INDÍGENAS

I

Oregon, 21 janeiro

12:30 am

As pesquisas realizadas nas florestas não estavam mais satisfazendo os desejos profissionais de Kyle e seu parceiro Douglas. Já estavam cansados de pesquisar plantas, águas e pequenos insetos. Queriam algo com mais ação. Algo proibido.

Trabalhavam a uma semana numa floresta próxima a Eugene, Oregon, em busca de possíveis índios, habitantes do local. As pessoas que viviam nas proximidades afirmavam que aquela floresta era amaldiçoada, que quem ali entrasse jamais sairia. Alguns "corajosos" que tentaram derrubar árvores no local já haviam desaparecido. Um total de nove pessoas desaparecidas em 2 anos. Mortas talvez, dentro da extensa e escura floresta.

Mas isso não trouxe medo aos dois pesquisadores. Aquilo era apenas uma lenda local. Essas pessoas desaparecidas podiam ter se perdido e morrido de fome e frio, sem como voltar para casa.

Eles haviam acordado cedo para reiniciar suas buscas por algum vestígio de uma tribo indígena. Depois de cinco dias de trabalho já estavam exaustos e não haviam encontrado nada. Essa missão lhes fora e

ntregue pelo Coronel Dawson, do exército americano, que pediu extremo sigilo sobre as pesquisas para que a população não se alarmasse sem propósito. Para todos os efeitos estavam ali pesquisando a flora local e nada mais.

Alguns dias antes de partirem, estando hospedados em um pequeno hotel em Eugene, eles foram abordados pelo prefeito e alguns ricos proprietários da região. Queriam saber o que eles buscavam ali. A história da pesquisa da flora local foi mantida e eles não foram mais incomodados. Pegaram o necessário e partiram.

Para Douglas aquilo já estava se tornando entediante. Como alguém poderia viver no meio de todo aquele mato? Essa pesquisa boba não o interessava mais.

_ Não agüento mais procurar pegadas, Kyle. Temos mesmo que fazer isso?

_ Temos. Você não deveria estar assim. Insistiu tanto para que viéssemos...

_ É que...

_ Falou que seria bom mudarmos de pesquisa, procurar gente, algo com mais ação.

_ Foi o que eu pensei, mas até agora nós não vimos nada.

_ Você tem que esperar e torcer para que encontremos algo.

_ É o que eu faço dia após dia...

_ "Vamos acampar por aqui hoje",disse Kyle quando encontraram uma pequena clareira no meio da floresta._ Podemos almoçar e descansar um pouco hoje. Não quer dar uma "olhada" nas plantinhas por aí?

_ Tá brincando, né?

_ Vamos! Você vai se distrair.

Aquilo não era uma boa distração, mas naquele momento serviria. Douglas deixou sua mochila no chão, assim como Kyle. Pegou algumas ferramentas e penetrou novamente na floresta. Kyle iniciou a armar uma barraca para preparar logo o "banquete" do dia. Ele podia ouvir Douglas caminhando entre as árvores e xingando a cada galho de que tinha que se desviar. Por alguns instantes não pôde ouvir mais seu colega. Devia ter parado para analisar alguma planta. Foi quando ouviu:

_ Kyle, venha até aqui, rápido!_ Douglas gritava de trás de um arbusto.

_ O que foi?

_ Venha ver isto aqui!

_ Estou indo. O que é?

_ Essas plantas aqui parecem ter sido podadas a pouco tempo. Alguém esteve aqui!

_ Temos que procurar pegadas. Vamos examinar o solo na área. Pode ter sido algum animal.

_ Não. Nenhum animal cortaria as folhas dessa maneira. Vamos pegar as ferramentas.

Voltaram até a barraca para pegar tudo o que precisavam para as análises. Foram até o local dos vestígios e analisaram o solo, encontrando pegadas de algo. Não sabiam ainda se eram humanas. Precisavam de mais pegadas . Caminhavam na direção dos rastros. Em um local onde a terra oferecia melhores condições de estudo descobriram duas pegadas diferentes. Ambas humanas, uma menor que a outra.

_ São pegadas dos nossos índios!

_ Não podemos ter certeza, Douglas.

_ Quem mais poderia ter passado aqui? O pessoal da limpeza?

_ Vamos voltar até a clareira. Já está ficando tarde.

_ Só porque temos algo interessante para fazer as horas passam rápido, já percebeu?

_ Sim, percebi. Vamos.

Chegando à clareira ficaram espantados com o que encontraram:

_ Eles estiveram aqui! Nos roubaram! Levaram tudo!

