"O Natal Só Existe Para Quem Acredita Em Papai Noel"

Autor: Fábio Sabalo

24 de Dezembro de 1998

Washington D.C.

9:21 PM

No apartamento de número 21 na Hegal Place em Alexandria encontra-se o Agente Especial Fox Mulder que a cinco anos vem procurando respostas as suas perguntas. Em mais uma véspera de Natal, encontra-se confuso em seus pensamentos e mergulhado em sua depressão. Após um longo dia de trabalho no FBI ele parece querer passar o Natal sozinho tentando espantar a pior de suas lembranças, o rapto de sua irmã. Sentado no sofá, assistindo a mais um clássico natalino dos anos 60, Fox começa a ter novamente as lembranças de sua infância quando ainda tinha a sua irmã por perto, quando toca o telefone.

Ele levanta com total calma e vai em direção ao aparelho com um rosto desafiador:

Ao mesmo tempo em que Mulder conversava com Scully, muito próximo dali em um apartamento se encontrava o Canceroso, que o observava com um binóculo e o escutava através de um grampo telefônico. Ao desligar de Mulder ele acende um cigarro e uma lágrima escorre de seus olhos. Quinze minutos depois o fumante vê Mulder saindo de seu prédio rumo a casa de Scully, ele então resolve segui-lo.

Paranormal Activity – Government Denies Knowledge – The Truth Must Be Told

Georgetown

Washington D.C.

10:04 PM

Uma batida na porta ...

Neste momento ele joga o saco de nozes nos braços dela que abre um sorriso carinhoso enquanto ele entra.

Ele se vira para ela e diz:

Scully então sai em direção a cozinha onde iria preparar a ceia de Natal. Enquanto isso Mulder se levanta e começa a olhar alguns discos antigos que estavam ao lado da televisão.

Ao fundo, Scully começa a ouvir uma música leve, natalina e pergunta:

Ao som de "I Wish Everyday Could Be Like Christmas" Scully desponta na porta da cozinha e vê Mulder com leves movimentos nas mãos, ele então estende o seu braço esquerdo e a chama para dançar. Scully sem resistência se rende ao som e começa a dançar junto a ele.

Eles então sentam um ao lado do outro no sofá e Mulder diz:

Neste mesmo momento em um carro parado em frente ao prédio de Scully se podia ver ao longe uma pequena chama e segundos depois uma nuvem de fumaça que parecia aclamar pelas mentiras e pelas verdades, era o Canceroso que abre uma maleta e de dentro podia se ver claramente o que seria uma sofisticado aparelho de espionagem.

Desde de que Mulder e Scully começaram nos Arquivos X eles vem sofrendo ininterrupta vigilância tecnológica, o que facilitaria a sua escuta naquele momento.

Neste mesmo instante com um fone de ouvido podia se ver todo o passado nos olhos de um homem que um dia mudou a história dos Estados Unidos e possivelmente do mundo.

Parte 1 - "Era Uma Vez Uma Amizade ..."

Washington D.C.

24 de Dezembro de 1968

02:58 AM

A sua mão é levada direto ao bolso que retira um maço e um isqueiro. O olhar de culpa desponta direto para Bill Mulder que diz:

Ele levanta sob o olhar amedrontado de Bill Mulder que também se levanta e o segue em direção e porta.

Uma pequena nuvem de fumaça desaparece, de costas virasse e joga o pequeno toco de cigarro no chão e diz:

Ele sai, e ao som de pinheiros e do vento que assopra naquela véspera de Natal, Bill Mulder sussurra a si mesmo:

Nova Iorque

Rua 46

12:04 PM

Ao fundo uma voz parecia retrucar:

Neste momento entra na sala Bill Mulder em posse de uma maleta e palavras na sua boca.

Bill Mulder se vira e caminha em direção a porta até que para e escuta as últimas falas do homem que aparentemente tinha o futuro do mundo nas mãos.

Bill Mulder sai da sala perante a voz ameaçadora.

Ele acende um cigarro que talvez seria a assinatura de um pacto com a morte e neste mesmo tempo vê-se um homem velho de rosto amargurado e marcado com histórias que mudaram gerações, isto já de volta ao presente depois de suas lembranças.

 

 

 

 

Georgetown

Washington D.C.

Data Presente

10:52 PM

Em posse de uma taça de vinho ela pega a garrafa e preenche a de Mulder com um olhar curioso.

