É Doutor, a vida continua sua sacra jornada. E nós pensando que não mudou nada. Quando da virada do ano houve um pequeno intervalo em que desejei ser capiau. Achar que todos os caminhos e esperanças se renovaram, que minha cueca branca me traria sossego e minha meia vermelha tanto sexo. Mas um porém: de que me vale pensar se acredito em tudo isso e continuar a viver do mesmo modo. Há então um pensamento que por mais comum continua sendo minha religião: Carpe Diem, diriam os poetas mortos.
E como é bom viver, apaixonar-se, brigar, chorar de emoção, ter aquela vaga lembrança da musiquinha que tocava quando íamos para escola com a lancheira cheia de mirabel, aquela música. Não é a tal passagem do ano que vai mudar nossa vida, mas serve pelo menos como desculpa para rever a família, dar um abraço na prima gostosa, tomar champagne, etc. Seria eu capiau e pensasse: Eu sei viver porque sinto quando, e por isso tento viver toda hora.
Sempre tentei fazer uma vida ao modo de que quando olhasse para traz não desejasse voltar um segundo sequer para mudá-la.
VIVA SEMPRE
Robert Moritz Cantarutti Jr.
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