_ Como isso pôde acontecer? O que faremos agora? Não temos como falar com o Coronel, não temos comida nem água, o que faremos?

_ Eu não devia ter aceito essa missão! Sabia que algo daria errado.

_ Calma, Douglas. Vamos passar a noite aqui hoje e amanhã caminharemos de volta a Eugene.

_ Mas nós estamos a 13 Km de lá! Nunca chegaremos em um dia.

_ Então vamos descansar que amanhã será um dia cheio.

_ Droga! Droga!

_ Pare de reclamar e vamos dormir.

Entraram para a pequena barraca armada na clareira. Os indígenas tinham levado todos os seus aparelhos eletrônicos e sua comida. Eles estavam sós, no meio da floresta, sem como se comunicar. Aquilo preocupava-os demais. Não conseguiram dormir tranqüilos. No meio da noite, Douglas se levantou e saiu da barraca. A noite estava bonita; a lua, cheia. Estava frio , mas Douglas não se importava com isso. Estava desesperado. Em seu passeio noturno ouviu ruídos estranhos, mas não deu importância. Deviam ser pequenos animais em busca de comida. Ele não percebeu que era observado por espertos olhos da floresta. Eles eram muitos. Moviam-se silenciosamente entre as árvores e não tinham medo daquele homem, ali, sozinho.

A noite passou devagar, sem que nada extraordinário acontecesse. Na manhã seguinte os pesquisadores juntaram tudo o que havia sobrado de seus pertences e partiram de volta a Eugene.

_ Você não falou que queria mais ação, Douglas? Uma aventura maior? Por que reclama tanto agora?

_ Tudo bem. Eu queria uma aventura, mas não precisava ser isso. Podíamos apenas ter encontrado esses indígenas.

Os dois caminhavam descontraidamente, não se preocupando com o que estava em torno deles. Os espertos olhos os observavam todo o tempo. Douglas parou por um momento:

_ Você ouviu isso?

_ Não. O quê?

_ Esse sussurro. Parece que alguém está nos seguindo.

_ Deve ser só imaginação sua. Não ouvi nada.

_ Pare um pouco e ouça.

_ Acho que estou ficando paranóico.

Continuaram sua incansável caminhada por mais três horas, quando resolveram parar para um descanso. De repente um vulto passou perto a eles. Não sabiam o que fazer. Quem poderia ser? Algum dos índios? Tinham que sair dali. Começaram a caminhar novamente em passos largos. Não era apenas um vulto que os seguia agora. Eram vários! E eles chegavam cada vez mais perto. Douglas foi surpreendido por uma corda que pendeu de uma árvore, prendendo-o pelo pescoço. Apenas teve tempo de gritar:

_ Continue correndo, Kyle! Fuja! Não pare!

Kyle continuou a correr, sem olhar para trás. Tropeçou em um galho seco e foi ao chão.

_ Socorro!

Ficou desacordado quando levou uma pancada na cabeça. Os vultos saíram de trás das árvores e o pegaram. Levaram-no até onde viviam. Era ali que Kyle passaria o resto de seus dias. Trancado em uma jaula. Ele ainda se lembrava da cena em que Douglas era puxado pelo pescoço. Aquilo o deixava triste. Onde estaria seu parceiro?

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II

Exército americano, 25 de Janeiro

11:10 am

_ Coronel Dawson, nenhum sinal dos pesquisadores. Há quatro dias que eles não mandam notícias.

_ Teremos que investigar o que houve, mas temos que tomar cuidado para que ninguém nos descubra.

_ Podemos mandar uma equipe de busca?

_ Não. Isso delataria a nossa missão. Temos que esperar pelo momento certo.

_ Mas eles podem estar precisando de ajuda, Sr.

_ Eles terão que esperar.

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III

Sede do FBI- Washington-DC., 26 Janeiro

10:43 am

Caminhando pelos corredores do extenso prédio, a agente Dara Scunny levava alguns relatórios antigos até a sala do assistente geral Slinner. Bateu na porta e entrou.

_ Aqui estão seus relatórios, Slinner.

_ Obrigado, agente. Irei analisá-los e comunicarei a você e seu parceiro o que vocês têm a fazer, portanto, não saiam daqui sem a minha autorização.

