A Doutrina Espírita

Antigamente as manifestações dos Espíritos eram explicadas como obra demoníaca, por princípios religiosos que até hoje persistem, desencorajando e mesmo proibindo, através do poder religioso, toda pesquisa e estudo que viesse esclarecer a causa desses fenômenos. Foi necessário que o tempo passasse e que o homem amadurecesse.

O avanço alcançado hoje pelas ciências, especialmente a química, a física e a astronomia, o surgimento dos grandes pensadores nos séculos XVIII e XIX, concorreram para mostrar a fragilidade de alguns princípios estabelecidos pela teologia. Foi nesse clima que surgiu a Revelação Espírita, trazendo ao mundo a explicação lógica para os grandes enigmas da vida, da morte, da dor, da felicidade, etc. Esta palestra tem como objetivo expor e difundir a Doutrina Espírita, que nos traz essas explicações.


As bases da Doutrina Espírita ou Espiritismo foram estabelecidas por Allan Kardec, pseudônimo de Hippolyte-Léon-Denizard-Rivail. De família católica, foi educado em país de religião protestante, onde sofreu intolerâncias religiosas que o motivaram a pensar, desde cedo, numa alternativa que visava à unificação das crenças. Em 1850, ele começou a se dedicar a estudos mais profundos de fenômenos, que começaram a chamar a atenção, a partir de 1848, nos Estados Unidos. Essas primeiras manifestações espíritas consistiam em ruídos, batidas e movimentos de objetos sem causa conhecida, que ocorriam com freqüência. Uma vez controladas, percebeu-se que se tratava de manifestações inteligentes.

Os ensinos dados por Espíritos Superiores com o concurso de diversos médiuns e os resultados dessas manifestações foram recolhidas nas seguintes obras: O Livro dos Espíritos, publicado em Paris, em 1857, e que tornou o texto base do movimento espírita Kardecista, em seu aspecto filosófico; O Livro dos Médiuns, publicado em 1861, para a parte experimental e científica; O Evangelho Segundo o Espiritismo, publicado em 1864 para a parte moral; O Céu e o Inferno, publicado em 1865 que trata da justiça de Deus segundo o Espiritismo; A Gênese, publicado em 1868, que trata do princípio do mundo. A partir do Livro dos Espíritos, funda-se o Espiritismo, que até então se constituía apenas de elementos esparsos, sem coordenação, e cujo alcance não havia sido compreendido.

A Doutrina Espírita revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida. Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da existência terrena e qual a razão da dor e do sofrimento. Trazendo conceitos novos sobre o homem e tudo o que o cerca, o Espiritismo toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades e do comportamento humanos. Pode e deve ser estudado, analisado e praticado em todos os aspectos fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social. É, ao mesmo tempo, ciência experimental e doutrina filosófica de conseqüência religiosa. Como ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os espíritos. Como filosofia e religião compreende todas as conseqüências morais decorrentes dessas relações. Esse é o Tríplice Aspecto do Kardecismo.

Esta doutrina não é uma religião organizada dentro de uma estrutura clerical. Toda prática espírita é gratuita, dentro do princípio do Evangelho: "Daí de graça o que de graça recebestes". O Espiritismo não tem corpo sacerdotal e não adota e nem usa em suas reuniões e em suas práticas: paramentos, bebidas alcoólicas, incenso, fumo, altares, imagens, andores, velas, procissões, talismãs, amuletos, sacramentos, concessões de indulgência, horóscopos, cartomancia, pirâmides, cristais, búzios, rituais, ou quaisquer outras formas de culto exterior.

O culto espírita é feito no próprio coração. É o culto do sentimento puro, do amor ao semelhante, do trabalho constante em favor do próximo. Somente o pensamento equilibrado no bem nos liga a Deus e somente a prática das boas ações nos fazem seus verdadeiros adoradores. Assim, o Espiritismo procura reviver os ensinamentos de Jesus, na sua simplicidade e sinceridade, sem luxo, sem convencionalismos sociais, sem pompas, sem grandezas, pois, como nos recomendou o Mestre de Nazaré, Deus deve ser adorado "em espírito e verdade".

O movimento espírita tem por objetivo colocar a doutrina ao alcance e a serviço de toda a Humanidade, através do seu estudo, da sua prática a da sua divulgação. Grande parte disso é realizada no Centro Espírita. Ele é a escola de formação espiritual e moral, baseada no Espiritismo. É o posto de atendimento fraternal a todos os que o procuram com o propósito de obter orientação, esclarecimento, ajuda ou consolação. Caracteriza-se pela simplicidade própria das primeiras Casas do Cristianismo nascente na prática da caridade, na total ausência de imagens, paramentos, símbolos, sacramentos ou outras manifestações exteriores.