Mulder então olha diretamente para a garrafa de vinho com um sorriso inocente em seu rosto.

Parte 2 – "Tudo o Que eu Sempre Quis Era Querer."

25 de Dezembro de 1991

Washington D.C.

01:16 AM

Sentada a mesa em sua casa junto aos seus familiares, Dana Scully então direciona o seu olhar um a um na mesa.

Margaret Scully então olha e responde a filha:

Concordando com o que a irmã dizia, Melissa Scully então resolve se manifestar.

William Scully muito calmo observa a conversa e saboreia o delicioso jantar feito por suas filhas e sua esposa. Até que resolve se pronunciar.

Ela sai da mesa em direção ao seu quarto onde senta no chão por trás da porta e começa a chorar desoladamente como se alguma coisa a mais a fizesse sofrer.

Acaba por adormecer e a sonhar ...

... Um lugar escuro ... sombrio ... frio !

Repentinamente uma porta é derrubada em meio a escuridão, um tiroteio acontece entre diversos agentes e um grupo que corre para o lado mais claro da vida. Ao fundo o único som que se pode ouvir é a de crianças gritando como se estivessem sendo levadas para o inferno. Um rosto aparece como se a fosse consumi-la com olhos vermelhos e uma nuvem de fumaça. Ela logo podia escutar ao fundo uma voz que ao longe sussurrava:

E logo se depara com alguém deitado sobre ela em uma cama de hospital chorando descontroladamente no que parecia uma paixão proibida. Ela vê e sente uma grande confrontação de opiniões. De um lado a culpa por não realizar os desejos de seu pai e do outro o medo de realmente enfrentar os seus temores e as opiniões alheias.

Ela acorda de repente e se levanta sem entender o que havia acontecido. Estava atordoada.

Margaret Scully então beija a testa da filha e sorri como um pedido de desculpas. Melissa Scully sem dizer alguma palavras repete o gesto com a irmã e lhe dá um abraço. Dana os acompanha até a porta de saída e vê seu pai dentro do carro.

Logo após irem embora, Dana fecha a porta de sua casa senta no seu sofá e começa a chorar desconsoladamente através da noite. Sua árvore de Natal balança ao vento no que parecia um sentimento de culpa por ter discutido com o seu pai na noite de Natal.

26 de Dezembro de 1991

Academia do FBI

Quântico, Virgínia

13:16 AM

Em uma sala de aula, a agente Dana Scully leciona para futuros agentes. Com um rosto desprovido de sorriso e no que parecia estar muito abalada com o que havia ocorrido na noite anterior, Dana tentava ser forte e levar a sua vida pra frente mesmo que contra a vontade de seu pai.

Ela é interrompida neste instante.

Ela então deixa a sala vendo sentado um homem, parecia ser um agente do FBI. Talvez pela forma que se vestia o se portava.

Enquanto agente Perkins gritava, Dana entra de volta e comunica aos seus alunos sobre o que aconteceria com o resto da aula.

Responde ela com muita calma.

Ao fundo da sala Dana Scully podia muito bem escutar alguns sussurros que se referiam ao agente.

Em meio a tanto cochicho e sem entender nada, Dana assiste a palestra do agente Mulder...

Tempo Presente

Ele se posiciona frente a frente a ela e com a sua mão pegando a dela diz:

Scully enche os olhos de lágrimas e começa a chorar emocionada.

Com um sorriso irônico ele responde:

 

Georgetown

Washington D.C.

11:21 PM

Com um olhar e um rosto de muita dúvida se deveria continuar ou não com a conversa, Mulder explicou:

Parte 3 – "O Natal Só Existe Para Quem Acredita Em Papai Noel."

Chilmark, MA

24 de Dezembro de 1971

10:55 PM

Uma forte névoa parece tomar a região de Chilmark enquanto Bill Mulder tenta entrar em casa com seu filho Fox. Pela janela podia-se ver o rosto encantado pelo Natal de Samantha e de sua mãe.

Neste momento quando abrem a porta, surge a imagem do que seria para os Mulder naquele momento, um pinheiro. Mas não um simples pinheiro.

Fox Mulder não resiste ao encanto da época e começa a ajudar Samantha a decorar aquele pinheiro que representava toda a alegria da casa naquele momento.