_ Tudo bem, Sr, disse a agente quando já deixava a sala. Tornou a caminhar pelos frios corredores, descendo até uma pequena sala no porão do prédio. Era ali a sala de seu parceiro ,Nox Ruldem, incansável procurador da VERDADE. Durante o tempo que já trabalhavam juntos, haviam investigado desde casos de pessoas com poderes psíquicos até terríveis monstros da engenharia genética. Dara sabia que algo a esperava quando entrou na sala e encontrou seu parceiro sentado com alguns relatórios em sua mão, só esperando que ela entrasse para contar mais uma história absurda.

_ O que é agora, Ruldem?

_ Que é isso minha parceira? Ainda não falei nada!

_ Posso perceber pelo seu olhar que o que você irá falar não é nada bom...

_ Você tem razão. Não é bom, mas nós vamos participar de uma aventura. Temos que ir até...

_ Sinto lhe informar que nós não iremos a lugar nenhum. Slinner marcou uma audiência para nós dois. Teremos que nos apresentar ainda hoje.

_ Mas...isso não pode nos impedir! Temos que ajudar aquelas pessoas!

_ Que pessoas?

_ Ocorreram alguns fatos estranhos em uma floresta próxima a Eugene, Oregon.

_ Estranhos como?

_ Recebi uma ligação do delegado da cidade e ...

_ Por que ele ligou exatamente para você?

_ É uma outra história que não vem ao caso. Continuando, o delegado me contou o que vinha acontecendo a uns dois anos. Todas as pessoas que entram na floresta nunca mais saem de lá ou aparecem mortas na periferia da cidade. As pessoas de lá dizem que a floresta é amaldiçoada. Andei pesquisando a existência de alguma tribo indígena na floresta, mas não encontrei nada. Não pode ser um caso de briga pela posse das terras, pois aquela é uma área de reserva...

_ Espere um pouco. Por que só agora eles resolveram chamar as autoridades?

_ Porque os desaparecimentos estão ficando cada vez mais freqüentes. Um grupo de caçadores licenciados que estavam na região na semana passada desapareceu e um dos homens foi encontrado morto numa das saídas da cidade. O delegado suspeita também que os pesquisadores que entraram na floresta tenham sido mortos, pois havia cinco dias que eles não apareciam nem mesmo em busca de comida e água.

_ Você terá que deixar seus estranhos desaparecimentos para depois. Não temos permissão para sair da sede hoje.

_ Vou falar com Slinner.

_ Falar o que ? Que você tem uma investigação em Oregon e tem que viajar para lá hoje?

_ "Como você adivinhou?", disse Nox ironicamente , enquanto saía da sala deixando sua parceira para trás. Dirigiu-se até a sala de Slinner. Foi recebido pela secretária .

_ Ele não pode receber você agora. Está no meio de uma reunião.

_ Isso é URGENTE! ,disse ele , entrando na sala. Slinner estava só e ao telefone.

_ Que é isso, agente Ruldem?

_ Tenho um assunto urgente para tratar com você.

_ Espere um minuto. <Sim, tudo bem. Eu cuidarei de tudo. Não se preocupe, Sr.> Pode falar agora, agente.

_ Você tem que adiar essa audiência. Scunny e eu temos que ir até Oregon. É urgente.

_ Eu não tenho como fazer isso, ...mas eu posso tentar.

_ Você pode sim. Eu sei que você pode.

_ Meus superiores não ficarão satisfeitos com isso, mas eu posso tentar. Só não vá se acostumando, agente Ruldem.

_ Obrigado, Sr. Vamos, Scunny, disse empurrando sua colega para fora da sala.

_ Não falei que eu daria um jeito?!

_ Você tem sorte de Slinner estar do nosso lado. Pelo menos adiamos aquela chatice de audiência. Para onde vamos agora?

_ Eugene, Oregon. Já tenho as passagens.

_ Você já tinha se preparado, não?

_ Como já disse, não podemos perder tempo. Arrume suas coisas que nós partiremos às duas da tarde.

_ Assim? De repente? É por isso que eu gosto de trabalhar com você.

Ao fim do diálogo os dois saíram rindo. Voltaram a se encontrar no aeroporto, onde pegariam um avião até Oregon.

_ Mulder, por que você se interessou tanto por esse caso? Tem que haver um motivo especial...

_ Há sim. Que na área da costa oeste de Oregon já foram realizados testes secretos em 60, com armas nucleares e na floresta que iremos existiram várias bases camufladas onde eram aprisionadas as pessoas que, por azar, sofreram mutações pela radiação.

_ Mas isso foi a muito tempo. Essas pessoas não devem mais estar vivas.

_ Sim, mas podem haver vestígios da radiação na área.

_ O que isso tem haver com os possíveis "índios" que atacaram as pessoas mortas? Por acaso eles usaram armas nucleares?

