- Sinal dos tempos... O Estado de São Paulo de segunda-feira trazia um artigo sobre o Tim Maia que dizia: "Formou o grupo The Ideals e gravou compactos (discos de vinil, de 33 rotações por minuto, como no máximo duas faixas - caso dos compactos duplos - de cada lado).." Caramba, já chegamos ao ponto de explicar o que eram os compactos! Claro, tem uma galerinha que só conhece o "CD single". Que coisa.
- Com tanta coisa pra falar do Tim Maia, eu só vou falar dos tais compactos?
Não sei bem o que dizer (que já não tenham dito). Eu adorava muitas músicas dele. Quando eu viajava com meus amigos da faculdade, a gente tinha uma lista de músicas "obrigatórias": quando alguém fosse tocar violão, tinha que tocar aquelas cinco músicas. Duas eram do Tim Maia! ("Do Leme ao Pontal" e "Descobridor dos Sete Mares").
Uma vez eu fiz uma entrevista com ele pro Território Nacional que foi uma festa. Fui pro hotel crente que ele não ia estar lá, ou não ia querer falar com a gente - expectativas razoavelmente justificadas. Às quatro e tanto da tarde, ele estava terminando de traçar um filé à parmegiana gigante na sua suíte e mandou a equipe subir. Duas horas depois, estava todo mundo com aquela sensação de "nunca me diverti tanto". Na saída, foram três CDs seus (lançados pelo seu selo Vitória Régia) pra cada um da equipe - VJ, produtor, câmera, assistente, operador de áudio, motorista. "Comigo não tem miséria". Todo mundo ria sozinho no elevador, contente com a "missão cumprida" e lembrando algumas coisas que ele tinha dito. Lembro de uma:
- Por que essa fama de que você nunca vai aos shows?
- Porque eu não ia mesmo.
- Fui pra Recife outra vez, apresentar o festival Recife in Rock. Eram onze bandas: Relmáticos, Matalanamão, Paulo Francis Vai Pro Céu, Caiçara, General Frank, Via Sat, Skuba (de Curitiba), Skamoondongos (de São Paulo), Querosene Jacaré e Pavilhão 9 (de São Paulo). Além deles, pintaram no palco Faces do Subúrbio, Canibal (do Devotos do Ódio) e a Nação Zumbi, nos shows do Skamoondongos e do Pavilhão. Zé Brown, do Faces, pintou também no show do Matala. Muito bom.
Pena que algumas coisas foram bem mais visíveis lá dessa vez (sabe como é, depois da paixão vem o namoro, você conhece melhor o seu par...). Achei Recife bem mais suja do que em setembro - as ruas, os rios. A população pratica alguns esportes radicais - equilibrar-se em ônibus velhos no maior pau, com emoção especial nas curvas - e outros com menos adrenalina, como chutar e arremessar lixo. Super democraticamente, sem distinção de classes sociais. Que pena, é isso que torna Recife mais próxima das grandes metrópoles como São Paulo... - Mas o fim da paixão à primeira vista não significa que o amor acabou. Com o tempo a gente lembra que ninguém é perfeito, mesmo que pareça muito não ter nenhum problema... Recife e Olinda são terras abençoadas, e as pessoas que ali vivem têm feito isso ("viver") melhor que a maioria. Vai lá pra ver.
Sonia Francine Gaspar Marmo (Soninha da MTV)