O que é a moda? Bem, de acordo com um certo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, moda é uma maneira de ser e de se vestir, passageira, influenciada pelas idéias e conceitos da sociedade. Há os que discordem e digam que moda é apenas uma maneira de padronizar as pessoas para ganhar dinheiro, o que não é totalmente falso.
Porém, em minha opinião, moda é algo que as pessoas fazem hoje para se lembrarem e rirem daqui a alguns anos. Vou dar um bom exemplo disso. Certa vez eu estava conversando com meus pais e meu tio Martin. Eles estavam relembrando a época quando eram jovens e meu tio falou de uma topeca que ele teve. Achei a palavra engraçada e comecei a rir, mas depois ele explicou que diabos era aquilo. Topeca era uma marca, um tipo de calça, assim como hoje temos a calça jeans (O que será que as gerações futuras irão pensar desse nome?).
Mas a coisa não parou por aí. Eles começaram a relembrar toda a moda dos anos 70. Havia a quets (ou kets), que era uma marca de conga, que por sua vez é um tipo de calçado. Havia também a camisa feita com o tecido volta ao mundo, que tinha esse nome porque você poderia dar a volta ao mundo com essa camisa e ela não estragaria. (Preciso arranjar um pouco desse tecido e fazer algumas cuecas para mim.) Também usavam naquela época as calças boca-de-sino, cuja abertura da perna media, no mínimo, meio metro.
Em certo momento meu pai lembrou-se de uma propaganda do rádio que dizia o seguinte: "Compre Brim Coringa, não encolhe nem 'churinga'." Mas além de tudo isso ainda havia os sapatos-plataforma, as discotecas e, como não poderia deixar de ser, os ternos com as belíssimas cores mamãe-não-me-perca-no-shopping e já-fui-demarcado-pelo-IBAMA, além de outras ainda não catalogadas.
Isso tudo faz-me pensar: "O que será que as gerações futuras irão dizer da moda de hoje?". As calças de skatistas (vulgo bombacha moderna ou calça de cagado), os óculos escuros olho-de-vespa, aqueles bonés que ficam grudados na cabeça e se dizem "anatômicos", cabelos cortados curtinhos (Nossa! Quanto "C"), camisas manchadas com Q-Boa, e todo esse monte de coisas as quais damos o nome de moda. Provavelmente eles pensarão o mesmo que pensamos hoje das modas de antigamente: "Deus do céu!!! Ninguém nunca falou nada a eles sobre senso de ridículo?"
Cleverson L. Picolis
18/02/98