_ Eles podem não ser indígenas...

_ Então o que são, Ruldem?!

_ Ainda não sei...

O avião partiu e os dois agentes para se deliciar do conforto da primeira classe em que viajavam. Sunny estava intrigada com aquilo.

_ Como você conseguiu passagens para a primeira classe?

_ Esse é um segredinho que guardo só pra mim.

A viagem foi tranqüila , exceto por algumas turbulências que o avião teve que enfrentar, mas ambos já estavam acostumados a isso e não se preocupavam.

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IV

Aeroporto de Eugene , Oregon_ 26 de janeiro

5:00 pm

_ Para onde iremos agora, Ruldem?

_ Eu espero que haja alguém nos esperando aqui.

_ Agentes Ruldem e Scunny?

_ Sim?

_ Sou o delegado Nicholas, fui eu quem chamou vocês.

_ Para onde vamos?

_ Vou levá-los ao hotel que vocês ficarão. É pequeno , simples, mas muito aconchegante. E fica perto da floresta.

Scunny, contrariada:

_ Era isso que eu temia.

_ Vamos?

Caminharam até o estacionamento, onde se encontrava a caminhonete verde do delegado.

_ Podem subir. Ponham as suas coisas no banco de trás.

Ambos entraram e se acomodaram dentro do antigo veículo com bancos de couro. O hotel não era distante do aeroporto, o que acabou com a possibilidade de uma conversa mais séria sobre o caso. Pararam em frente a um antigo chalé de madeira . Nicholas disse, descendo do carro:

_ É aqui. Podem descer.

Aquele lugar não se parecia com um hotel , mas não havia outro jeito a não ser entrar e se hospedar ali mesmo.

_ Obrigado, delegado. Entraremos em contato com você quando estivermos prontos.

O delegado voltou para o carro e deixou-os naquele local inóspito. Entraram na cabana. Não havia ninguém no balcão.

_ Por favor, alguém em casa?, gritou Scunny.

Foi quando ouviram passos. Alguém estava vindo atender.

_ AU! AU!

_ É apenas um cachorro, Scunny.

_ Será que não há ninguém aqui?

_ Vamos subir para ver.

Subiram as escadas que terminavam em um corredor com 4 portas, todas fechadas. O cachorro correu em disparada para um canto do corredor.

_ Tem alguém aqui, Scunny.

_ Vamos descer.

Foram surpreendidos por um rifle ao se aproximarem das escadas.

_ Quem são vocês?

_ Eu sou o Agente Ruldem e essa é a agente Scunny. Fomos trazidos aqui pelo delegado Nicholas.

_ Então são os dois que eu vou hospedar?

_ Sim.

_ Como ousaram entrar aqui sem que ninguém os visse?

_ Nós só vimos o cachorro e pensamos que poderia haver alguém aqui em cima.

_ Aquele viralata miserável!

_ Agora você pode nos mostrar onde ficam os nossos quartos?

_ Os dois no fim do corredor. Podem ir até lá. As portas estão abertas. Mas não ousem entrar nos outros quartos!!!

Aquilo, definitivamente, não era um hotel, mas os agentes nada podiam fazer. Foram até os quartos e guardaram suas coisas . Mais tarde foram chamados para o jantar. Um homem se apresentou como Kristen e disse viver ali com a mulher e um filho, Albert, de 17 anos. Ao descerem, conheceram ambos. A mulher chamava-se Sara e era bastante simpática. O jantar foi servido e todos sentaram -se à mesa. A comida estava boa e os dois agentes , que passaram a tarde viajando, se deleitaram no jantar. Ruldem não podia deixar de fazer algumas perguntas:

_ Vocês sabem o que está acontecendo na floresta?

A mulher foi quem começou a falar:

_ São os espíritos da floresta. Ela é amaldiçoada_disse com bastante convicção. Mas seu marido logo retrucou:

_ Que espíritos o quê! Esse pessoal da cidade que vem para cá é que não sabe como se virar na floresta e acaba morrendo por aí. Eu e meu filho caçamos e tiramos lenha dessa floresta todos os dias e nunca nos aconteceu alguma coisa. Amanhã mesmo vamos passar a noite na cabana que construímos no meio da floresta para caçarmos à noite . Se vocês quiserem ir...

_ Iremos sim, não é Scunny?

_ É...Será uma boa oportunidade para um "encontro com a Natureza".

_ Sairemos em cedo. É melhor vocês irem descansar. Amanhã eu os acordarei.

_ Precisamos falar como delegado...