A doutrina é formada por leis e princípios, dentre os quais estão os cinco mais importantes: a existência de Deus, a existência e imortalidade da alma, a pluralidade das existências, a pluralidade dos mundos habitados e as relações entre os espíritos e os homens.


1º. A existência de Deus

É a origem e o fim de tudo. É o criador, causa primária de todas as coisas. Deus é a Suprema Perfeição, com todos os atributos que a nossa imaginação possa criar, e muito mais. Deve ser infinito em todas as suas perfeições, pois se supuséssemos um único de seus atributos imperfeito, ele não seria mais Deus. A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Deus criou a matéria que constitui os mundos; também criou seres inteligentes que chamamos de Espíritos. "Deus é a Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas."(O Livro dos Espíritos, questão 1).

Para crer-se em Deus, basta olhar sobre as obras da Criação. O universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso. Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas.

Deus é eterno, pois se tivesse princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.

Deus é imutável. Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo nenhuma estabilidade teriam.

Deus é imaterial. Isto quer dizer que a sua natureza difere de tudo o que chamamos de matéria. De outro modo, ele não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.

Deus é único. Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na ordenação do Universo.

Deus é onipotente. Ele o é, porque é único. Se não dispusesse do soberano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele, que então não teria feito todas as coisas. As que não houvesse feito seriam obra de outro Deus.

Deus é soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das leis divinas se revela, assim nas mais pequeninas coisas, como nas maiores, e essa sabedoria não permite se duvide nem da justiça nem da bondade de Deus.


2º. A existência da alma e sua imortalidade

O Espírito é o princípio inteligente do Universo, independente da matéria. Não é de natureza palpável e a inteligência é o seu atributo essencial. Apenas a união da matéria e do espírito concede "inteligência" a matéria. É chamado de Alma, quando utilizando a matéria. A alma é o Espírito que habita o corpo durante a vida e o deixa por ocasião da morte.

Os espíritos, criados por Deus, são encarregados de administrar os mundos materiais segundo as leis imutáveis da criação e são perfectíveis por sua natureza. Eles são criados simples e ignorantes. O aperfeiçoamento é o fruto do seu próprio trabalho.

O espírito está encarnado quando está dando vida a um corpo, quando está animando um corpo. Quando uma pessoa nasce, seu espírito reencarna. E quando morremos fisicamente o espírito se desprende do corpo, se desencarna. Após a desencarnação ele volta à vida espiritual. A vida espiritual é a vida normal do espírito, é eterna. A vida corpórea é transitória e passageira, é apenas um instante na eternidade.

Muitas religiões nos ensinam que seremos felizes ou desgraçados, conforme ao bem ou ao mal que houvermos feito. "Que vem a ser, porém, essa felicidade que nos aguarda no seio de Deus? Será uma beatitude, uma contemplação eterna, sem outra ocupação mais do que entoar louvores ao Criador? As chamas do inferno serão uma realidade ou um símbolo? A própria Igreja nos dá esta última significação; mas, então, que são aqueles sofrimentos? Onde esse lugar de suplício? Numa palavra, que é o que se faz, que é o que se vê, nesse outro mundo que a todos nos espera? Dizem que ninguém jamais voltou de lá para nos dar informações.

É erro dizê-lo e a missão do Espiritismo consiste precisamente em nos esclarecer acerca desse futuro, em fazer com que, até certo ponto, o toquemos com o dedo e o penetremos com o olhar, não mais pelo raciocínio somente, porém, pelos fatos."(O Livro dos Espíritos, pag. 111)


3º. Pluralidade das existências (Reencarnação)

Sendo a evolução do espírito fruto do seu próprio esforço, ele não pode em uma única existência corpórea adquirir todas as qualidades morais e intelectuais que devem conduzi-lo ao objetivo. Ele aí chega por uma sucessão de existências, dando em cada uma delas alguns passos adiante no caminho do progresso.

Em cada existência corpórea o espírito deve cumprir uma missão proporcional a seu desenvolvimento. Quanto mais ela for rude e laboriosa, maior seu mérito em cumpri-la. Cada existência é, assim, uma prova que o aproxima do alvo. O número de suas existências é indeterminado. Depende da vontade do Espírito de abreviá-las, trabalhando ativamente em seu aperfeiçoamento moral; assim como depende do operário que tem de realizar um trabalho abreviar o número de dias para sua execução. Ele tem o livre-arbítrio, ele pode escolher entre o caminho mais curto ou mais longo.

