Era uma noite linda, o sol brilhava nas trevas sem fim. Um careca penteava seus lindos cabelos loiros, contemplado pela beleza feia da natureza. Na sua direita ao lado esquerdo um jacaré voava devagar em alta velocidade. Enquanto isso um cego lia um jornal de ponta cabeça e sem letras. Na sua frente, logo atrás sentado em um banco sem pés, um surdo escutava as mais recentes gravações do ano passado, enquanto uma outra multidão de surdos ouvia atentos um mudo anunciava que um aleijado das pernas acabava de ganhar a Corrida de São Silvestre.
Nas margens de um lago seco, sentado de pé numa pedra de pau, à sombra de uma árvore sem folhas, um mudo gritava bem alto: "Prefiro mil vezes a morte a perder a vida. " E, um outro respondia dizendo que o mundo era uma bola quadrada que navega em um barco sem fundo num oceano sem água.
Bem longe dali, em um bosque próximo sem árvores, os passarinhos pastavam tranqüilamente, enquanto as vacas pulavam de galho em galho à procura de seus ninhos, e os elefantes descansavam à sombra de um pé de alface.
Corri vagarosamente depressa para casa, passei a noite em claro porque esqueci de apagar as luzes.
Logo as 11 horas da madrugada, fui a um veterinário que me disse que eu estava com a língua do sapato estragada, montei nas minhas costas e saí galopando pelas ondas retas do deserto encandescente, até chegar à porta de minha casa. Entrei pela porta da frente, que fica nos fundos da casa.
Deitei o meu paletó na cama e pendurei-me no cabide, onde dormi um pouco. Sonhei que estava acordado, e quando acordei estava dormindo. Levantei-me vagarosamente rápido, dei marcha ré no meu ventilador, e dirigi-me ao banheiro, onde foi servido o almoço. Lavei caprichosamente os pés da minha mesa e, depois senti um gosto estranho, pois havia comido o guardanapo e limpado a boca com o bife.
Ao meu lado, um cego lia o jornal completamente sem letras e dizia o seguinte: os 4 profetas do mundo foram 3: Jacó e Jeremias.
E, enquanto tudo isso acontecia um burro estava aqui à ler todas essas bobagens.