_ Não se preocupem. Ele virá aqui pela manhã.

Acabaram de comer e subiram para os quartos. Era tudo muito limpo e organizado naquela casa. Deitaram-se para dormir . Scunny logo pegou no sono. O silêncio do lugar a traquilizava. Já Rudem demorou um pouco para conseguir adormecer, Ficou imaginando o que poderia estar acontecendo ali. Já tinha visto de tudo. As pessoas desaparecidas podiam ter sido abduzidas por alienígenas, pois aquela área era propícia ao aparecimento de OVNIS. Podiam também ter sido mortas por um assassino terrorista habitante de lá. Mas o mais provável era existirem indígenas no local, que seriam os possíveis responsáveis pelas mortes. Esses pensamentos sumiram de sua mente e ele adormeceu.

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V

Exército Americano _ 27 de janeiro

6:00 am

_Oficial 2735 se apresentando, Coronel.

_ Preciso montar uma equipe de busca urgente. Iremos para Oregon. Partiremos daqui a meia hora.

_ Sim , Senhor.

Já era tarde para organizar aquelas buscas. Devido ao segredo daquela missão, um homem havia sido morto enforcado. O outro permanecia preso em cativeiro. Eles ainda podiam salvá-lo se não demorassem.

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VI

Eugene, Oregon_ 27 de janeiro

7:00 am

Kristen levantou-se e foi até os quartos dos agentes. Bateu em cada uma das portas, dizendo:

_ Acordem, gente! Temos muito o que fazer.

_ Já me levantei!

_ Também já estou de pé.

Logo desceram até a cozinha onde um suculento café da manhã os esperava. O delegado também estava lá.

_ Bom dia, agentes.

_ Bom dia , delegado. Chegou cedo , não?

_ Não , Kristen. Vim para o café.

Ruldem, após dar uma olhada geral no lugar, falou:

_ Já está sabendo da nossa aventura?

_ Sim. Kristen contou-me da empreitada na floresta. Pena não poder ir com vocês. Não posso deixar a minha delegacia vazia, pois se algo acontecer...mas sei que vocês farão um bom trabalho.

_ Então vamos , agentes? Pegaram suas coisas? Albert nos espera lá fora com nossos apetrechos.

_ Vamos. Só vou acabar o meu café.

Scunny já havia se levantado e apenas esperava seu parceiro como os outros.

O delegado despediu-se deles e partiu em sua caminhonete verde.

A partida do grupo para a floresta não demorou muito. Seria uma longa caminhada até a cabana dos caçadores. Caminharam entre árvores e galhos por duas horas seguidas. Os agentes não conseguiam mais andar. Resolveram parar para um descanso. Nada estranho havia encontrado até ali. Nada que pudesse denunciar algum assassinato.

_ Faremos uma rápida parada para um lanche . Já estamos quase lá. Mais uma hora de caminhada e pronto. Devo avisá-los para tomar cuidado com algumas armadilhas que existem espalhadas aí pela frente. São para animais, mas pegam muitas pessoas desprevenidas.

Andaram mais uma interminável hora até que encontraram uma pequena cabana de madeira, ao centro de uma clareira. Kristen abriu o cadeado que trancava a porta e todos puderam entrar. O lugar cheirava a mofo. Tudo estava muito úmido. A noite ali seria insuportável.

Depois de acomodarem as mochilas, resolveram arrumar algo para comer , pois já era meio dia. Sara havia preparado um lanche reforçado para que eles levassem. Scunny estendeu uma toalha na mesa e Albert foi retirando o lanche da mochila.

_ Comam bastante, avisou Kristen. Talvez seja nossa única refeição do dia. Aproveitem.

Foi isso o que todos fizeram. Comeram até não aguentarem mais. Scunny observava a vontade com a qual o garoto comia um pedaço de bolo feito por sua mãe. Devia ser difícil ser filho único e ainda viver numa cidade tão pequena, mas ele parecia gostar. Seu pensamento foi interrompido por Ruldem:

_ Acabou, Scunny? Temos que começar logo nossa investigação. Não temos muito tempo.

_ Ah, sim. Já acabei sim. Vamos.

Eles queriam aproveitar enquanto era dia e logo saíram pela floresta novamente. Albert permaneceu na cabana, enquanto os demais caminhavam. Analisaram as áreas mais próximas, mas não encontraram nenhum vestígio de pessoa. Kristen avisou-os:

_ Não podemos demorar muito mais. Já está ficando tarde e a noite aqui não é nada aconchegante.

"Sim", concordou Ruldem. "Reiniciaremos amanhã."