Quando uma existência foi mal empregada, não aproveitada, o espírito deve recomeçá-la em condições mais ou menos penosas, em razão de sua negligência e de sua má vontade. Assim como na vida, podemos ser obrigados a fazer no dia seguinte o que não fizemos no anterior, ou a refazer o que fizemos mal. Deus, sendo soberanamente justo e bom, não condena suas criaturas a castigos perpétuos pelas faltas temporárias. Ele lhes oferece em qualquer ocasião meios de progredir e reparar o mal que elas praticaram.

No intervalo de suas existências corpóreas, o espírito é errante. Não por duração determinada; nesse estado o espírito é feliz ou infeliz de acordo com o bom ou mau emprego de sua última existência. Ele estuda as causas que apressaram ou retardaram seu desenvolvimento, toma resoluções que tentará pôr em prática na próxima encarnação e escolhe, ele mesmo, as provas que considera mais adequadas ao seu progresso. Mas algumas vezes ele se engana, ou sucumbe não mantendo como homem as resoluções que tomou como espírito. O espírito culpado é punido pelos sofrimentos morais no mundo dos espíritos, e pelas penas físicas na vida corpórea. Suas aflições são conseqüências de suas faltas, quer dizer, de sua infração à lei de Deus; de modo que constituem simultaneamente uma expiação do passado e uma prova para o futuro. É assim que o orgulhoso pode ter uma existência de humilhação, o tirano uma vida de servidão, o rico mau uma encarnação de miséria.

Os espíritos encarnando-se, trazem com eles o que adquiriram em suas existências precedentes. É a razão por que os homens mostram instintivamente aptidões especiais; inclinações boas ou más que lhes parecem inatas inteiramente. São também os indícios das faltas que ele cometeu, e o verdadeiro pecado original. A cada existência ele deve lavar-se de algumas impurezas. O esquecimento das existências anteriores é uma graça de Deus que, em sua bondade, quis poupar ao homem lembranças freqüentemente penosas. Em cada nova existência o homem é o que ele fez de si mesmo; é para ele um novo ponto de partida. Ele conhece seus defeitos atuais, sabe que esses defeitos são a conseqüência dos que tinha, que não tem mais, não tem mais que preocupar-se com eles; bastam-lhe as imperfeições presentes.

A diversidade das aptidões inatas, morais e intelectuais, é a prova de que a alma já viveu. Se tivesse sido criada ao mesmo tempo que o corpo atual, não estaria de acordo com a bondade de Deus ter feito umas mais avançadas que as outras. Por que selvagens e homens civilizados, bons e maus, tolos e brilhantes? Dizendo-se que uns viveram mais que outros e mais adquiriram, tudo se explica.

Se a existência atual fosse única e devesse decidir sozinha sobre o futuro da alma para a eternidade, qual seria o destino das crianças que morrem em tenra idade? Não tendo feito nem bem nem mal, elas não merecem nem recompensas nem punições. Segundo a palavra do Cristo, sendo cada um recompensado segundo suas obras, elas não têm direito à felicidade perfeita dos anjos, nem merecem ser dela privadas. Diga-se que poderão, em uma outra existência, realizar o que não puderam naquela que foi abreviada. Pelo mesmo motivo, qual seria a sorte dos cretinos, idiotas? Não tendo nenhuma consciência do bem e do mal, não têm nenhuma responsabilidade por seus atos. Deus seria justo e bom tendo criado almas estúpidas para destiná-las a uma existência miserável e sem compensações? Admita-se, pelo contrário, que a alma do idiota e do cretino é um espírito em punição dentro de um corpo impróprio para exprimir seu pensamento, onde ele é como um homem fortemente aprisionado por laços, e não se terá mais nada que não seja conforme a justiça de Deus.

A marcha dos espíritos é progressiva, jamais retrograda. Eles se elevam gradualmente na hierarquia e não descem da categoria a que ascenderam. Em suas diferentes existências corporais, podem descer como homens, não como espíritos. Assim, a alma de um potentado na Terra pode mais tarde animar o mais humilde obreiro e vice-versa, por isso que, entre homens, as categorias estão, freqüentemente, na razão inversa da elevação das qualidades morais. Herodes era rei e Jesus, carpinteiro.

Em suas encarnações sucessivas, o espírito, sendo pouco a pouco despojado de suas impurezas e aperfeiçoado pelo trabalho, chega ao termo de suas existências corpóreas; pertence então à ordem dos espíritos puros, e goza simultaneamente da vida completa de Deus e de uma felicidade imperturbável pela eternidade.

Gozam de inalterável felicidade, porque não se acham submetidos às necessidades, nem às vicissitudes da vida material. Essa felicidade, porém, não é a de ociosidade monótona, a transcorrer em perpétua contemplação. Eles são os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam para manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os espíritos que lhes são inferiores, auxiliam-nos na obra do seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões. Assistir os homens nas suas aflições, concitá-los ao bem ou à expiação das faltas que os conservam distanciados da suprema felicidade, constitui para eles ocupação gratíssima.