Diz Bill Mulder que senta no sofá seguido da resposta de Fox que com toda a inocência de uma criança que vê o Natal como se fosse somente uma época de presentes e comidas. Bill Mulder então chama os seus filhos com a mão, enquanto a sua esposa decora o pinheiro trazido por ele.

Se as pessoas tivessem um Papai Noel imaginário durante todo o ano, imagina só, teríamos um mundo bem melhor, sem guerras, disputas.

Neste mesmo instante ouve-se alguém bater na porta com muita calma.

Bill Mulder então interrompe a conversa com os filhos e levanta-se e vai em direção a porta para atender. Samantha então diz:

Quando Bill Mulder abre a porta ...

Após despejar-se da fumaça diz:

A Senhora Mulder de longe o observa e demonstra algum tipo de sentimento através do olhar. Era como se houvesse algum tipo de ligação entre eles. Mas Bill Mulder não podia mandá-lo embora depois do que havia dito aos seus filhos e o deixa entrar. Ele então apaga o cigarro e dá um passo em direção a entrada. Fox então responde a sua irmã:

Eles então vão em direção a cozinha enquanto a Senhora Mulder pede aos filhos que terminem com o pinheiro.

Bill Mulder então se levanta com extrema raiva e um soco na mesa.

Com um olhar ameaçador em sua direção Bill Mulder levanta a cabeça e responde com firmeza.

Ele dirige um olhar sedutor a esposa de Mulder, logo depois volta olhar para Bill. Ele saca um cigarro do maço e o acende, após uma longa tragada responde:

Ele então joga o cigarro no chão e o pisa dando continuidade:

Ele saí da cozinha em direção a mesma porta por onde havia entrado com uma postura de decisão. O seu olhar transpassava medo a Fox que o fixou enquanto passava e pergunta ao seu pai após ele sair.

O Natal dos Mulder nunca seria o mesmo depois daquela noite em que Bill pensava em sua família, seus filhos e no que o fumante quis dizer com "fazer a escolha".

25 de Dezembro de 1971

04:45 PM

Fox em seu quarto não consegue dormir, ele observa o céu a procura de algum sinal. Decide então se levantar e olha para a sua irmã. Vai em direção a sala para ver se conseguia ver o Papai Noel, pois tinha certeza de que ele viria.

Ao chegar na sala, vê o pinheiro que ele, sua irmã e sua mãe haviam preparado toda aceso e com pacotes de presentes ao seu redor. Ele abre um sorriso e olha para algumas meias que havia deixado na lareira e encontra em uma delas o que parecia ser uma pedra. Ele percebe estar sendo observado por alguém e quando olha para trás vê seu pai encostado na parede o admirando. Bill Mulder se aproxima de Fox e diz:

Fox responde com a sua atenção presa ao estranho presente.

Bill Mulder então o beija na testa e volta para o seu quarto. Fox olha para a pedra novamente com curiosidade em saber o que ela tinha a ver com o que seu pai lhe tinha dito. Mas o que ele não sabia é que aquela pedra não era terrestre e sim uma pedra de um outro planeta. Ele retorce os seus olhos em direção a janela e vê um feixe de luz atravessar o céu procurando o horizonte.

 

 

Georgetown

Washington D.C.

12:05 AM

Do mesmo carro que havia seguido Mulder até o apartamento de Scully naquela noite se encontrava em meio a nuvens de fumaça o Canceroso que com um fone de ouvido continua a escutar a conversa entre os dois. Pela primeira vez ele parece estar amedrontado de verdade com todas as lembranças que teve naquela noite.

De volta ao apartamento ...

Eles se abraçam, trocam beijos e cumprimentos.

Acompanha vinho ?

Mulder por instante permanece em silêncio até que olha para Scully e diz:

Da janela do apartamento de Scully podia-se ver o sedam de cor escura estacionado em frente, mas não se podia ver a alma de fumaça do homem que um dia ofereceu a sua própria escolha. O futuro.

E com o último cigarro do maço na boca ele retira e diz:

"O Natal Só Existe Para Quem Acredita Em Papai Noel"

Autor: Fábio Sabalo

"The X-Files"

Criado Por Chris Carter

Personagens:

Agente Especial Fox Mulder

Agente Especial Dana Scully

Bill Mulder

Teena Mulder

Samantha An Mulder

O Canceroso(Michael James Hunt)

Ronald (Garganta Profunda)

Conrad Strughold

Margaret Scully

William Scully

Melissa Scully

Bill Scully

Charles Scully

Agente Karen Perkins

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