Voltaram então à cabana, onde Albert os esperava com impaciência:

_ Pensei que vocês não voltariam mais . Já estava ficando preocupado. Arrumei as camas. Vocês dois dormirão no quarto do fundo...juntos. Não se importante, não é?

_ Não. Tudo bem. _ disse Scunny.

_ Amanhã acordaremos vocês bem cedo, como de costume.

Para quem vive na cidade grande seria difícil dormir àquela hora. Eram apenas 7:00pm. Ruldem sabia que, apesar do cansaço provocado pela caminhada, ele não conseguiria dormir tão cedo. Sua parceira foi até o quarto. O cheiro de mofo ainda era muito forte, mas o que ela queria era descansar. Deitou-se na cama perto da janela. Ruldem aproximou-se dela e falou:

_ Scunny, você não tem medo de ser abduzida?

_ O quê?

_ Isso mesmo. Vai dormir debaixo da janela?

_ O que você quer dizer com isso? Que prefere essa cama e está me amedrontando para ficar com ela? Ou você quer que eu durma do seu lado?

_ ...é ..., nada não .

_ Vai dormir parceiro.

Ela cobriu-se e virou para a parede. Nox deitou-se na sua cama e permaneceu de olhos abertos, observando a extensa rede de teias que fôra tecida no teto do quarto. Aquilo devia ter dado trabalho. Logo caiu no sono.

O que nenhum deles esperava era a visita noturna que receberiam. Os silenciosos "olhos da floresta" rodavam a pequena cabana. De repente um estranho ruído pôde ser ouvido. Ruldem acordou assustado e pegou a sua arma o mais depressa possível. Poderiam ser animais, mas ele não podia arriscar. Ninguém mais havia se levantado. Os lenhadores deviam estar acostumados com os "barulhos" floresta e Scunny estava em um sono profundo demais para ser acordada.

Nox decidiu sair e dar uma olhada em volta da casa. Abriu a velha porta sem fazer nenhum barulho. Saiu e deparou-se com uma extrema escuridão. Acendeu uma lanterna e começou a caminhar lentamente em direção às árvores. Algo se mexeu entre as folhas. Algo grande e assustador. Ruldem não hesitou e começou a correr atrás daquele vulto.

_ Pare! Quem é você?!

Mas o vulto não parou e Ruldem continuou a correr atrás dele. Foi quando pisou em um chão falso, acabando por cair em um pequeno buraco.

Seu grito ecoou por toda a floresta. Havia caído em uma armadilha para animais! Como podia ter sido tão bobo? Começou a pedir socorro. Alguém teria que ouvi-lo. Seu pé doía muito. Não podia levantar-se.

Scunny ouviu um grito. Levantou-se assustado. Kristen e Albert também estavam de pé. Ela pegou sua arma e Kristen, uma velha espingarda que guardava ali. Saíram os três a procura de Ruldem que não estava lá dentro.

_ Ruldem! Ruldem! Onde você está ?

_ Scunny! Aqui!

Ela correu na direção de onde vinham os gritos. Seu parceiro precisava de ajuda. Kristen e Albert rondavam a área da cabana em busca de algo que Ruldem estaria à procura. Scunny encontrou a lanterna de Ruldem e logo depois ele, em um pequeno buraco no chão. Chamou por Kristen.

_ Venha aqui me ajudar. Ruldem caiu em uma armadilha! Corra!

_ Estou indo! Albert, fique aqui e vigie a cabana. Vou lá ajudá-los.

Falando isso, saiu correndo por entre as árvores. Chegou onde os dois agentes estavam.

_ Me ajude a tirá-lo daqui. Ele está ferido! Temos que ajudá-lo!

_ Vamos com cuidado. Ele pode ter quebrado algo.

De repente, da cabana:

_ _ Pai! Pai! Vem aqui! Corre!

O garoto havia visto algo rondando a casa. Não sabia o que era até que um dos vultos saltou sobre ele. Desesperado, tentou atirar, mas quem havia saltado sobre ele fugiu pela floresta. O pai, depois de ajudar a tirar Ruldem do buraco, correu até a casa. O filho estava sentado no chão e da sua cabeça escorria um filete de sangue.

_ Pai, eu vi. Era um homem. Ele me atacou.

Neste momento Scunny apareceu trazendo Mulder apoiado nos ombros. Ele havia fraturado o pé e não podia andar.

_ O que aconteceu?

_ Albert foi atacado por um dos malditos índios que vocês procuram. Eles existem e estão nos vigiando.