"Nascer, morrer, renascer, ainda, e progredir sempre, tal é a lei."


4º. Pluralidade dos mundos habitados

As nossas diversas existências não se verificam todas na Terra. Há mundos apropriados aos diferentes graus de avanço dos espíritos, onde a existência corpórea acha-se em condições materiais muito diferentes. Quanto menos o espírito é adiantado, mais os corpos de que se reveste são pesados e materiais. À medida em que se purifica, passa para mundos superiores moral e fisicamente. A Terra não é o primeiro nem o último, mas um dos mais atrasados.

O bem reinará na Terra quando, entre os espíritos que a vêm habitar, os bons predominarem, porque, então, farão que aí reinem o amor e a justiça, fonte do bem e da felicidade. Por meio do progresso moral e praticando as leis de Deus é que o homem atrairá para a Terra os bons espíritos e dela afastará os maus. Estes, porém, não a deixarão, senão quando daí estejam banidos o orgulho e o egoísmo.

"Da purificação do Espírito decorre o aperfeiçoamento moral, para os seres que eles constituem, quando encarnados. As paixões animais se enfraquecem e o egoísmo cede lugar ao sentimento da fraternidade. Assim é que, nos mundos superiores ao nosso, se desconhecem as guerras, carecendo de objeto os ódios e as discórdias, porque ninguém pensa em causar dano ao seu semelhante. A intuição que seus habitantes têm do futuro, a segurança que uma consciência isenta de remorsos lhes dá, fazem que a morte nenhuma apreensão lhes cause. Encaram-na de frente, sem temor, como simples transformação.

A duração da vida, nos diferentes mundos, parece guardar proporção com o grau de superioridade física e moral de cada um, o que é perfeitamente racional. Quanto menos material o corpo, menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o Espírito, menos paixões a miná-lo. É essa ainda uma graça da Providência, que desse modo abrevia os sofrimentos."(O Livro dos Espíritos, pág. 126)

Os espíritos culpados são encarnados em mundos menos adiantados, onde expiam suas faltas pelas atribulações da vida material. Esses mundos são para eles verdadeiros purgatórios, dos quais depende deles sair, trabalhando em seu progresso moral. A Terra é um desses mundos.

Tendo a Terra chegado ao tempo marcado para tornar-se uma morada de felicidade e de paz, Deus não quer que os maus espíritos encarnados continuem a trazer para ela a perturbação, em prejuízo dos bons. É por isso que eles deverão deixá-la. Irão expiar seu empedernimento em mundos menos evoluídos, onde trabalharão de novo para seu aperfeiçoamento em uma série de existências mais infelizes e mais penosas ainda que na Terra. Eles formarão nesses mundos uma nova raça mais esclarecida, cuja tarefa será levar o progresso aos seres atrasados que neles habitam, pelos conhecimentos que já adquiriram. Só sairão para um mundo melhor quando tiverem merecido, e assim por diante, até que tenham atingido a purificação completa. Se a Terra era para eles um purgatório, esses mundos serão seu inferno, mas um inferno de onde a esperança nunca está banida.

Segundo os espíritos, de todos os mundos que compõem o nosso sistema planetário, a Terra é dos de habitantes menos adiantados, física e moralmente. Marte lhe estaria ainda abaixo, sendo-lhe Júpiter muito superior. O Sol não seria mundo habitado por seres corpóreos, mas simplesmente um lugar de reunião dos espíritos superiores, os quais de lá irradiam seus pensamentos para os outros mundos, que eles dirigem por intermédio de espíritos menos elevados, transmitindo-os a estes por meio do fluido universal. Considerado do ponto de vista da sua constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os sóis como que estariam em situação análoga.

O volume de cada um e a distância a que esteja do Sol nenhuma relação necessária guardam com o grau de seu adiantamento, pois que, do contrário, Vênus deveria ser tida por mais adiantada do que a Terra e Saturno menos do que Júpiter.

As condições de longevidade não são, em qualquer parte, as mesmas que na Terra e as idades não se podem comparar. Evocado, um espírito que desencarnara havia alguns anos, disse que, desde seis meses antes, estava encarnado em mundo cujo nome nos é desconhecido. Interrogado sobre a idade que tinha nesse mundo, disse: "Não posso avaliá-la, porque não contamos o tempo como contais. Depois, os modos de existência não são idênticos. Nós, lá, nos desenvolvemos muito mais rapidamente. Entretanto, se bem não haja mais de seis dos vossos meses que lá estou, posso dizer que, quanto à inteligência, tenho trinta anos da idade que tive na Terra."

