Karen Perkins
Arquivo X Home Page - A Página Que o Governo Nega Ter Conhecimento
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