Ruldem, com muito esforço, falou que também havia visto um homem, mas ele não conseguiu alcança-lo, pois caiu na armadilha.

_ Temos que dar o fora daqui o mais rápido possível, pai ! Eu não quero ser morto por "índios"!

_ Você está certo, filho. Não fico aqui nem mais um minuto.

_ Não ! Vocês não podem fazer isso! Nós temos que encontrar essas pessoas!

_ Partiremos pela manhã. Bem cedo. Eu e meu filho. Caso vocês queiram podem permanecer aqui, mas nós vamos embora. Vamos entrar agora, porque aqueles monstros podem estar por aqui ainda.

Os quatro entraram para a cabana. Tinham que cuidar dos ferimentos. O dia já estava amanhecendo e eles não perceberam. Dara improvisou alguns curativos no garoto e imobilizou o pé de Ruldem. O dia amanheceu. Os dois homens estavam decididos a partir naquele momento. Não queriam ser mortos por índios canibais. Ruldem não conseguia andar e Scunny resolveu permanecer ali até que ele melhorasse. Albert e o pai foram embora , deixando-os sozinhos no meio daquela floresta.

_ O que faremos agora, Ruldem? Nós temos que voltar à civilização. Você tem que ser levado a um hospital.

_Calma, parceira. Eu estou bem. Nós temos que terminar o que viemos fazer.

_ Não , Nox! Temos que voltar!

Foi nesse momento que os dois ouviram um ruído estranho na parte de trás da casa. Dara pegou sua arma e foi até a porta. Alguém estava rondando o local.

De repente a porta foi arrombada.. Um senhor de idade estava a frente. Dara apontou sua arma para a cabeça dele e perguntou:

_ Quem é você? O que você quer?

_ Acalme-se agente. Sou Colt. Dr. Colt. Vim aqui para levar vocês para um local mais seguro.

Nesse momento aproximadamente sete pessoas entraram na cabana, pegaram Ruldem e Scunny, que não tiveram como reagir e foram levados.

O senhor começou a falar sobre quem ele era, tentando tranqüilizar os dois. Disse ser morador da floresta e conhecer fatos que eles desconheciam.

_ Eu vivo aqui, numa aldeia, no interior da floresta. Trabalho com um grupo de pessoas que aqui encontrei em uma das minhas expedições. Hoje essas pessoas sentem-se muito ameaçadas devido à presença de vocês dois na região, pois não conhecem suas intenções. Por isso me mandaram buscar vocês.

_ Você não poderia pedir para eles nos soltarem? Quem são essas pessoas? Porque você vive com elas?

_ Eu gostaria de poder esclarecer tudo a vocês, mas tenho que levá-los até a vila antes de tudo.

_ Mas meu parceiro precisa de um médico! Temos que voltar.

_ Deixa , Scunny. Eu posso suportar.

O s dois agentes foram carregados por aquelas pessoas que nada falavam por uns quinhentos metros entre árvores e arbustos até que alcançaram uma pequena vila de aproximadamente 10 casas, que parecia estar deserta. Dara perguntou:

_ Onde estão todos?

_ Escondidos , provavelmente. Fiquem aqui que vou procurar Antony.

O Sr. Os deixou em frente a uma das cabanas centrais, vigiados por dois homens de aparência idêntica e entrou na vila.

_ Scunny, o que será que essas pessoas fazem aqui? Serão índios?

_ Não sei...mas isso não está nada bom. Parece que estamos sendo observados por todos os lados!

O Dr. Colt retornou, acompanhado de um homem de meia idade com terríveis deformações no rosto e no corpo. Ele foi apresentado como Antony, o líder do grupo. Era ele quem contaria a história daquele povo aos agentes.

_ Nós vivemos nessa floresta a mais de 15 anos. Somos todos vítimas de contaminação química, pois experiências do governo realizadas clandestinamente próximas às nossas casas liberaram substâncias que contaminaram a água, o ar e as plantas do local, deixando graves conseqüências para nós. Resolvemos nos unir e criar nossa própria cidade, já que éramos excluídos devido aos preconceitos da sociedade. Nos últimos anos temos sofrido ataques de caçadores que nos confundem com índios canibais e isso tem nos preocupado .Quando soubemos que agentes especiais estavam penetrando na área, tivemos que investigar o que estava acontecendo .Pensamos que vocês queriam roubar nossas terras, ainda mais depois da morte de um pesquisador que em uma armadilha para animais. Seu colega e alguns lenhadores estão presos aqui, pois ficamos com medo que eles nos denunciassem...mas não temos a intenção de maltratá-los.