Muitas respostas análogas foram dadas por outros espíritos e o fato nada apresenta de inverossímil. Não vemos que, na Terra, uma imensidade de animais em poucos meses adquire o desenvolvimento normal? Por que não se poderia dar o mesmo com o homem em outras esferas? Notemos, além disso, que o desenvolvimento que o homem alcança na Terra aos trinta anos talvez não passe de uma espécie de infância, comparado com o que lhe cumpre atingir.


5º. Comunicabilidade com os espíritos

O mundo espiritual é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espiritual.

"Os espíritos não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós."(O Livro dos Espíritos, pág. 25)

Dizemos que os espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Um povo de cegos careceria de termos para exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascença se julga capaz de todas as percepções pelo ouvido, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato. Não compreende as idéias que só lhe poderiam ser dadas pelo sentido que lhe falta. Nós outros somos verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre-humanos. Não os podemos definir senão por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da imaginação.

Os espíritos podem ver tudo o que fazemos, pois constantemente nos rodeiam. Cada um, porém, só vê aquilo a que dá atenção. Não se ocupam com o que lhes é indiferente. Muitas vezes chegam a conhecer o que desejamos ocultar de nós mesmos. Nem atos, nem pensamentos se lhes podem esconder.

Os espíritos influem em nossos pensamentos e em nossos atos. Eles podem até mesmo nos sugerir pensamentos. Quando um pensamento nos é sugerido, temos a impressão de que alguém nos fala. Diz-se comumente ser sempre bom o primeiro impulso. No entanto, pode ser bom, ou mau, conforme a natureza do espírito encarnado. É sempre bom naquele que atende às boas inspirações.

A idéia que geralmente se faz dos espíritos torna à primeira vista incompreensível o fenômeno das manifestações. Como estas não podem dar-se, senão exercendo o espírito ação sobre a matéria, os que julgam que a idéia de espírito implica a de ausência completa de tudo o que seja matéria perguntam, com certa aparência de razão, como pode ele obrar materialmente. Ora, aí o erro, pois que o espírito não é uma abstração, é um ser definido, limitado e circunscrito. O espírito encarnado no corpo constitui a alma. Quando o deixa, por ocasião da morte, não sai dele despido de todo o envoltório. Todos dizem que conservam a forma humana e, com efeito, quando nos aparecem, trazem as que lhes conhecíamos. No plano espiritual, os espíritos possuem as mesmas características de quando estavam encarnados.

A natureza íntima do espírito propriamente dito, isto é, do ser pensante, desconhecemo-la por completo. Apenas pelos seus atos ele se nos revela e seus atos não nos podem impressionar os sentidos, a não ser por um intermediário material. O espírito precisa, pois, de matéria, para atuar sobre a matéria. Tem por instrumento direto de sua ação o perispírito, como o homem tem o corpo. O perispírito é o envoltório fluídico, semimaterial, que serve de ligação entre a alma e o corpo. Serve-lhe também de agente intermediário o fluido universal, espécie de veículo sobre que ele atua, como nós atuamos sobre o ar, para obter determinados efeitos, por meio da dilatação, compressão, da propulsão, ou das vibrações.

Considerada deste modo, facilmente se concebe a ação do espírito sobre a matéria. Compreende-se, desde então, que todos os efeitos que daí resultam cabem na ordem dos fatos naturais e nada têm de maravilhosos. Só parecem sobrenaturais, porque se lhes não conhecia a causa se inclui toda nas propriedades materiais do perispírito. É uma ordem nova de fatos que uma nova lei vem explicar e dos quais, dentro de algum tempo, ninguém mais se admirará como ninguém se admira hoje de se corresponder com outra pessoa, a grande distância, por meio da eletricidade.

O efeito mais simples, e um dos primeiro que foram observados, consiste no movimento circular impresso a uma mesa. Este efeito igualmente se produz com qualquer outro objeto, mas sendo a mesa o móvel com que, pela sua comodidade, mais se teve procedido a tais experiências, a designação de mesas girantes prevaleceu, para indicar esta espécie de fenômenos.

Apesar de este efeito ter sido um dos primeiros que se observaram, não há dúvida de que todos os gêneros de manifestações eram conhecidos desde os tempos mais longínquos. Visto que são efeitos naturais, necessariamente se produziram em todas as épocas. Tertuliano trata, em termos explícitos, das mesas girantes e falantes.

Para que o fenômeno se produza, é necessário a intervenção de uma ou muitas pessoas dotadas de especial aptidão, que se designam pelo nome de médiuns. O número dos cooperadores em nada influi, a não ser que entre eles se encontrem alguns médiuns ignorados. Quanto aos que não têm mediunidade, a presença desses nenhum resultado produz, pode mesmo ser mais prejudicial do que útil pela disposição de espírito em que se achem.

