Espera

Dez horas e três minutos. A rua está calma. Espero a chegada do meu fornecedor.

Dez e dezessete. Na esquina um caminhão esmaga um pivete de rua. Ninguém se importa. Na esquina oposta um carro de som inunda a escuridão com mentiras onerosas

Dez e vinte e seis. Não agüento mais a espera. No prédio em frente uma TV ligada transmite um jogo de futebol. De repente, um vulto se aproxima. É meu fornecedor. Discretamente ele me passa um pacote.

Dez e trinta e um. Saio e comprovo se a cocaína é mesmo pura. Me engano, era puro açúcar. Mas para não perder totalmente a mercadoria, vou ao bar mais próximo, peço um café e o adoço com minha pura e legítima "cocaína".


Cleverson L. Picolis
18/04/95
(quando eu estava na sétima série)

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