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VII

Estrada 64 _ Oregon, 28 de janeiro

6:00 am

_ Vamos nos separar em grupos. Vocês três vão naquela direção que nós iremos nessa.

Os grupos se separaram e caminharam por um longo tempo. Foi quando o grupo principal recebeu uma mensagem pelo rádio.

_ Sr., encontramos uma cabana. Há vestígios de presença humana no local.

_ Dê a sua localização.

_ Estamos a leste de vocês. Muito próximo. Chegamos aqui seguindo algumas pegadas...as pessoas parecem ter entrado na mata e fugido.

_ Estamos indo até aí imediatamente.

O grupo principal alcançou o outro. Vasculharam a cabana e depois continuaram a seguir as pegadas. Eles não sabiam o que os esperava. Ao entrarem na mata foram atacados por estranhos seres. Alguns foram mortos com flechadas; outros, aprisionados.

Não tiveram tempo de reagir. Não imaginavam que aquilo fosse acontecer. Foram levados até a vila também.

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VIII

Floresta de Oregon , 28 de janeiro

11:23 pm

Ruldem e Scunny continuaram sem entender a atitude daquelas pessoas. Para que se isolar do mundo? Eles queriam poder ajudar aquela gente.

_ O que nós podemos fazer por vocês?

Foi aí que os guerreiros da vila chegaram com os oficiais. Mas ninguém os viu...passaram desapercebidos. Os oficiais foram levados a uma cabana distante das demais onde foram aprisionados.

_ A melhor coisa que vocês têm a fazer para ajudar o meu povo é deixá-lo em paz. Voltar para sua cidade e esquecer o que aconteceu aqui.

_ Mas nós temos que entregar um relatório para o nosso superior.

_ Eu tenho certeza que isso não é um problema para vocês...

_ Nós iremos com uma condição: vocês têm que livrar o cientista que está aqui com vocês.

_ Sim. Nós o deixaremos ir com vocês.

_ Nós partiremos amanhã.

_ Tudo bem. Vocês podem dormir naquela cabana.

Os agentes se dirigiram à cabana indicada pelo cientista. Não tinham certeza de que o que haviam ouvido era verdade, mas já estavam bastante cansados...A investigação não iria a lugar nenhum com Nox machucado. Não tinham como provar nada do que havia acontecido. Ainda mais sabendo que a morte do cientista foi um acidente. Foram dormir nas pequenas camas da cabana.

Os oficiais permaneciam presos. Foram amarrados e eram vigiados por duas pessoas.

O dia amanheceu. Ruldem , Scunny e o cientista que fôra solto partiram acompanhados de um dos habitantes da vila que os levou até a estrada.

Logo que eles deixaram o lugar, o cientista ordenou que os oficiais fossem levados até ele.

_ O que vocês fazem aqui?

_ Procuramos um cientista que se perdeu na região.

_ Não há ninguém aqui. Vocês invadiram uma propriedade privada.

_ Não . Nós temos um mandato do Exército!

_ As leis não são as mesmas aqui... Levem-nos!

_ O que vocês vão fazer com a gente! Socorro!

Nesse momento várias pessoas de mesma aparência física saíram das cabanas e arrastaram os oficiais para um clareira. Ali, todos foram mortos.

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IX

Sede do Bureau, 29 de janeiro

6:11 am

_ Em que confusão nós nos metemos, hein?

_ Esquece, Scunny. Vamos dizer que nos deparamos com uma tribo indígena que vive na região da reserva....e que as mortes foram acidentais.

_ Mas...isso não é verdade!

_ É melhor assim...aquelas pessoas não merecem ser incomodadas.

Passou pela cabeça de Scunny tudo o que eles haviam visto e sofrido...Ela não gostava de mentir, mas naquele momento seria melhor esconder a verdade.

_ Tudo bem...vamos esquecer tudo.

Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes. Não pensavam em absolutamente nada. De repente:

_ Scully?

_ Sim?

_ Vamos. Temos uma audiência para comparecer nesse exato momento.

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X

Floresta de Oregon, 29 de janeiro

7:38 am

_ Fique tranqüilo, Sr. .Nossa colônia foi preservada. Liquidamos o pessoal do Exército e os federais já foram embora. Eles não desconfiaram de nada....

Colt desligou o telefone e voltou para suas pesquisas. Ninguém desconfiaria que ali era um campo secreto de estudos de Clonagem Alienígena do Governo enquanto ele estivesse no comando.

FIM

Priscila Menezes Ferri.

30/10/98

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