Nenhum indício há pelo qual se reconheça a existência da faculdade mediúnica. Só a experiência pode revelá-la. Segundo a doutrina, essa faculdade é inerente ao ser humano e não constitui privilégio de ninguém, pois todas as pessoas possuem mediunidade mesmo que em "estado rudimentar". Os médiuns mais desenvolvidos acabam se sobressaindo e recebem a denominação com mais freqüência, dando a falsa impressão de que são a minoria. Eles tem, na sua maioria, faculdades especiais de captação das manifestações espirituais, fazendo que eles se tornem diferentes entre si ao se expressarem. As principais variedades dessa manifestações estão relacionadas a seguir:

Médiuns de efeitos físicos: produzem fenômenos materiais como movimentação de objetos, ruídos, batidas, etc.

Médiuns sensitivos ou impressionáveis: são capazes de sentir a presença dos espíritos através de arrepios ou de uma impressão da sua presença. Ao desenvolverem essa sensibilidade, podem até identificar se o espírito é bom ou ruim.

Médiuns audientes: são capazes de ouvir as vozes dos espíritos e de conversarem com eles. A boa conversa depende de uma presença boa: "mau" espírito pode trazer transtornos ao seu ouvinte.

Médiuns videntes: possuem a faculdade de ver os espíritos. Raramente esse tipo de mediunidade se manifesta por um longo período. Essa visão não é propiciada pelos olhos, e sim pela alma, o que toma possível a alguns cegos desenvolverem esta sensibilidade.

Médiuns sonâmbulos: são dois tipos de sonâmbulos: os sonâmbulos propriamente ditos, que antecipam seu estado de espírito ignorando a matéria, e os médiuns que servem de instrumentos, nos quais as vontades manifestadas não são as vontades dos seus próprios espíritos.

Médiuns curadores: são capazes de curar com um simples toque, uma prece, um olhar e sem qualquer medicação. É uma faculdade espontânea, não havendo a necessidade do médium estar preparado por estudos de medicina ou formas de magnetização.

Médiuns pneumatógrafos: são aqueles que recebem diretamente dos espíritos mensagens por escrito. Essas mensagens podem ser frases completas, desenhos ou alguns poucos traços. Para o médium pneumatógrafo, o lápis é indispensável, o que o difere do médium escrevente. É uma mediunidade muito rara que requer oração e concentração.

Médiuns escreventes: são aqueles que recebem mensagens por escrito. A psicografia, mais comum, fornece uma vasta literatura e possibilita uma comunicação, entre os encarnados e os desencarnados, essencial ao estudo e formação espírita.

Os médiuns são geralmente muito mais procurados para as evocações de interesse particular, do que para comunicações de interesse geral. Isto se explica pelo desejo muito natural que todos têm de confabular com os entes que lhes são caros. Os espíritos fazem a este propósito algumas recomendações importantes aos médiuns. Primeiramente que não acedam a esse desejo, senão com muita reserva, se se trata de pessoas de cuja sinceridade não estejam completamente seguros e que se acautelem das armadilhas que lhes possam preparar pessoas malfazejas. Em segundo lugar, que a tais evocações não se prestem, sob fundamento algum, se perceberem um fim de simples curiosidade, ou de interesse, e não uma intenção séria da parte do evocador; que se recusem a fazer qualquer pergunta ociosa, ou que sai do âmbito das que racionalmente se podem dirigir aos espíritos. As perguntas devem ser formuladas com clareza, precisão e sem idéia preconcebida, em se querendo respostas categóricas.

As manifestações dependem muito dos espíritos e das qualidades morais do médium. A evocação é sempre agradável aos espíritos, quando feita com fim sério e útil. Os bons vêm prazerosamente instruir-nos; os que sofrem encontram alívio na simpatia que se lhes demonstra; os que conhecemos ficam satisfeitos com o se saberem lembrados. Os levianos gostam de ser evocados pelas pessoas frívolas, porque isso lhes proporciona ensejo de se divertirem à custa delas; sentem-se pouco à vontade com pessoas graves.

Como tudo pode tornar-se objeto de exploração, nada de surpreendente haveria em que também quisessem explorar os espíritos. Muito mais numerosos do que os falsos sonâmbulos, que já se conhecem, seriam os falsos médiuns e este simples fato constituiria fundado motivo de desconfiança. Quem compreende bem as condições necessárias para que uma pessoa sirva de intérprete dos bons espíritos, as múltiplas causas que os podem afastar, as circunstâncias que, independentemente da vontade deles, lhes sejam obstáculos à vinda, enfim todas as condições morais capazes de exercer influências sobre a natureza das comunicações, como poderia supor que um espírito, por menos elevado que fosse, estivesse, a todas as horas do dia, às ordens de um empresário de sessão e submisso às suas exigências, para satisfazer à curiosidade do primeiro que aparecesse?

"A faculdade mediúnica, mesmo restrita às manifestações físicas, não foi dada ao homem para ostentá-la nos teatros de feira e quem quer que pretenda ter às suas ordens os espíritos, para exibir em público, está no caso de ser, com justiça, suspeitado de charlatanismo, ou de mais ou menos hábil prestidigitação. Assim se entenda todas as vezes que apareçam anúncios de pretendidas sessões de Espiritismo, ou de Espiritualismo, a tanto por cabeça. Lembrem-se todos do direito que compram.

De tudo o que precede, concluímos que o mais absoluto desinteresse é a melhor garantia contra o charlatanismo. Se ele nem sempre assegura a excelência das comunicações inteligentes, priva, contudo, os maus espíritos de um poderoso meio de ação e fecha a boca a certos detratores." (O Livro dos Médiuns)

Dir-se-á, talvez, que um médium, que consagra todo o seu tempo ao público, no interesse da causa, não pode fazer de graça, porque tem que viver. Mas, é no interesse da causa, ou no seu próprio, que ele o emprega? Não será, antes, por que vê nisso um ofício lucrativo? A tal preço, sempre haverá gente dedicada. Não tem então ao seu dispor senão essa indústria? Não esqueçamos que os espíritos, seja qual for a sua superioridade, ou inferioridade, são as almas dos mortos e que, quando a moral e a religião prescrevem como um dever que se lhes respeitem os restos mortais, maior é ainda a obrigação, para todos, de lhes respeitarem o espírito. Por isso, é importante que, antes de ouvir uma comunicação, a pessoa se esclareça a respeito do Espiritismo.


Anjos e Demônios

Os anjos e os demônios estão presentes em todas as crenças, recebendo os mais diferentes nomes e causando os mais diferentes efeitos entre seus seguidores. Para o Espiritismo, trata-se de uma evolução espiritual. Nem anjos nem demônios são anteriores à humanidade, porque Deus criou todos os espíritos puros e bons e criou também uma lei de conduta voltada para o bem. Como os espíritos tem o direito de exercer o livre-arbítrio, é a aproximação ou o distanciamento em relação a essas leis que determinam a condição da espiritualidade, popularmente, denominada angelical ou demoníaca. Essa condição não é permanente, pois o espírito tende sempre à evolução, com maior ou menor rapidez, porém constante, porque o efeito do aprendizado é cumulativo e tem como alvo a perfeição. Essa evolução segue a escala espírita de classificação dos espíritos, na qual os espíritos imperfeitos, identificados popularmente por "demônios", estariam na Terceira Ordem e os espíritos puros, ou "anjos" na Primeira Ordem.

A palavra demônio não implica a idéia de espírito mau, senão na sua acepção moderna, porquanto o termo grego daïmon, donde ela derivou, significa gênio, inteligência e se aplicava aos seres incorpóreos, bons ou maus, indistintamente.

Por demônios, segundo a acepção vulgar da palavra, se entendem seres essencialmente malfazejos. Como todas as coisas, eles teriam sido criados por Deus. Ora, Deus, que é soberanamente justo e bom, não pode ter criado seres prepostos, por sua natureza, ao mal e condenados por toda a eternidade. Se não fossem obra de Deus, existiriam, como ele, desde toda a eternidade, ou então haveria muitas potências soberanas.

A primeira condição de toda doutrina é ser lógica. Ora, à dos demônios, no sentido absoluto, falta esta base essencial. Concebe-se que povos atrasados, os quais, por desconhecerem os atributos de Deus, admitem em suas crenças divindades maléficas, também admitam demônios; mas, é ilógico e contraditório que quem faz a bondade um dos atributos essenciais de Deus suponha haver ele criado seres destinados ao mal e a praticá-lo perpetuamente, porque isso equivale a lhe negar a bondade. Os partidários dos demônios se apóiam nas palavras do Cristo. Não seremos nós quem conteste a autoridade de seus ensinos, que desejáramos ver mais no coração do que na boca dos homens; porém, estarão aqueles partidários certos do sentido que ele dava a esse vocábulo? Não é sabido que a forma alegórica constitui um dos caracteres distintivos da sua linguagem? Dever-se-á tomar ao pé da letra tudo o que o Evangelho contém? Não precisamos de outra prova além da que nos fornece esta passagem:

"Logo após esses dias de aflição, o Sol escurecerá e a Lua não mais dará sua luz, as estrelas cairão do céu e as potências do céu se abalarão. Em verdade vos digo que esta geração não passará, sem que todas estas coisas se tenham cumprido."

Não temos visto a Ciência contraditar a forma do texto bíblico, no tocante à Criação e ao movimento da Terra? Não se dará o mesmo com algumas figuras de que se serviu o Cristo, que tinha de falar de acordo com os tempos e os lugares? Não é possível que ele haja dito conscientemente uma falsidade. Assim, pois, se nas suas palavras há coisas que parecem chocar a razão, é que não as compreendemos bem, ou as interpretamos mal.

Os homens fizeram com os demônios o que fizeram com os anjos. Como acreditaram na existência de seres perfeitos desde toda a eternidade, tomaram os espíritos inferiores por seres perpetuamente maus. Por demônios se devem entender os espíritos impuros, que muitas vezes não valem mais do que as entidades designadas por esse nome, mas com a diferença de ser transitório o estado deles. São espíritos imperfeitos, que se rebelam contra as provas que lhes tocam e que, por isso, as sofrem mais longamente, porém que, a seu turno, chegarão a sair daquele estado, quando o quiserem. Poder-se-ia, pois, aceitar o termo demônio com esta restrição. Como o entendem atualmente, dando-se-lhe um sentido exclusivo, ele induzira em erro, com o fazer crer na existência de seres especiais criados para o mal.

Satanás é evidentemente a personificação do mal sob forma alegórica, visto não se poder admitir que exista um ser mau a lutar, como de potência a potência, com a Divindade e cuja única preocupação consistisse em lhe contrariar os desígnios. Como precisa de figuras e imagens que lhe impressionem a imaginação, o homem pintou os seres incorpóreos sob uma forma material, com atributos que lembram as qualidades ou defeitos humanos. É assim que os antigos, querendo personificar o Tempo, o pintaram com a figura de um velho munido de uma foice e uma ampulheta. Representá-lo pela figura de um mancebo fora contra-senso. O mesmo se verifica com as alegorias da fortuna, da verdade, etc. Os modernos representaram os anjos, os puros espíritos, por uma figura radiosa, de asas brancas, emblema da pureza; e Satanás com chifres, garras e os atributos da animalidade, emblema das paixões vis. O vulgo, que toma as coisas ao pé da letra, viu nesses emblemas individualidades reais, como vira outrora Saturno na alegoria do Tempo.


Caridade

Ao encontro das religiões exclusivistas, que tomaram por preceito: Fora da Igreja não há salvação, como se, pelo seu ponto de vista puramente humano, pudessem decidir da sorte dos seres na vida futura, Allan Kardec colocou as seguintes palavras no início das suas obras: Fora da caridade não há salvação. Efetivamente, os espíritos ensinam-nos que a caridade é a virtude por excelência e que só ela nos dá a chave dos destinos elevados.

"Amai-vos uns aos outros". Nesta frase Cristo condensou todos os mandamentos da lei mosaica. O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejáramos nos fosse feito. A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se acostuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa.

A obrigação do cristão é ser uma trabalhador do bem, dando sua parte, por pequena que seja, na luta por um mundo melhor. Podemos fazer isto, cuidando melhor de nossas atitudes, vigiando nosso comportamento diário, sendo mais atenciosos e gentis, vendo, nos outros, mais suas qualidades, e finalmente, sendo mais exigentes para conosco mesmos.

Ajudar o pobre, socorrer o desesperado, assistir o doente, orientar o desajustado, levar palavras de conforto e esperança ao aflito, divulgar e viver os ensinamentos de Jesus, tudo isso constitui as bases do verdadeiro amor por ele ensinado e exemplificado, há quase 2000 anos.

"A doutrina espírita não impõe a ninguém nenhuma verdade de forma dogmática, pelo contrário, ela convida o homem aflito que Jesus narra nas bem-aventuranças ao estudo e deixa por conta deste a conclusão pela lógica dos ensinamentos espíritas."

(trecho extraído do livro O Principiante Espírita)


Conclusão

O Espiritismo não é uma luz nova, mas uma luz mais brilhante, porque surgiu de todos os pontos do globo através daqueles que viveram. Tornando evidente o que era obscuro, põe fim às interpretações errôneas, e deve unir os homens em uma mesma crença, porque não senão um Deus, e suas leis são as mesmas para todos.

Se ele aí está, é porque Deus o permite e o permite para que as nossas vacilantes esperanças se revigorem e para que sejamos reconduzidos à senda do bem pela perspectiva do futuro.

O conhecimento espírita abre-nos uma visão ampla e racional da vida, explicando-a de maneira convincente e permitindo-nos iniciar uma transformação íntima, aproximando-nos de Deus.


Daniel Rodrigues de Quadros
[email protected]

Hosted by www.Geocities.ws

1